terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Comedora Compulsiva. Você é uma?

Fiz a minha primeira dieta aos 13 anos, quando às vésperas da adolescência a cobrança sobre o peso ficou maior. Fui a um endocrinologista que me passou uma dieta de quase fome. Na época, os nutricionistas eram pouco divulgados, assim como a ideia de que comer pouca porções numa sequencia diária traria benefícios.




Ao fim da dieta eu perdera mais que o necessário e foi difícil voltar a comer como uma pessoa normal. Eu simplesmente não queria mais comer. Estava magra e passei a me alimentar apenas de elogios.

Aos 14 anos eu estava esquálida o suficiente para ouvir, sem querer, no banheiro da escola as garotas conversarem "Ela parece doente". E parecia, pois realmente estava. Eu ia à academia sempre como uma religião, como se eu estivesse próxima do fim e precisasse me redimir. O exagero sempre presente na minha vida. Eu nunca pude amar mais ou menos. Ou comer mais ou menos. Ou eu comia até estourar, ou amava até perder a dignidade. Ou simplesmente não comia e não amava. O problema é que ninguém pode deixar de comer.

Então bem perto dos meus 15 anos eu conheci alguém e voltei a comer. Voltei a comer com cuidado, eu lembro. Mas deixara a fome de lado. Logo depois o conceito "Coma pequenas porções", slogan de todos nutricionistas, começou a ser divulgado. "Coma chocolate, mas coma 2 tabletinhos" ou algo sensato no mesmo nível. Mas eu não sou sensata, tampouco normal. Se eu comesse 1 tabletinho, bem inho mesmo, eu não me controlaria e compraria todos os tabletões possíveis e inimagináveis. No meu caso, contrariando todos os nutricionistas, comer pequenas porções de guloseima desencadeia uma sequencia de comilanças infindáveis até as roupas pararem de servir. Digo isso para os médicos e eles não entendem. Simplesmente acham que é "instável força de vontade", mas isso, caríssimos, é compulsão. Descobri-me Comedora Compulsiva e, ainda, talvez, uma Mulher Que Ama Demais. Mas não quero chegar ao mérito dessa segunda irmandade, pois já me basta, por enquanto, reconhecer a minha impotência diante da comida.

Sou impotente. Já fiz farra alimentar de dias seguidos para nos dias seguintes começar a correr desenfreadamente. Nunca induzi o vômito, mas eu ficava num desespero tão extremo de perder o que havia ganho... Que chegava a ter diarréias e vômitos "naturais". Encontrei apoio recente na Irmandade Comedor Compulsivo Anônimo, que tem como base os 12 passos e 12 tradições de AA, trocando apenas o termo "álcool" por "comida" e "alcoólico" por "comedor compulsivo". A vontade de comer compulsivamente sempre volta de súbito, para isso basta que eu me sinta segura o suficiente, ou insegura insuficientemente. Para mim não existe remédio que possa "segurar a fome" ou comidas que dão saciedade, não como por sentir fome, como por inúmeros motivos.

As pessoas falam em reeducação alimentar - O que busquei durante os últimos anos e consegui até segurar bem o peso. Mas era uma reeducação muito NAZISTA, sem experimentar nada doce por meses e meses, flertando sempre com o perigo de cair no buraco da compulsão e não conseguir voltar atrás. No aniversário de 10 anos do meu filho após enrolar docinhos por uma tarde inteira, eu comecei a comê-los e depois disso, deixei os exercício de lado, achando tudo uma luta estafante. Após a morte do pai do meu filho, eu decidira por me confortar da melhor maneira possível e comer bastante, por que não? E depois de ouvir minha mãe falar "Por que você precisa comer tudo isso?" foi que eu chorei por dias seguidos, sem comer nada, e busquei ajuda de CCA. Nas primeiras semanas eu saia das reuniões querendo comer as cadeiras que as pessoas estavam sentadas, mas depois... Bem, depois eu comecei a me enxergar melhor. Me entender. Me respeitar. Me estapear até. Minha relação com a comida está longe de ser saudável, mas agora estou consciente disso. E cá estou, vivendo um dia de cada vez.

Se você se identificou comigo, procure CCA pelo site http://www.comedorescompulsivos.com.br/ e assista a uma reunião na sua cidade. É isso, um dia de cada vez para mim e a todos comedores compulsivos que ainda sofrem.

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Postado por Sarita às 12:00
 

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