terça-feira, 31 de maio de 2011

Resultado do Sorteio da Promoção "Mulheres Francesas Não Dormem Sozinhas"


Post rápido apenas para anunciar os ganhadores da Promoção Mulheres Francesas Não Dormem Sozinhas.

No Facebook, a Natália Balbina!


No formulário inserido no próprio blog, a Fernanda Sallum!






Ainda temos mais exemplares para sortear no twitter EM BREVE!
Por isso fiquem atentos e nos sigam @Corporativetes!

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Postado por B. às 20:29 0 comentários

sábado, 21 de maio de 2011

Da saga "pintar o cabelo" - Home edition

Pinto o cabelo desde os 14 anos e acho que só teve uma vez que resolvi ir a um cabeleireiro pra isso (aguardem ansiosos: história mais pra frente). Fazer a unha e pintar o cabelo são coisas que eu aprendi e gosto de fazer sozinha, mas não foi logo da primeira vez que deu tudo certo. Assim como a saga “fazer a unha” (post), vou compartilhar com vocês, toda a saga “pitando o cabelo em casa”. 

A primeira vez que pintei o cabelo em casa, há 8 anos atrás, resolvi não arriscar muito. Comprei aqueles shampoos que colorem (?). - Google - Casting! Isso. Shampoos tonalizantes. Como eu sempre fui uma freak por mudança de visual, era um tom bem avermelhado. Animada passei no cabelo inteiro e esperei o tempo que tinha que esperar. Lavei e quando secou... Completamente manchado! Acontece que meu cabelo era enorme e um tubinho daquele não dava conta. Como quase tudo aos 14 anos, aquilo foi um desastre completo. Não sabia o que fazer, então continuei com aquele cabelo manchado pra combinar com as minhas espinhas, roupas bregas e aparelho. True story.

Anos depois fui adquirindo prática. Hoje em dia (com cabelo curto) pinto o cabelo como ninguém. Agora vão as considerações. 

Encontrar a cor. Já experimentei muitas, minha cor natural é muito escura pra minha pele e me faz parecer gótica estranha, já pintei de caju, castanho mais claro, vermelho... Até que um dia, tentando lembrar da cor que eu tinha usado há uns anos atrás, que tinha deixado meu cabelo meio alaranjado e tal, comprei um loiro claríssimo. Sim, senhoras e senhores. Era loiro e era claríssimo. Ainda lembro de ter comentado com uma amiga que foi junto – Eu tenho certeza! É esse, como meu cabelo é escuro e a tinta não pega tão bem se não descolorir, vai ficar alaranjado”. É, não ficou. Ficou, como minha mãe fez questão de dizer com “cor de barata”. Ah, esqueci de comentar, esse tipo de decisão: pintar o cabelo, cortar franja, testar um novo shape para as sobrancelhas, são decisões que eu tenho essa mania de fazer logo antes de alguma coisa importante. Do tipo, finalmente sair com aquele cara que eu queria, começar um trabalho novo, primeiro dia no semestre da faculdade. Não muito esperta, eu sei. Mas impulsão funciona assim. E normalmente é algo como, cortar a franja no banheiro com tesoura de jardim, tirar a sobrancelha com o espelho ainda embassado do banho e por aí vai...


Ou seje, eu estava lá com meu cabelo horroroso, pronta pra pular do décimo sétimo andar, quando resolvi descer de elevador mesmo até o cabeleireiro mais próximo. Lá fui instruída a fazer luzes! Eu fiz e consegui ficar pior.Quando terminou eu não tinha nem coragem de virar para o espelho pra ver como tinha ficado, estava tão animada. Olhei pra minha amiga - Tô gata? A coitada olhava pra mim sem conseguir piscar, nem as manicures conseguiam disfarçar. Era o erro. Passei um dia com aquele cabelo, quando percebi que não iria aguentar, fui até a farmácia na esquina e comprei um castanho escuro. Lá fui eu sozinha no banheiro, derrubar tinta pra todos os lados, manchar a unha, ressecar drasticamente meu cabelo pela terceira vez em quatro dias, correndo o risco de não ter mais cabelo em uma semana, passar o bendito castanho escuro. 

No final das contas deu tudo certo. Passei o castanho escuro, deixei meu cabelo “crescer” (manti ele curto por muito tempo) e fiquei sem pintar por uns longos dois anos.

Agora sou ruiva e feliz, com uma tinta que só encontro em UMA loja em São Paulo. Leva o nome creyço de “avelã tentação” e eu rezo todos os dia para que não se acabe. Ou eu terei que voltar a experimentar cores e SENHOR vocês sabem o que isso significa.




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Postado por Thaís Prado às 00:53 6 comentários

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A tênue linha entre o humor e a ofensa

Volto ao mundo blogueirístico depois de meses (malz aê a ausência) pela necessidade de comentar sobre um cara que ainda se sobressaindo muito na mídia. Um cara abjeto, um babaca completo, que sei que muitas, mas MUITAS de vocês idolatram.

Pretendo não me alongar, mesmo sabendo da dificuldade de controlar minha verborragia diante de tal conteúdo. Além disso, já sinto os xingamentos das fãs pululando mesmo sem ter sequer começado a escrever.

Pois então.
Nunca gostei do CQC. Acho as piadas por vezes de mau gosto, por vezes sem graça, mesmo. Não suporto o Marcelo Taz - ele, tal qual Jô Soares, se acha o homem mais inteligente do mundo, com o pleno direito de julgar a tudo e a todos. Quanto aos outros moços do CQC, nunca achei grande coisa. Até agora.

