terça-feira, 28 de agosto de 2012

LIVRO: "A Lista Negra" de Jennifer Brown


Terminei de ler "Hate List" (A Lista Negra) hoje, li em inglês, mas ouvi dizer que a tradução está bem boa! Ainda estou naquela depressãozinha pós livro, mas resolvi falar um pouco dele, porque é um que vale a pena!

Valerie é aquilo que se pode chamar (ou que chamam) de "loser", uma vítima de bullying (tema central do livro). Estudante do último ano do colegial, Valerie namora Nick. Eles têm alguns amigos em comum, mas passam a maior parte do tempo sozinhos, incompreendidos pelo resto e compreendidos entre si. Valerie, em um momento de raiva começa uma lista com nome de pessoas que  ela odeia e acredita que o mundo seria melhor sem. Vítimas de provocações diárias na escola, problemas na família, ela e Nick começam então a preencher a longa lista. No dia 2 de maio, Nick aparece na cafeteria da escola com uma arma e começa a atirar, seguindo os principais nomes da lista. Morrem 6 alunos e alguns outros feridos. Valerie tenta impedir o tiroteio e leva um tiro na perna, logo depois Nick se mata. E esse não é o final da história, apenas o começo.

Você não lembra do nosso plano? - Nick diz antes de se suicidar.

Eles tinham ou não um plano? Valerie é ou não também culpada, mesmo não tendo atirado em ninguém? Pelos diálogos que ela relata, eles conversavam muito sobre suicídio, sobre morte, inclusive sobre como seria se realmente aquelas pessoas moressem. O problema é que um estava falando sério e o outro não.

Nick era fã das tragédias de Shakeaspere e falava em como eles eram Romeu e Julieta, como eles pensavam parecido, como "we get to win sometimes". Mas ela nunca percebeu. Eles sentiam tanta raiva que falar dessas coisas era normal, uma forma de extravasar. Valerie decide voltar para a escola, mesmo se culpando e sendo acusada pela maioria, inclusive seus pais. As pessoas estão divididas entre acreditar que Valerie é inocente e dar crédito a ela por ter parado o tiroteio. Lembram daquela história do gordinho que foi filmado se defendendo de um bullying, arrebentou o moleque e virou ídolo? E aí, Valerie heroína ou vilã? Nick, herói ou vilão?

Valerie tem que lidar com o fato ainda ama Nick, mesmo depois de tudo, ela ama um Nick que ela se apaixonou, não o atirador daquele dia. Um Nick que sofria as mesmas coisas que ela, que era doce, amável, enfim, vítima. As pessoas não estão prontas para lidar com isso, elas estão com raiva e sofrendo, então Valerie escolhe se isolar.  Como o ponto de vista inteiro da história é o da Valerie (e de alguns jornais da cidade), nós acabamos simpatizando com  Nick de alguma forma, o que eu achei uma escolha bem interessante da autora.

Quando a raiva e o tempo passam, as pessoas começam a se perguntar, mesmo que em silêncio, sobre os motivos dele. Por que eu estava naquela lista? Onde eu errei? Quais motivos eu dei? Não seria Nick tão vítima como qualquer outra pessoa naquele tiroteio?

Você começa a pensar em todas as pessoas que odiou também quando era adolescente, até que ponto isso era real e se coloca no lugar de Valerie, onde as coisas saíram completamente do controle. De uma forma ou de outra, Nick mudou aquelas pessoas, Valerie em alguns momentos até se pergunta, ele foi um herói? Aquilo era realmente necessário e só Nick viu?

O livro é um drama social de primeira e invoca naturalmente muita reflexão. Na fala dos outros estudantes, dos pais, da própria Valerie, o tempo todo é colocando um "e se...".

- E se eu tivesse prestado mais atenção?
- E se a escola tivesse tomado alguma providência?
- E se eu tivesse percebido antes?
- E se nós tivéssemos tratado ele melhor?

- E se eu não tivesse começado a lista?


Post também publicado no meu blog pessoal.
@_thaprado

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Postado por Thaís Prado às 19:50 2 comentários

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um repúdio ao facebook (a bad dos novos tempos)




A modernidade trouxe, junto aos prozacs, valiums e rivotris, um motivo a mais para nos deprimir: a vida alheia escancarando sucesso e felicidade no facebook. 

Destaco o facebook, porque trata-se da janela do mundo. As campanhas publicitárias gastam tubos atrás do nosso curtir; fotos de sucesso, corpos belos e magros, amores duradouros, crianças alegres, vidas sociais agitadas, vernissages, lançamentos, shows, filmes, mesas de trabalho organizadas, cupcakes, "solidariedade" enchem nossos feedbacks.

Se há tanta felicidade no mundo, e se todos são tão bem resolvidos e bem amados, por que continuamos a gastar tubos com terapias, com noites regadas a álcool, drogas e um grande vazio na alma?

No twitter as pessoas são mais pés no chão (ao menos as que sigo - muito amor). Reclamam da vida, da solidão, do tédio. Comentam filmes, comentam viagens. São pessoas normais, com altos e baixos. No facebook, parece haver um filtro: o que é ruim não entra. Temos a impressão de que a vida de todo mundo é perfeita. Ou quase de todo mundo - a nossa não.

Esses dias entrei na página de uma amiga de infância, com quem perdi completamente o contato. Eis a vida dela: morou na Itália, fez curso de vinhos e hoje faz harmonizações (ah, que saudade da época em que eu fingia entender de vinho) em um restaurante chique de São Paulo. Além disso, ela está lindíssima, magra, amando e bem amada.

Tem como não bater uma invejinha?

Até porque meu ofício não desperta grandes elogios. Quando digo que sou jornalista na Prefeitura de Osasco me retornam muxixos de desaprovação. Quando dizia que fazia USP, curso de Geografia, me olhavam com uma cara de "que merda inútil". 

O facebook tornou as pessoas intolerantes, arrogantes e, pior: vítimas de seus próprios mundos do faz de conta.  

E assim, a cada perfil que fuço, mais me decepciono com a minha vida, que no fundo não é tão ruim: tenho um emprego, tenho amigos em diversos círculos, já viajei bastante na vida; mas, ainda assim, parece que não evoluí o suficiente. Minha vida parece menor, comparada às suas fotos de Cancun, às suas fotos namorando à beira do lago, aos seus comentários cheios de sabedoria, curtidos por legiões. Sei que é uma grande farsa: não afirmo que ninguém seja feliz, mas sei que há muita ansiedade, muito drama e muita insatisfação não-dita no facebook.

Fiquem na paz e me adicione no twitter, aquela terra que não é um faz de conta: @anamyself


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Postado por Anamyself às 14:48 7 comentários
 

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