quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Melhor não desejar


Se quero que um desejo meu seja atendido prontamente, melhor não pedi-lo. O mais sensato é fingir desdém, esnobá-lo. Mas, jamais, eu disse JAMAIS, apertar os olhos antes de dormir e dizer "Deus, por favor, faça com que Zezinho volte para mim". Deus sempre dá um jeito de anotar o meu pedido num de seus post-its e deixá-lo para ler num dia de tédio. E o dia de tédio sempre demora a vir, então quando eu não mais preciso daquele desejo... Deus o atende! Ele o atende com um sorriso sarcástico na cara e diz entre-dentes: "Não disse que queria: TOMA!". Então eu tomo, mas é no fiofó.

Explico, aos 17 anos eu ensaiava num dos poucos teatros da minha cidade. Lá conheci um cara da minha idade e com o biotipo muito semelhante ao meu. E não demorou muito para que fizéssemos sempre os casais. Estávamos juntos, fazíamos o relaxamento juntos, protagonizávamos beijos e, de repente, num sábado à noite depois de uma apresentação estávamos nos beijando fora do palco. O que pode ser normal, natural, se ele não tivesse trejeitos femininos. Mas eu sempre pensava com meus botões: Ok, Zin, ele só é sensível demais por ser ator. Solamente. O namorinho seguia meio esquisito, ele me evitava na hora de "ir para cama". No dia que o levei em casa (eu morava com uns 6 estudantes) todos riram quando durante o jantar ele protagonizou uns trejeitos nada másculos e gritou "Me sujei toda todo!". Virei chacota. Estava namorando Uma Mulher. Mesmo com toda essa pressão, eu me envolvi. E, olha, eu sou tipo que 90% do relacionamento é sexo e, sabe, "isso" não era nosso ponto forte. A verdade é que eu ficava meio que na cola dele, forçando a barra. E ele não queria. Mesmo. Eu sofri. Fiquei no pé. Ligava pra ele perguntando "Qualé", nunca fui tão macho em toda minha vida. Eu já nem sabia se namorávamos e foi quando apareceu a "terceira pessoa" para acabar com aquele fricote. A terceira pessoa ia todo dia me ver, levava seus cds para me emprestar, era atencioso e MÁSCULO! Acabei obviamente deixando a namorada o namorado pra lá. Foi quando um sábado à noite eu estava terminando de apertar o cinto na minha calça que era 4 números a mais que o meu quando o atual diz: Tem um sujeito com uma voz muito estranha no telefone. Fui lá e era ela ele, que disse algo como: Preciso de você. Descobri que te amo. Amo muito. Fiz uma cara estranha que ia do pânico à graça. E disse, não foi num tom de vitória ou vingança: Agora não dá mais. O meu atual pegou o telefone da mão e disse algumas coisas bem cruéis para o sujeito que me ligou várias outras vezes, jurando amor e sexo eternos. Não deu.

Continuando: Desde os 11 anos o meu ídolo era o Renato Russo e eu tinha um desejo ignóbil de morar em Brasília. Eu pensava muito em Brasília, sobre os shows alternativos, sobre a modernidade etc. Fantasiava uma coisa surreal. No ano do vestibular fiz 2 provas. Para minha cidade e pra Brasília. Não pretendia nem tentar pra minha cidade, mas depois de muita insistência e pensando em transferir caso não passasse em Brasília: Fiz. Acabei ficando na minha cidade, mas com a promessa de ir a Brasília logo depois. E fui. Moro aqui e o que mais quero na vida é voltar a morar na minha cidade. Acho Brasília atrasada, totalmente burguesa e não-musical. Mas eu não queria? Deus me deu.

Claro que há uma infinidade de episódios que posso relatar aqui, onde eu pedi algo que foi atendido na época inapropriada. Acho que o correto é pedir para ser feliz. E não dar nomes aos bois. Nada de dizer "Quero um emprego tal na empresa tal", corro o risco de assumir o cargo quando a empresa estiver falida! E nada de dizer "Quero ser a namorada de fulano de tal" porque obviamente na época que ele me quiser eu terei um asco incontrolável por ele.