Acabei de ler na Rolling Stone de maio uma matéria sobre um deles, o Rafinha Bastos. A cada parágrafo que lia, mais vontade amaldiçoá-lo, até porque faço parte das minorias que ele ofende em piadas grotestas e simplesmente imbecis.

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço."

Rafinha diz na reportagem que seu humor não é para todos: "A minha comédia não é feita pra todo mundo, véio. E eu não quero que seja. Até agora eu cheguei assim. Eu não preciso popularizar a minha comédia", ao que uma menina comentou no site da RS:

"Há uma grande diferença entre provocar com uma piada para fazer uma crítica e fazer uma piada idiota. No caso dessa do estupro, não há nenhum crítica a nada, é ruim, sem graça e bastante ofensiva, piadas preconceituosas no geral são escrotas. Ser políticamente incorreto para apontar hipocrisia da sociedade, por exemplo, é bem diferente de ser um completo idiota. Arrogante, deve achar que quem está achando ruim "não compreendeu" a piada, é "limitado", afinal ele não faz..."

E concordo plenamente com ela.
Poxa, sou super fã de humor negro. Mas fazer piada de ESTUPRO, porra? Ao que isso agrega, deus do céu? Há uma grande diferença entre incomodar - Rafinha não se diz um grande incomodador? - e OFENDER. E Rafinha claramente ultrapassa essa linha com frequência.

Já tinha escrito isso quando hoje me deparei com um artigo brilhante do Marcelo Coelho na Folha de S. Paulo, e precisei mencionar. Ele fala sobre outro CQC, Danilo Gentili, que fez uma piada de muito mal gosto com judeus nos últimos dias. Parece que o texto foi feito sob encomenda para complementar o caso do Rafinha Bastos (e ó que o Marcelo Coelho nem citou a entrevista - deveria!).

"Ser “politicamente incorreto”, no Brasil de hoje, é motivo de orgulho. Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer “incorreto” -e com isso se vê autorizado a abrir seu destampatório contra as mulheres, os gays, os negros, os índios e quem mais ele conseguir.
Não nego que o “politicamente correto”, em suas versões mais extremadas, seja uma interdição ao pensamento, uma polícia ideológica.
Mas o “politicamente incorreto”, em sua suposta heresia, na maior parte das vezes não passa de banalidade e estupidez.
Reproduz preconceitos antiquíssimos como se fossem novidades cintilantes. “Mulheres são burras!” “Ser contra a guerra é viadagem!” “Polícia tem de dar porrada!” “Bolsa Família serve para engordar vagabundo!” “Nordestino é atrasado!” “Criança só endireita no couro!”
Diz ou escreve tudo isso, e não disfarça um sorrisinho: “Viram como sou inteligente?”.
“Como sou verdadeiro?” “Como sou corajoso?” “Como sou trágico?” “Como sou politicamente incorreto?”
O problema é que “politicamente incorreto”, na verdade, é um rótulo enganoso. Quem diz essas coisas não é, para falar com todas as letras, “politicamente incorreto”. Quem diz essas coisas é politicamente fascista.
Só que a palavra “fascista”, hoje em dia, virou um termo… politicamente incorreto. Chegamos a um paradoxo, a uma contradição.
O rótulo “politicamente incorreto” acaba sendo uma forma eufemística, bem-educada e aceitável (isto é, “politicamente correta”) de se dizer reacionário, direitista, fascistoide.

Leia o artigo inteiro aqui: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/917484-marcelo-coelho-politicamente-fascista.shtml

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"Eu também sou um cara que carrega uma série de preconceitos e faço questão de admitir isso no palco", continua Rafael Bastos.

Pergunta: em que mundo exteriorizar os preconceitos é uma coisa saudável? Desde quando isso é legal? Puro mau gosto. Sem graça e maldoso.

Confesso que passei por um certo conflito anterior antes de começar a escrever esse post. Por um lado, não queria jamais fazer qualquer divulgação de um escroto desses. Depois de ler isso, só desejo a esse merda o anonimato. Infelizmente não está ao meu alcance (tenho 400 e poucos seguidores no twitter, poucos reais na conta, um emprego sem grande destaque; ele, 2 milhões de seguidores, o título de "mais influente" peloThe New York Times, muita visibilidade na mídia e muitos, mas muuuuitos reais na conta). Mas, por outro lado, senti necessidade de alertar àquelas que, como eu, nunca se interessaram muito por CQC, que pelo menos um deles é um belo de um babaca.

"Porque a minha prepotência, a minha arrogância... que eu ainda carrego hoje, eu não perdi isso. Mas, naquela época, eu não respeitava quem estava ao meu redor."

Arrogante. Taí a palavra para definir Rafinha Bastos, que se acha o mais foda, o mais inteligente, o mais bonito do mundo. BABACA.

A matéria inteira está disponível aqui http://www.rollingstone.com.br/edicoes/56/textos/a-graca-de-um-herege/ ou no fim do post.

Com todo o desprezo por um cara desses e por quem acha o máximo piada que ofende sem um porquê, encerro.

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@anamyself

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A Graça de um Herege

Por André Rodrigues - Rolling Stone


Rafinha Bastos, o “homem mais influente do Twitter”, vive sua melhor fase sendo agressivo, odioso e politicamente incorreto – e garante que esse é o verdadeiro caminho da salvação


Foto: Victor Affaro
Rafinha Bastos
Rafinha Bastos: "Eu gosto de incomodar"

Confira abaixo, na íntegra, o perfil de Rafinha Bastos, publicado na edição 56 da Rolling Stone Brasil (maio de 2011).

