quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quando não me amei

Minha história começa num momento que medo e carência eram minhas companheiras diárias. Não que justifique o que revelarei a seguir, mas foram elas que me deram o aval para me amar tão pouco. Foi apenas um homem aparecer com um bote meio murcho e dizer “sobe” para eu me atirar com mala e cuia naquilo.

Ele me prometeu uns desvarios e eu queria tudo aquilo. Queria todas as mentiras sinceras, os segredos de liquidificador e até a vida louca do Cazuza de quebra. Fiquei ali por perto, fazendo pose de indiferente, oferecendo alguns centavos para algo que não tinha preço.

Uns poucos dias passaram até ele me dizer que cairia fora. E toda a lucidez veio de chofre quando ele simplesmente bateu a porta. Lembrei de todas as vezes que transamos sem camisinha, de como eu, tão regrada, pude ter topado aquilo. Lembrei de cada mentira contada, de cada desculpa ensaiada. Lembrei, por fim, de mim. Mas parecia muito tarde. Porque eu estava doente. Um corrimento não me deixava esquecer aquele homem, o cheiro era forte, intenso. Passei longos dias com calafrios numa cidade escaldante, dormindo com cinco cobertores que não me satisfaziam. Febres ininterruptas de 40º. Vômitos. Vergonha de mim mesma. Medo. Agonia. Auto-piedade.

Fui ao hospital, sozinha, debilitada, de táxi. Tratei o corrimento por muitos meses. Mas ainda houve uma suspeita de câncer. Fiz exames de toda espécie e no final o médico disse que não era nada.

Talvez uma virose que se adquire a esmo, disse o médico. Talvez a vergonha, pensei. Talvez uma dor que não tem conserto com agulhas, pontuei. Talvez... eu tenha me amado tão pouco naquela época que o corpo decidira me rejeitar. Soa dramático, soa monótono, mas eu precisava dizer a vocês que é preciso vigiar e não deixar que apaguem sua estrela por tão pouco.




Anônimo

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Postado por CF às 23:41

5 comentários:

Anônimo disse...

Isso pq vc transou sem camisinha?

Uma vez cai na mesma besteira. Fiquei com febre (40º tb) peguei várias doenças.
Passei 1 mês tentando me curar de tudo.
Porém, o que não nos mata nos deixa mais fortes não?
Foi o que aconteceu!

Caroll. on 10 de agosto de 2011 23:58 disse...

Caramba...graças a Deus, não foi nada..mas poderia ter sido algo muito pior, algo sem retorno até.

Mas, ainda bem, serviu o susto e a lição. E espero, não apenas pra vc(qual de vocês for), mas pra todo mundo que ler.

:****

Ana Vicente on 12 de agosto de 2011 20:00 disse...

Caramba!!! Tenho um blog que chama Santo Antonio me ajuda, que fala de amor e relacionamentos e adoraria compartilhar esta história lá. Posso?
Excelente pra nós mulheres, sempre carentes do nosso próprio amor, tão fáceis de apaixonar e renunciar a nós mesmas...

Aninha on 14 de agosto de 2011 12:38 disse...

Muito foda, mas que atire a primeira pedra quem nunca fez um desvario...
aprender com os erros, sempre.

beijos

Sarita on 16 de setembro de 2011 11:37 disse...

Oi, Ana, pode publicar sim. Como a pessoa que enviou pediu para manter o anonimato, basta publicar como anônimo.

Bjs!

 

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