quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Infância Policamente Correta


Os pais conservadores que me desculpem, mas a infância de hoje é tão super protegida que não tem graça nenhuma.

Colocar desenhos no perfil do Facebook me traz saudades do tempo em que a infância não era politicamente correta e as crianças eram apenas crianças e não mini-adultos. Hoje, ao invés de brincar, as crianças assumem compromissos cada vez maiores em prol de garantir um futuro decente e superestimado e esquecem do presente. O grande problema da atualidade são os pais que decidem ter filhos, mas só querem arcar com algumas responsabilidades e o resto a babá que se vire. A desculpa são as influências exteriores que põe em xeque a formação de caráter da criança, e não a falta de assistência. Condenam os jogos de videogames ou os programas de TV como os grandes vilões deturpadores infantis. Ora faça-me o favor! O caráter é resultado da criação que se recebe.

Ninguém ataca um casal gay na rua por causa do jogo Tal, mas porque os pais não o ensinaram a respeitar as diferenças e provavelmente justificava ações contrárias como “isso é coisa de viado”. Ninguém estupra porque o programa de TV mostrou que isso é certo, mas porque não aprendeu a ouvir “não”. Ninguém mata por causa dos filmes, mas porque não foram impostos limites. Ninguém invade a tiros uma escola infantil porque sofreu bullying, mas porque os pais não deram atenção às queixas e orientaram o filho a lidar com a situação. Aliás, ninguém insulta gratuitamente o outro por causa de jogo, programa ou qualquer coisa que acusem de causar ruptura de caráter, mas porque os pais não souberam educar, escutar e acimar de tudo, não ensinaram a respeitar. É muito mais fácil transferir a culpa do que assumir a falha. Pais negligentes são os verdadeiros vilões.

Não quero criar polêmica, mas realmente acho que cercar as crianças de todos os lados não a fará um adulto melhor. Sou do tempo em que a alimentação não tinha que ser obrigatoriamente saudável, os chocolates tinham formatos de cigarros, os meninos brincavam com arminhas de brinquedo, e os ícones da época não eram em nada corretos: o Bozo era cheirador, o Mussum bêbado e a Vovó Mafalda era, na verdade, um homem transvestido de mulher. E mesmo assim, crescemos muito bem. =)

A maldade está nos olhos do adultos cri-cri’s que enxergam no desenho violência e apologia homossexual, sendo que o que a criança vê são apenas super-heróis combatendo o crime com a ajuda indispensável do amigo. A decodificação perversa vem de cima. Ou vai me dizer que foi você quem percebeu o pênis na capa da “A Pequena Sereia”, e consequentemente se tornou um pervertido ao assistir o filme?

Tantos “cuidados” não preparam crianças para se tornarem adultos sensatos, mas hipócritas que se indignam com um propaganda de lingerie alegando ser preconceituosa e depreciativa à imagem feminina, mas que vai para o bar e chama de gorda a moça da mesa ao lado. E porque não veem problema das meninas brincarem de casinha? Ao meu ver, isso também é depreciativo, já que reforça a ideia de que o papel da mulher é de servir a casa, aos filhos e ao marido somente (mas isso é outra discussão).

É claro que deve haver um controle do que chega até as crianças, mas particularmente não acho que se deve podar todo o tipo de influência externa, pois dessa forma não há auxílio dos pais em criar filhos que saibam discernir o que é certo ou errado e se transformam em adultos passivos que aceitam tudo que lhe é dito, sem argumentar ou raciocinar sobre aquilo. É conversando e orientando aos filhos que aquilo que se vê na TV ou no jogo não é como se deve agir na vida real. Este sim, na minha opinião é o dever dos pais. Pais devem ser pais e não representantes da Santa Inquisição dando nova roupagem ao Index.

Não sei quanto a vocês, mas o que fundamentou minha formação foi o modo como meus pais me criaram e não o que eu via ou brincava. Eles me mostraram que o mundo não é bonitinho, mas somos nós separamos o joio do trigo; souberam falar sim e não na hora certa; me deixaram de castigo quando aprontava; me deixaram subir na árvore, mesmo sabendo que eu podia me machucar; e me ensinaram a respeitar o outro, independente da minha opinião; e graças a deus não me superprotegeram, mas que educaram sem me privar de diversão.

Pai, Mãe, obrigada por me ensinarem a ser sensata e humana sem deixar a vida chata e monótona.


Follow me: @claris_simao
E-mail me: claris@corporativismofeminino.com


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Depois de meses sem postar nada, estou de volta. Nesse tempo eu fiquei desempregada, briguei com as coleguinhas, formei, arrumei novo emprego, enchi a cara e conheci novas pessoas. Não me aconteceu nada demais, nada de muito novo, apenas falta de criatividade e inspiração para escrever para o CF. Mas agora estou de volta!

Beijos! ;)

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Postado por Claris Simão às 08:00

2 comentários:

D. on 12 de outubro de 2011 10:14 disse...

Que bom que está de volta!

Giovanna on 30 de janeiro de 2012 12:22 disse...

Oi, tudo bem?

Meu nome é Giovanna e escrevo para um site sobre moda e sapatos - Calcados.com - você conhece?
Andei lendo seu blog e o achei muito interessante! O design é simples e moderno, muito bem feito, além de também ser bem escrito. Particularmente, gostei bastante dos posts, são ecléticos e falam de forma clara! Acho que tem tudo a ver comigo.

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Beijos,

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Giovanna Oliveira
Calcados.com
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