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho." O humorista Rafinha Bastos está no palco de seu clube de comédia, na região central de São Paulo. É sábado e passa um pouco das 20h. Os 300 lugares não estão todos ocupados, mas a casa parece cheia. Ele continua o discurso, finalizando uma apresentação de 15 minutos. "Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade." Até ali, o público já tinha gargalhado e aplaudido trechos que falavam sobre como cumprimentar gente que não tem os braços, o que dizer para uma mulher virgem com câncer, e por que, depois que teve um filho, Rafinha passou a defender o aborto. Mas parece que agora a mágica se desfez. O gaúcho de 34 anos, 2 metros de altura, astro da TV, não está emplacando sua anedota sobre estupro. Os risos começam a sair tímidos e os garçons passam a ser chamados para servir mais bebida. Rafinha aparenta não se dar conta de que algo ruim está acontecendo. Em vez de aliviar, ele continua no tema. "Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço." Em vez de rir, uma mulher cochicha para alguém ao lado: "Que horror".

Horas antes, Rafael Bastos Hocsman conversava comigo em outro de seus empreendimentos, um café frequentado principalmente pelo público gay. Desde que passou a apresentar o programa CQC (Custe o Que Custar) , na Rede Bandeirantes, em 2008, seu nome não para de ganhar popularidade. Hoje ele vai ao ar em rede nacional duas noites por semana. Às segundas-feiras, aparece comentando o noticiário de forma irônica no CQC. Às terças, é um dos repórteres de A Liga, baseado em jornalismo investigativo e de grandes temas (obesidade, condições das cadeias, drogas, entre outros). Nestes três anos, comprou um apartamento, teve um filho (Tom, hoje com 6 meses), ficou sócio de um bar, abriu um clube de comédia com o também humorista e colega de TV Danilo Gentili e acaba de lançar o DVD A Arte do Insulto, com o show de stand-up que o deixou famoso no circuito teatral paulistano - em 20 dias, a vendagem ultrapassou 15 mil cópias. A cereja do bolo veio com o carimbo do jornal norte-americano The New York Times, que o cravou como o homem mais influente do mundo no Twitter.

Parece que as coisas vão bem para Rafinha Bastos. Ainda mais se lembrarmos que o esporte preferido dele é incomodar. Seus textos versam geralmente sobre preconceitos e termos politicamente incorretos. Durante os poucos minutos de suas apresentações, é possível passear por um rosário de sacanagens em cima de gordos, carecas, deficientes, cidadãos de Rondônia, judeus, golfinhos e pagodeiros. "A minha comédia não é feita pra todo mundo, véio. E eu não quero que seja. Até agora eu cheguei assim. Eu não preciso popularizar a minha comédia", ele fala, após um gole de refrigerante. Rafinha não bebe álcool, não fuma, não usa drogas e jura ser fiel à mulher, Junia, com quem está há sete anos. Conhecendo esse seu lado "paz e amor", seu show fica ainda mais esquisito - ou interessante. O estilo agressivo (que ficou óbvio quando comandou um quadro do CQC, o Proteste Já, que promete lutar pelos direitos dos cidadãos), a altura intimidadora e os vitupérios que solta no palco não combinam com o cara que é gentil com estranhos, gosta de ficar em casa com a família e sempre termina as frases com "meu querido". De onde vem essa vontade de provocar? Seria uma vingança? Um roteiro ao estilo "garoto nerd sofre bullying na escola e quando faz sucesso passa a xingar o mundo"?

Assista abaixo ao making of da sessão de fotos com Rafinha Bastos:



"Nunca fui o 'zoão', o piadista. Na aula, eu ficava no fundo. Eu era da turma dos 'filha da puta', mas eu não era filha da puta com todo mundo", ele lembra, sobre a fase escolar. "Eu me relacionava muito bem. Só que era aquele que, se alguém dava uma brecha, eu fazia um comentário absurdo, que não tinha nada a ver. Sempre fui muito observador para fazer graça." Mas uma infância feliz correndo na rua e jogando basquete em Porto Alegre, cidade onde nasceu, não diz muita coisa sobre o grandalhão que gosta de pisar nos calos da audiência. Passear pelos verdes anos do humorista se revela uma pista falsa. É preciso cavar um pouco mais.

"Eu sempre fui muito crítico com comédia. Demorei muito para entender que tem gente engraçada em quem eu não vejo a menor graça. Eu não achei a menor graça no Danilo [Gentili] a primeira vez em que eu o vi. Eu falei para o Oscar [Filho, humorista e repórter do CQC]: 'Você não tem a menor graça, você não tem texto, você não tem nada!' Foi uma briga de não se falar durante dois anos", conta, admitindo, em seguida, sua característica sobressalente. "Porque a minha prepotência, a minha arrogância... que eu ainda carrego hoje, eu não perdi isso. Mas, naquela época, eu não respeitava quem estava ao meu redor."

As coisas se complicam. Agora, além de tentar descobrir de onde vem o gosto pela polêmica, é preciso buscar os motivos da propalada arrogância de Rafinha. Desde criança, Rafinha Bastos tinha um sonho: trabalhar na TV. Fez a faculdade de jornalismo em sua cidade natal e logo passou a produzir e editar reportagens na extinta TV Manchete. Naquela época, já contrabandeava humor nas suas saídas com a câmera, quando cobria atrações culturais, vestibular e assuntos de temática jovem. Depois de alguma experiência no ar, foi para os Estados Unidos estudar e jogar basquete universitário. De volta ao Brasil, passou a trabalhar no portal de internet da RBS (afiliada da Rede Globo no Sul), que o motivou a se aprofundar nas ferramentas do universo virtual. Mas aquilo não era suficiente. Nunca foi.