Melhor não desejar. O melhor é dizer a Deus "Sabe, eu adoro quando as coisas dão erradas" e dar piscadelas frenéticas olhando para o céu.

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Postado por Sarita às 00:07

19 comentários:

Mel disse...

Muito esclarecedor, Zin!
Suspeito que uma amiga minha esteja namorando um cara gay e eu ficava aqui matutando como poderia ser possível...

Laura on 2 de setembro de 2010 07:21 disse...

Pessimismo pouco é bobagem! xD

Bem engraçado teu post.

Bjos

Renata on 2 de setembro de 2010 09:48 disse...

Sempre que leio seus posts fico na dúvida se não fui eu mesma que escrevi! hahahah

mt bom! já cheguei também a essa conclusão. uma vez, na adolescência, vi um filme que alguém repetia freneticamente "be carefull with what you wish" e aí adotei pra minha vida.

;)

Thiara Ney on 2 de setembro de 2010 10:17 disse...

Zin, vc é demais. Ri muuuito!
=)
Bjos!

Isadhora on 2 de setembro de 2010 10:37 disse...

Hahhahahahahaha
Adorei!
E confesso que ja passei por situaçao do tipo "ficar com um carinha, e quando a paixonite acabou eu percebi que ele só podia ser mulher"

Affff....

http://isadhoracamacho.blogspot.com/

paula on 2 de setembro de 2010 11:02 disse...

Zin, posso garantir uma coisa para você: com certeza Murphy é seu padrinho. e ele deve ser o culpado por todas essas desventuras. ele adora nos conceder coisas em horas erradas. constuma chegar atrasado, ou muito cedo. mas nunca é pontual.

sei disso porque acontece muito comigo. no meu caso, foi o amor da minha vida, que ressurgiu como fênix, 20 dias antes do meu casamento...

mas tudo passa, não é? tenho o costume de não pedir, mas agradecer como já tivesse. assim acho que confundo Murphy um pouco e ele fica sem saber se já me atrapalhou ou não...

adorei o seu texto, como sempre! e espero que vc já tenha melhorado!!

=)

Rajhanah on 2 de setembro de 2010 11:41 disse...

Adoro esse blog XD

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Post muito bom e concordo com vc, as vezes é melhor não desejar diretamente alguma coisa... Sempre pode dar errado Oo'

Cris Soleitão on 2 de setembro de 2010 11:47 disse...

Murphy já tá virando uma divindade tal e qual os próprios deuses gregos, hauahua... Dava até um conto de fantasia!

Enfim... essa desgraça me persegue também... E também tenho o lema de "tome cuidado com oq vc deseja". Mas nunca tive esse problema de 'atraso' nos pedidos.
O que me aconteceu foi que eu desejei uma coisa MUITO estúpida quando tinha 13 anos [criança é totalmente sem noção, né]. Só que, pelo visto, o pedido foi tão forte que continua sendo realizado até hoje... mas, obviamente, EU NÃO QUERO MAIS.
Parece uma maldição me perseguindo... afff...

Eu também desejei muito entrar numa facul pública e quando entrei me arrependi amargamente...

Sobre o namorado gay, eu vi esses dias um livrinho na Americanas sobre isso, mas nem dei bola... o título devia ser alguma coisa como "descubra se seu príncipe não é uma cinderela", ou qualquer coisa do tipo.

Enfim... fazer o que, né?
Boa sorte a nós todas!!!

Tati disse...

Eu desejei muito uma viagem, aqueles lugares que vc vê em filme e pensa um dia "EU VOU". Enfim fui sozinha e odiei, como a grana tava curta não levei minha filha e descobri que sem ela qq lugar é menos colorido.

Momento cut-cut.

Ana Vicente on 2 de setembro de 2010 14:10 disse...

Uma vez vi um programa de humor que diz que quando vc pede alguma coisa deve informar dados completos como sobrenome, RG e CPF não esquecendo a data que você quer que aconteça.
Pra mim funciona!!!
Bjs

Amanda... on 2 de setembro de 2010 16:20 disse...

