sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A arte de não se apaixonar.

Sinto falta da mulher apaixonada que sempre fui. Das minha pequenas reviravoltas, das noites insones, dos gestos exacerbados com ares de eternidade. E, transcorrido tanto tempo desde tais sentimentos, consigo racionalizar cada atitude mal pensada.

Para se apaixonar é preciso estar distraída, muito distraída. E é preciso se tornar muito disponível. Não apenas disponível no sentido "desocupada", mas também disponível para inventar. Senão não se apaixona. E estou falando de paixão e não de amor.

Por que a distração é tão importante? Porque por uma profecia do universo quando se está esperando que algo aconteça, simplesmente não acontece. Basta sair de casa e a secretária eletrônica ficará abarrotada de recados incríveis. Seu telefone tocará se deixado esquecido no banco de trás do carro. É uma profecia do universo e não há nada a ser feito quanto a isso.

A distração não pode ser artificial. Nada adiantará se você fizer um ar, superficial, blasé. A "coisa toda" tem que ser feita de modo distraído. Você está distraída e mal vê o bueiro à frente. Você mal vê o homem que lhe fará cair de uma vez só num buraco negro posteriormente. Ele se concretizará na sua frente de uma forma inédita, como um assaltante motorizado.

Como diria aquela amiga que adora você "Sem perceber, você se apaixonará outra vez. É questão de tempo (e distração)". Então você se pergunta "Por que diabos vou querer cair numa cilada de novo?". Então, você fica atenta. Muita atenta. Quase psicoticamente atenta para não cair num bueiro, digo, num buraco negro.

Por que é preciso inventar? Porque se você olhar bem ao seu redor saberá que se você pensasse racionalmente evitaria buscar a paixão. Há sempre histórias lamuriosas de traições às véspera do ano novo e por que você não faria o papel principal algum dia? Você está disponível ao inferno quando metida numa paixonite aguda.

É preciso inventar, recortar corações em torno de suas fotografias. Inventar a paixão toda. Torná-lo infinitamente incrível por lentes azuis. As mesmas lentes que ficarão quebradas daqui a um tempo, quando você perceber que construiu alguém que não existia. Então, para se apaixonar, apenas invente alguém fantástico que preencha todos os espaços vazios da sua alma. Invente orgasmos únicos, nunca jamais sentidos. Invente e se apaixone.

E por que é preciso estar desocupada? Porque é preciso conhecer gente, mesmo que distraidamente. Nada de recusar convites no MSN de homens desconhecidos. Nada de recusar ir a festas com solteiros de toda sorte. Nada de ficar fins de semana lendo livros sem grandes méritos. O certo é sorrir para alguns desconhecidos, usar seu melhor batom e vestido na mesma linha. Então, por um acaso forçado do destino, aparecerá alguém para você se apaixonar.

E quando estiver apaixonada, você não saberá ao certo quem é o culpado. Talvez a sua distração, a sua desocupação ou toda a invenção. O culpado estará longe de ser os belos olhos violeta do digi-escolhido.

Apaixonar-se não é para qualquer um, apaixonar-se exige muito de quem se apaixona. Exige-se coragem principalmente. Não são todos que estarão dispostos a olhar de vez em quando para o inferno enquanto escreve dias inesquecíveis com o objeto da paixão. Por isso, a paixão pertence aos fortes e não a pessoas como eu... Centradas demais nos seus sapatos numa festa em que todos riem e acenam. Munidas de um escudo e offline.


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Postado por Sarita às 14:06
 

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