"Eu queria muito fazer comédia no Rio Grande do Sul. Senti que tinha a manha. Mas teve gente na RBS que falou assim: 'Gaúcho não gosta de comédia. Gaúcho gosta de jornalismo e documentário'", diz. Desde 1998, ele tinha um endereço na internet, intitulado Página do Rafinha. Lá, colocava videoclipes toscos e sátiras que realizava com os amigos e a família. Eram brincadeiras ingênuas, típicas da idade, com garotos vestidos de mulher dublando sucessos da música brega, pop ou qualquer coisa que soasse engraçada. A criatividade do piá começou a se espalhar na rede. "Tinha uns 22 anos e pensei: 'Essa merda que tô fazendo aqui na RBS... Esses filhas da puta estão barrando as minhas ideias. Tudo o que to tentando emplacar nessa merda não tem graça, as pessoas não riem, mas meus amigos tão achando do caralho. Tô perdendo meu tempo com uns idiotas, cara'." Em 2002, Rafinha decidiu que tentaria São Paulo.

Enquanto relembra a história, um garoto todo vestido de preto tal qual um "mini-Johnny Cash" se aproxima de nossa mesa e interrompe a conversa, falando sobre o pai morto. É uma piada. Ele também quer saber o que Rafinha achou de um vídeo que ele mandou para um dos concursos que o humorista realiza na internet. Rafinha escuta as dúvidas do iniciante, dá dicas e arremata com "se o texto for bom, vão rir. Mesmo que você fale 'sua mãe foi estuprada', vão rir. Desenvolve e testa". O rapaz sai de cena radiante. Olho para minhas anotações e vejo duas palavras grifadas: provocação e arrogância. Continuo sem respostas. Mas antes de retomar o fio e explicar como desembarcou em São Paulo com R$ 8 mil - dinheiro ganho do seguro depois de dar perda total em um carro - para tentar transformar a Página do Rafinha em um programa de TV, meu entrevistado joga uma pista quente. "[Gravava os vídeos] com o apoio do meu pai e da minha mãe. Meu pai se acha artista. Ele é do caralho. É muito engraçado. Tem um sarcasmo, uma ironia muito louca."

Então o segredo está no pai? Médico, Júlio Hocsman, pai de Rafinha Bastos, já foi secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, por isso participava de diversos programas de TV. "As primeiras vezes em que eu estive na TV foi acompanhando meu pai. Ficava lá, olhando as câmeras." Piadas? "Eu era criança e meu pai já fazia piada. Eu perguntava: 'Pai, como se diz mesa, em inglês?' E ele: 'Cat [gato]'. Aí eu começava a usar cat. No zoológico, eu via um canguru parado. Meu pai dizia que ele estava quieto porque os cangurus só pulavam na Austrália. Eu tinha 6 anos e acreditei nisso até meus 20 e poucos." Arrogância? "Meu pai sempre me achou do caralho. Ele falava: 'Rafael, você é artista. Você é como eu'. Meu pai tem essa arrogância." Preconceito, humor politicamente incorreto? "De onde vem? Não sei, meu pai sempre foi um cara assim. Meu pai é um cara que carrega muitos preconceitos. Eu também sou um cara que carrega uma série de preconceitos e faço questão de admitir isso no palco. Eu não acho que obesidade é doença, é preguiça. Acho que gordo é preguiçoso." E então Rafinha olha as horas e diz que precisamos partir para o clube de comédia, onde ele irá mostrar trechos de seu novo solo e causar repulsa com aquela piada de estupro.

"Pedofilia... Muitas pessoas são contra a pedofilia, outras pessoas são padres..." Rafinha continua mexendo com temas polêmicos, mesmo após chocar parte da plateia com o papo sobre estupro. A espectadora que achou a piada anterior um horror agora gargalha, aliviada. Pedofilia agradou mais do que violência sexual contra mulher. A plateia se revela uma entidade ainda mais indecifrável do que os humoristas. O show acaba e tomamos o rumo da porta. "Eu não tenho mais a necessidade de ser o mais engraçado. Eu não tenho mais a competitividade que um dia eu tive. Agora eu subo no palco e penso: 'Pô, a galera riu muito mais do [outro] cara'. Ele não foi melhor que eu... Ele agradou mais, isso sim. Você tá entendendo? Eu abracei uma história de que eu sou do caralho. Não faço questão de ser melhor do que o outro. Mas ainda me acho muito do caralho."

A fila lá fora avança por uns 200 metros na rua Augusta. São várias sessões por noite, com um couvert artístico de R$ 30 por pessoa. Naquele sábado, para atender a multidão, havia um show extra às 2h da manhã. Rafinha se apresenta quando quer e pode. A programação é variada, alternando medalhões do stand-up com iniciantes. Na entrada, há uma parede toda recheada com produtos trazendo o logo da casa e as imagens de Rafinha Bastos e Danilo Gentili: são DVDs, chaveiros, camisetas, canetas, canecas. "Quando vi pela primeira vez, achei estranho. Isso parece um altar, um lugar de adoração. Mas agora me acostumei", ele comenta, olhando os produtos. Há até um boneco em miniatura de Danilo. Rafinha se vira para a hostess e pergunta o preço: R$ 300.

Andar pelas ruas com uma pessoa famosa é exercer a arte da paciência. Em cada esquina, Rafinha é abordado para tirar fotos, dar autógrafos ou apenas dizer um "tudo bem, meu querido?"