Lindo!

Lu Dantas on 2 de setembro de 2010 19:08 disse...

Parece lugar comum quando eu digo que temos histórias parecidas..rs..lembrei de um episódio engraçado. Estava linda num show do U2 em Dublin quando olho para o lado e vejo um moreno lindooo..pensei logo: nossa! vou dar mole p ele..todas as minhas amigas acharam a roupa dele estranha, mas lembrei que ele era europeu e as combinações tem muitas possibilidades..eu comecei a cantar empolgada e ele tb..o show era da turnê do CD "No line on the horizon"..num momento, eis que ele vira e dá um sorrisinho encolhendo os ombros, sabe? e depois vimos um senhor logo atrás dele..tudo indicava! não acreditei! não era nada explícito, mas estava na cara..é claro que não dei o braço a torcer e continuei dizendo que era não era gay, não era gay e tentando, mas nada...rs..até hoje me perturbam com isso..

Adoro suas histórias!

Beijocas

Jane Murback on 2 de setembro de 2010 22:22 disse...

Zingara, também sou a favor de pedir coisas genericamente, porque se a gente pede em detalhes, como vamos reclamar no SAC depois?
Bjos

Anônimo disse...

Ai gente! Estava num forró pé de serra, no quintal da casa de uma amigo na favela que passa ao lado do riacho buraco fundo, que aliás tem esse nome pq nem rio é; na verdade era um buraco que transbordou e deixaram assim. Continuando, estava lá eu dançando sozinha, pq aqui tb há falta de maxus qdo me viro p/ lado e vejo uma criatura belérrima, penso cá com meu ziper, deve estar perdido. Lindo e no buraco quente, ops, fundo? Ou tá perdido ou é doido; na dúvida dancei juntinho dele praticamente como uma marionete louca p/ ser notada. Após berrar várias músicas no ouvido do miserável foi que percebi que por trás dele havia um senhor purpurinado me olhando torto. Ah sim, a banda era aquela famosa, aquela que tocou num show com mais de 30 pessoas sem levar uma vaia! Passou até na tv comunitária! Sucesso total e absoluto! O nome do cd eu não lembro, acho que é pq ainda não lançaram nenhum. Mas ate hoje meus amigos geneticamente modificados me perturbam com isso!

Sou eu, porra disse...

Eu sofro com isso... estou no emprego que eu pedi tanto, casado com a mulher que pedi tanto...

Droga. Não posso alterar o pedido?

Flor de Lis disse...

kkkkkkkkkk adoro esse blog e adoro mais ainda ler os comentários; rachei o bico da ironia da anonima dançando na favela, parodiando a menina do U2 em Dublin e tal... era ironia, né?!? Ou será que pirei na batatinha? rsrs Anônima por favor, volte e me tire essa dúvida cruel.

maiara diniz. on 4 de setembro de 2010 11:13 disse...

Eu simplesmente adorei esse texto! udhasdhauhdsa.
Isso não acontece só contigo, se isso serve de consolo. É triste, mas é a realidade, acho que Deus tem uma espécie de problema com o presente, deixa tudo pra depois, mas isso deve servir para nos ensinar algo, obviamente ;)
Ótimo feriadão! Beijos

taliiiiiita! disse...

KKKKKKK ri muito Zin,como sempre escrevendo textos maravilhosos. :D
Abraço.

Bárbara Marinho on 13 de setembro de 2010 17:00 disse...

Putz...falamos a mesma língua purinho!!!!!
Desejei um namorado sério, respeitador e que um dia quisesse formar uma família.
O cara apareceu. E agora estou num momento puramente "eu", onde quero viajar, beijar na boca e ser feliz sem dar satisfações a ninguém!
E o pior, gosto dele, são quase 5 anos juntos e ao mesmo tempo encontrei um outro alguém que vibra na mesma frequência que eu!!!!!!O meu medo é abrir mao do atual e depois me arrepender...vai entender!!!!Adoro o blog!!!!!

 

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