"Você viu como a plateia retraiu quando eu comecei a falar de estupro? Mas não é bom? A piada não é boa? É boa! Eu gosto da piada!", ele interrompe a caminhada e fala pela primeira vez sobre a apresentação que acabou de fazer. O gigante está ferido. "Eu nunca tinha visto o texto do estupro funcionar tão pouco. As pessoas realmente se assustaram pra caralho!" E, diante daquele momento de fragilidade, Rafinha perde alguns centímetros, encolhe e recua no tempo. "Eu senti um puta clima! Mas isso hoje não me incomoda mais. Antigamente, rolava esse clima e eu ia falar: 'Eu sou gaúcho...' Eu iria para um texto que sei que funciona. Isso anos atrás. Agora, eu falo: 'Não, eu vou fazer o texto do estupro até o final!'"

Anos atrás nem é tanto tempo assim. Rafinha chegou a São Paulo em fevereiro de 2003. Como a vaga ideia de colocar a Página do Rafinha na TV não vingou, passou a fazer alguns bicos para arranjar dinheiro. Trabalhou como locutor de telessexo, teve um programa na internet, produziu pegadinhas para o João Kléber e até pensou em incorporar o gaúcho folclórico e servir espetos numa churrascaria. "Também era uma experiência que eu queria viver. Eu queria me foder. Sabia que hoje eu ia valorizar ainda mais essas coisas. Eu já pensava nisso: 'Tudo isso que está me acontecendo agora vai ser do caralho quando eu for muito do caralho. E vai rolar'. Eu tinha noção."

As certezas de Rafinha começaram a tomar forma quando ele chegou à TV - vendendo produtos, é verdade. Fez comerciais e logo foi contratado pela festa Trash 80's, que resgatava hits dos anos 80 e virou febre entre os jovens da classe média paulistana. Rafinha cuidava do telão, produzia vídeos e era DJ. Com a grana fixa da Trash 80's e o salário da publicidade, as coisas passaram a ser promissoras. Ao assistir a uma apresentação da comediante Marcela Leal, em 2004, ele enxergou a possibilidade de também subir em um palco. Incentivado pela nova amiga, tentou ser engraçado assumindo alguns personagens. Ele então virou um palhaço maldoso, funcionário de uma famosa rede de lanchonetes, e um psicopata mascarado que atacava em Crystal Lake.

"Já era pesado e agressivo. Era um palhaço filha da puta, que colocava minhoca nos lanches, um fracassado... E tinha o Jason. Eu colocava uma máscara e contava uma história. Era ridículo, ruim pra caralho. Um dia a Marcela [Leal] foi assistir e a plateia não riu nada. Ela falou: 'Rafinha, não vão gostar disso. O texto é muito você, sai do personagem'." Inspirado em stand-ups que tinha visto na TV norte-americana, ele percebeu que poderia contar seus causos e emitir suas opiniões sem precisar fingir que era um palhaço ou um assassino serial. Só a sua figura já incomodava o suficiente. Depois ele conheceria o comediante Marcelo Mansfield, uma espécie de segundo pai, que o incentivaria a tentar pela primeira vez um pequeno solo. "Fiquei emocionado. Os caras riram. E era eu ali!" Começou a desenvolver material próprio, criou o espetáculo A Arte do Insulto, produtores da Band o viram no teatro e ele recebeu o convite para integrar o elenco do CQC.

"Preciso reavaliar a piada. Poderia ser mais engraçada ainda. Mas eu acho engraçada... Você já viu uma mulher gostosa na TV reclamando que foi estuprada?", ele dispara perguntas, assombrado pela piada maldita. Inconformado com a reação do público de horas antes, ele busca formas de fazer a piada funcionar, mas prefere se reconfortar no caráter misterioso da plateia. "Às vezes faço uma piada de merda. Não é sempre que eu acerto", admite. "E tenho a tendência a agredir. Isso é uma coisa que às vezes até peco um pouco. Muitas vezes é um tiro no meu pé. Eu saio do palco e 'pedrada, pedrada, pedrada'. Aí entra um cara e diz: 'Meu pinto é pequeno'. E as pessoas riem!"

A audiência forma um corpo difícil de ser domado. Por isso Rafinha Bastos entra batendo, sem cerimônias. Ele acha que, no palco, nenhum assunto é sagrado. "Eu gosto de incomodar. Eu não gosto de achar que estou querendo educar ou passar uma lição. O barato é surpreender, fazer algo que faça eu me sentir livre. Eu não penso duas vezes na hora de falar no palco uma colocação que faço entre amigos, por mais absurda que seja. Tem muita merda que a gente pensa. E, se a piada for boa, tem que entrar." Mas quando ele abandonou as fantasias de palhaço ou a máscara do vilão de SextaFeira 13, quem ele encontrou? Qual é a desse personagem que Rafinha encarna no palco? No que se transformou o moleque dos clipes debochados, que colocava saia e fazia dublagens ingênuas?

"Cara, não é um personagem. Não sou só isso, mas com certeza sou aquilo. Eu penso aquilo. É uma faceta muito presente em minha vida. Se não fosse autêntico, se fosse um personagem, as coisas não teriam dado certo pra mim. É o que me diverte, é o que me faz rir, é o caminho que eu quis seguir." Então chegamos a alguma lição - pelo menos, a lição de Rafinha: faça o que tem vontade, teste, se dedique e as coisas vão acontecer.

"Mas eu não quero ser o braço direito do Marcelo Tas [figura central do CQC] o resto da minha vida. Por mais que eu goste do Tas e me dê bem com tudo aquilo, eu quero crescer, testar, eu quero me foder", diz. "Quero fazer muita coisa, mas stand-up eu quero continuar fazendo. Por mais banalizado que as pessoas achem. Nada me orgulha mais do que bolar três minutos de texto. É melhor do que qualquer programa da Liga, melhor que qualquer sucesso do CQC, do que qualquer coisa."

Isso não quer dizer que a TV esteja descartada: entre as vontades de Rafinha Bastos, está uma série em que interpreta a si mesmo. Ele cita como referências Curb Your Enthusiasm, de Larry David, e Louie, do comediante Louis C.K. Também quer ganhar o DVD de Diamante depois que vender pelo menos 50 mil cópias de A Arte do Insulto. E, por que não, começar tudo de novo? Rafinha acha que isso seria muito engraçado.

"Às vezes tenho vontade de falar: foda-se essa merda toda. Vamos começar do zero. Vamos para Nova York, viver a mesma coisa que vivi em São Paulo. Não é estresse nem nada. Ia ser um desafio. Não seria do caralho fazer isso? Eu penso em atingir a marca de dois milhões de seguidores no Twitter e zerar [ele ultrapassou esse número dias após a entrevista]. Apagar a conta e começar tudo de novo."

Finalmente, ele resolve falar sobre o estudo que apontou Rafinha como a personalidade mais influente do Twitter, à frente de Barack Obama, Justin Bieber, Lady Gaga e Oprah Winfrey. "Pessoalmente isso não me tocou, não. Profissionalmente me tocou porque dei entrevistas. Grana, rolou pouca coisa." Rafinha ainda lembra que, depois da reportagem no New York Times, seu nome voltou a ser citado porque ele disse que cobrava para escrever certos tweets. "Todo mundo faz isso. Uma bobagem. Às vezes procuram e eu aceito. Mas tem coisa que não faço, não." Os tweets de graça, por sua vez, incluem de grandes dicas - "Olá, você tem avós? Gosta deles? Legal! Eles morrerão em breve. Durma bem" - a escatologias, como uma foto mostrando onde ele pretendia guardar um troféu que acabara de ganhar (é exatamente no lugar em que você está pensando). "Essa coisa de 'mais influente do mundo' acaba me dando poder. Mas é algo em que você não toca. Eu nem penso a respeito. Não acho que sou o mais influente do mundo", ele reflete. "Eu faço uma coisa que mais gente se identifica. Quando eu falo assim: 'Se vagina fosse em pedra, viciava mais que o crack', pode não ser a melhor piada do mundo, mas você entendeu."

Entendi, mas o homem que posa com uma coroa de espinhos na cabeça (Rafinha não tem religião, mas no stand-up ele se diz judeu) não consegue ficar apenas no falatório protocolar, nos agradecimentos de praxe. "Eu sou foda. Eu sou muito foda. Não precisa o Twitter me dizer, não precisa o fã me dizer... Minha mulher, talvez, eu até goste. Meu pai. E acaba aí", ele arremata, me encarando.

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho." Rafinha Bastos está outra vez no palco de seu clube. Agora já passam das 22h daquele mesmo sábado e, desta vez, todos os lugares estão tomados. Minutos antes, na rua, ele me convidou para rever o show solo: está determinado a provar que a piada sobre estupro é mesmo boa.

A plateia está excitada, chicoteando as paredes do lugar com longas risadas. A luta está ganha para Rafinha. Nessa sessão, quando ele continua com o texto, anunciando o abraço no estuprador, há muitas gargalhadas e até mesmo aplausos. Do palco, ele bate ainda mais forte, ri, faz dancinhas e fala sobre a gravidez de sua esposa e o ultrassom do bebê, quando o pequeno Tom "parecia uma ameba". Ele finaliza a sequência, agradece e recebe um "ahhhhhh". As pessoas querem mais. Ele sai. Precisa ir pra casa ver a mulher e o filho. Ainda dá tempo de me levar até a porta, dar muitos autógrafos no caminho e dizer: "Viu como a piada do estupro funciona?"

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Postado por Anamyself às 06:00 15 comentários

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Look de hoje

Faz tempo, eu sei.

Tenho sentido saudade de vocês, acreditem. Por isso resolvi passar por aqui e postar rapidinho um look que usarei já já para ir ao cinema, levarei a irmã para ver Rio.

Escolhi algo confortável, levando em consideração que vou ter que correr pelo shopping atrás da pestinha hahahahaha.

A saia de poás vai muito bem com a blusa de ursinho, que dá uma descontraída no visual mais clássico. Batom e brincos vermelhos também ajudam quebrar a seriedade do cinza com o preto.



Nos pés, sapatilha, por favor. Não consigo correr e usar salto ao mesmo tempo (lacunas na feminilidade?).

Na bolsa, um casaquinho quentinho para quando o filme começar. Sem o abraço do namorado, cinema torna-se uma fria.

Blusa: Rita Prado
Saia: Riachuelo
Sapatilha: Mr. Cat
Relógio: Swatch
Acessórios: acervo pessoal
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Postado por Anália às 13:22 8 comentários

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Problemas Femininos: Sobre o poder de multiplicá-los

Bom, gente, esse texto acabou ficando levemente revoltado, porque realmente, parece que o drama nunca está completo, até que, não contentes, resolvamos (ou a vida resolva) dar uma complicada extra! Vamos lá!



Problema real: Menstruação

Envolvendo tensão pré e pós menstrual e o período do demo em si. Esse provavelmente é um dos tópicos mais gastos da história, mas pra mim, sempre vale a pena frisar o quanto é insuportável e infelizmente, inevitável menstruar. - Ai, mas é um processo tão natural, é lindo, dor corpo humano. Pra quem me diz isso eu nem respondo, porque sinceramente, quem aqui (que passa por isso todo mês) consegue me dizer que não é um incomodo absurdo na vida? Você passa mal, mastiga os dentes de ansiedade durante uma semana, morre de cólica e quando termina essa fase (gorda e com a pele estragada), o que você ganha por ter passado por tudo em silêncio? Eu digo em silêncio, porque por incrível que pareça, a TPM só é do jeito que é, porque a maioria de nós tentamos controlá-la, se resolvêssemos deixar rolar, pintos cabeças iriam rolar. Voltando, o que ganhamos após tudo isso? Mais pelo menos 4 dias de puro nojo, desconforto, miséria, tortura... Piscina no mês a vontade? Sexo? Conforto? Quem precisa de encosto?


Mas não contentes... como desgraça pouca é bobagem, tratamos de inventar problemas pra complementar a situação na qual nos encontramos. Vamos lá, não basta você estar na TPM e sofrer em silêncio ou, no máximo, com algumas amigas e animais domésticos. Você PRECISA ligar pra arrumar briga com o namorado (ou derivados)! É a coisa mais rara encontrar uma mulher que fale “Querido, estou de TPM hoje, meio surtada, vamos deixar pra nos ver outro dia, ou nos falamos outra hora, ok?”. Mas nãão, a graça está em arrumar problema, cavocar encrenca, escafundrar pancadaria. Cutucamos a onça com todo tipo de vara, agulha, alfinete, até que o bicho rosna, abrindo espaço para o grand piti, que costuma terminar em choradeira. Agora, pra quê mesmo?


Problema real: Machismo

Melhorando está, não vamos negar, mas que ainda existe muito preconceito no ambiente de trabalho e na vida pra mulherada, existe. Ainda somos alvo de piadinhas machistas e não sei sinceramente se isso terá cura um dia, não tem cara de que terá. Se sentir acuada na rua porque um pedreiro não consegue controlar os hormônios ou um motoqueiro não consegue não buzinar e gritar um “chupa que é de uva”. Se tem uma concentração de, no mínimo, dois homens já é difícil atravessar a calçada em paz, quanto maior a concentração pior, porque o ego medíocre dos neandertais começa a palpitar. Qual o problema dessas pessoas? Essas letras de funk que o povo canta como se fosse hino, alguém avisa! 


Mas não contentes... tem mulher que alimenta esse machismo e ISSO sim é um problema. Não digo alimentar cortesias, ele pode pagar a conta, pode vir te buscar em casa, isso não é machista (e nem obrigação dele), é cortês. Qualquer tipo de esforço, vindo do homem ou da mulher para que o outro se sinta cortejado e querido, é válido. Mulher machista acha que é obrigação. Não é, você pode admirar, querer um homem que seja cortês, mas essa é uma qualidade dele como pessoa, não uma obrigação competente a membros desse sexo. Mulher que alimenta a imagem de objeto me dá ainda mais raiva do que homem machista. Nada contra as piranhas, que sejam muito felizes, mas um pouco de classe né, minhas queridas? Deixar homem (qualquer pessoa, na verdade) te ofender e ainda achar bonitinho, pegar papel e caneta e escrever letras de “música” sobre como você é cachorra, sério. Poupem-se. 


Problema real: Gravidez 

Não estou colocando aqui gravidez como um “problema” no sentido negativo, mas como uma problemática extra na vida da mulher. O período de gravidez em si, embora pra muitas seja mágico e tal, é uma revolução. Tudo que tiver para ser desregulado, será, todas as emoções se intensificam, além de algumas novas, que surgem. Você tem uma criança crescendo dentro de você e querendo ou não, por bem ou por mal, ela terá que sair. Ninguém te entende, seu corpo começa a se rebelar contra você. Sua bexiga não te pertence mais, as estrias você entrega pra Deus, dormir de bruços (o único jeito que você conseguia dormir)? Nem pensar. Enjoo, gastrite, incontinência...é a gravidez, e é (pelo menos até então) exclusivamente feminina.


Mas não contentes... engravidamos sem querer, engravidamos de homens idiotas, engravidamos com 16 anos, engravidamos sem saber quem é o pai, engravidamos sem um tostão no bolso. Com um bebê maravilhoso nos braços ou não, ele é uma complicação na vida. Tanto financeiramente, como no tempo, na rotina, muda tudo. Acho que nunca se está estável o suficiente pra se ter um filho e que isso não é fator de exclusão, mas mesmo assim, dá pra facilitar, não? Não! Temos que complicar, sempre. 


E vocês, o que acham de tudo isso, mais algum exemplo? 






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Postado por Thaís Prado às 00:01 4 comentários

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz Dia das Mães OU Tente fazer TUDO com um filho




Ser mulher é bem difícil. Dores aqui e acolá, de menstruação e de amor. Uma luta estafante com a balança e a colocação profissional. Agora imagine passar por tudo isso com um filho? Minhas dietas nunca mais foram tão difíceis de seguir. "Mamãe, quero sorvete!" e lá vai você flertar com o perigo. Depois ele diz "Não quero mais", daí você pensa nas pessoas morrendo de fome ao redor do mundo e enfia o bendito na boca com culpa e gordura hidrogenada.

Aí vem a parte dos relacionamentos amorosos. Você passa o dia desgrenhada, dando de mamar e limpando cocô. Você não dorme bem, você negligencia toda sua estética. Mas no final do dia, precisamente à noite, tem de dar assistência sexual a um homem. Como, Meu Deus? Como? Mas você DÁ. Porque você também é amante.

Mas vamos falar de beleza. Algo tão cobrado ao sexo feminino. Você passa 9 meses sendo esticada por todos os lados e, sim, todos esperam que você saia ilesa da gravidez. Depois você tem de sobreviver a um dia inteiro correndo atrás do seu filho. No final da noite nenhum mísero fio de cabelo poderá ter saído do lugar, você conservará um perfeito degradê de sombra na sua pálpebra. Porque você é mulher.

Como se não bastasse todos os nossos desacordos sentimentais, afetivos, sociais, você tem de resolver o desacordo do seu filho. Vem a fase da choradeira (que é cólica, dengo, dor, fome, cocô ou algo do tipo, mas você não sabe, não sa-be). Vem a fase que ele corre pela casa feito um psicopata, puxando o fio da televisão para se auto-acertar. Vem a fase da mentira, ele mente feito um louco para todos, inclusive para você. Vem a pré-adolescência e você deverá ter as respostas certas para que ele vire alguém decente. Vem a adolescência onde ele tentará medir forças com você e pensará em morte e quão é infeliz, mesmo tendo um prato de comida todo dia à mesa que você ralou para caramba para pôr lá. Mas você segura a onda e a ainda a muda de direção se for possível. Porque você é MÃE.

Um feliz dia das mães a todas as mulheres depiladas que são mães.

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Postado por Sarita às 12:59

segunda-feira, 2 de maio de 2011

TEXTO A LEITORA: A Síndrome do Patinho Feio

Desde que me entendo por gente, sou feia. Por favor não me elogiem, não vai adiantar. Sempre me senti assim e não importa a quantidade de elogios que receber, continuarei assim. Sério, meu caso é clínico. Começa mais ou menos em casa, com um irmão lindo, que puxou tudo de bonito das duas famílias: a saber os olhos verdes, a pele cor de pêssego, o cabelo preto escorrido, a boca carnuda e a magreza. Sim, oh céus, a magreza. Mesmo com meus cachos (que, aliás, eu amo), os olhos castanhos e nenhum atrativo excepcional, se não fosse pelo fato de eu ter nascido – e continuado – acima do peso acredito que não me sentiria dessa maneira. Meu Deus! Por que todas as princesas da Disney têm de ser MAGRAS?

Eis o porquê esse trauma começa na infância.

1) GULOSEIMAS DA VOVÓ. Toda criança (normal) adora um doce, quando feito pela vó então. Mas quando você é a GORDA da família, todos os seus primos, seu irmão estão comendo e você (como uma criança) também quer comer. E aí ficam os parentes olhando com aquela cara de pobre-menina-obesa-que-nunca-vai-casar. A situação piora quando sua mãe não mede a língua e fala na frente de todo mundo “VÊ SE MANERA NO DOCE MINHA FILHA”.


2) A MALDITA PUBERDADE. Se eu pudesse escolher ‘deletar’ qualquer fase da minha vida, definitivamente seria o ginásio. É realmente algo que não quero que meus filhos (se eu vier a tê-los) saibam. Sempre a amiga gorda baranga que só servia mesmo era pra cupido. Terrível mesmo é sentar bem no meio da fila do cinema e quando se dá conta todas as amigas ao lado estão beijando seus respectivos. Caramba, eu acho que demorei uns bons 3 anos a mais para dar o primeiro beijo, e só porque o amigo do cara tava muito afim da minha amiga.

3) AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Quando cheguei no ensino médio e descobri que, com a ajuda de um atestado de trabalho, eu poderia ser liberada das aulas demoníacas de educação física, eu juro, tive meu primeiro orgasmo. Eu sempre gostei de esporte, mesmo, mas nunca tive condições físicas para nenhum deles. Até mesmo o Handball em que é necessária brutalidade e tamanho, minha carreira foi curta, quase um aborto pobrezinha. Por minha falta de coordenação motora (que nunca tive) eu sempre ficava de reserva (para um jogo que nunca aconteceu).

4) FASHION WEEK GG. Minha mãe e minhas tias sempre foram magras, acho que por isso minha mãe nunca soube lidar comigo, A GORDA, na hora de comprar roupas. Na verdade fico até com dó dela, acho que ela queria muito poder me vestir como uma boneca Barbie, sorry mommy, a Barbie é magra, eu não. E então desde pequena eu já usava roupas de adulto, porque as roupas de criança não serviam em mim. Esse ponto até foi bom, pois ajudou muito a definir meu estilo hoje em dia.



Mas o pior de tudo isso mesmo, é que agora, aos 20 anos, eu não consigo conceber a idéia de que algum cara, por mais insano ou bêbado que seja, possa me olhar como uma mulher desejável. ORA POMBAS, você não está vendo minhas amigas aqui ao lado não? É o mais comum na minha vida, eu e minhas amiga sentadas num bar e uma delas diz “O CARINHA ALI TÁ TE DANDO UMA ENCARADA NICK” e claro, eu penso/falo “NÃO ELE TÁ OLHANDO É PRA UMA DE VOCÊS”.

Simplesmente não consigo aceitar! Sempre tive certeza absoluta que os meus namorados tinham sérios problemas mentais, really.

Trauma de infância? Problema clínico psicológico? Ou a verdade nua e crua?

WHO CARES? Quem sabe um dia eu chego nos 55kg...




Follow me @fuckChildhood =)
Por Nicole Bressan


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Postado por CF às 00:00 23 comentários
 

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