domingo, 15 de agosto de 2010

Cabelos longos, cérebro curto!

Gente, comecei uma matéria esse semestre na faculdade sobre as origens do “feminismo” e a discriminação da mulher histórica e socialmente. Já lendo o primeiro texto senti vontade de comentar aqui com vocês e vou transcrevê-lo em partes. Acho um tema muito interessante e uma discussão muito válida, então, vamos botar os bofes críticos pra fora, ler e comentar!




Trechos seguintes retirados do artigo:

“Para a história conceitual da discriminação da mulher”

– Marisa Lopes*

“Será justo, então, o réu Fernando Cortez, primário, trabalhador, sofrer pena enorme e ter a vida estragada por causa de um fato sem conseqüências, oriundo de uma falsa virgem? Afinal de contas, esta vítima, amorosa com outros rapazes, vai continuar a sê-lo. Com Cortez, assediou-o até se entregar. E o que em retribuição lhe fez Cortez? Uma cortesia...” (Pimentel, S.)

É difícil acreditar que a vítima tenha se sentido honrada com semelhante cortesia. Nem ela, nem as muitas mulheres que se tornam duplamente vítimas ao serem expostas a afrontosas decisões judiciais sobre crimes de estupro. (...) “O crime de estupro era [por que não, é?] o único no mundo em que a vítima é acusada e considerada culpada da violência praticada contra ela”. (Pimentel, S.)

O recente caso Geyse, estudante da Uniban, confirma o diagnóstico: agindo por meio do terror, a turba pseudo-universitária brada contra a estudante palavras que soariam bem aos ouvidos dos velhos insquisidores. (...)

Fanatismo (praticado por machos) capaz de produzir estultices como as que escreveu Moebius (1853 – 1907), médico e psiquiatra alemão. O livro de Moebius, Inferioridade da mulher: a deficiência mental fisiológica da mulher, que passo a expor, parte da constatação de que as faculdades intelectuais do homem e da mulher são muito diferentes. Diferença essa que pode ser relativa e, neste caso, as mulheres teriam maior capacidade para uma coisa e os homens para outra, ou absoluta, as mulheres são em sim mesmas deficientes em relação aos homens. A “sabedoria” proverbial – cabelos longos, cérebro curto – fornece compreender claramente o estado intelectual da mulher e o valor de sua deficiência intelectual para que pusessem em ação todo o seu poder para combater, em favor da humanidade, as tendências contranaturais dos/das feministas.

Trata-se então de apresentar as “provas científicas” que fundamentam suas, no plural, deficiências. Em primeiro lugar, existe uma deficiência anatômica na mulher, um retardo, diz o autor, no desenvolvimento da circunvolução do lóbulo frontal e temporal, semelhante, aliás, à encontrada nos homens pouco desenvolvidos, como os negros.



A necessidade de cuidar dos filhos é a causa da diferença entre os sexos. A eterna sabedoria não pôs ao lado do homem outro homem provido de útero [tudo indica que o autor lamente], mas outorgou à mulher de que necessita para o melhor desempenho de seus nobilíssimos deveres, embora não lhe tenha outorgado a energia mental do homem. Se se quer que ela cumpra bem seus deveres maternais, é necessário que não possua cérebro masculino, caso contrário veríamos atrofiarem os órgãos maternos. A mulher deve ser, antes de tudo, mãe amorosa e abnegada, como exige a natureza. (...) A energia e as aspirações por novos horizontes, a fantasia e a ânsia por conhecimentos novos se serviriam apenas para fazer a mulher inquieta e transtornar seus deveres maternais. (...) Ademais, quanto mais se propaga a civilização, menos se procria.

Do ponto de vista do comportamento, seu instinto a torna parecida com as bestas. Característico disso é a sua falta de opinião, a faculdade para saber diferenciar por si mesma o bem e o mal, no que depende, para isso, de uma influência extrínseca. As mulheres são rígidas, conservadoras e odeiam a novidade, a não ser nos casos em que o novo lhes traga vantagem pessoal ou quando essa novidade agrada a um amante. A lei, portanto, deve considerar a deficiência mental fisiológica da mulher e não julgá-la como a um homem. A sua incapacidade para dominar as tempestades afetivas e a falta de sentido da equidade provam que é uma grande injustiça julgar ambos os sexos igualmente.

Sua moral é a moral do sentimento, ou seja, uma inconsciente retidão. Sua coragem deve servir para defender sua prole, pois exercer esse valor em outras ocasiões só a molesta. Justiça para elas é um conceito vazio e sem sentido.

Sem escrúpulos, pode-se afirmar que a natureza deu preferência ao homem e tem demonstrado querer formar dele um tipo mais perfeito pelo fato de fazê-lo se desenvolver mais tarde do que a mulher, predileção que é evidente na medida em que permite ao homem conservar as faculdades adquiriras até o fim de sua vida. (...) Sua ampla escravidão seria a causa de sua mente ter atrofiado.

Por isso, “[...] devemos esperar toda a saúde unicamente da sabedoria do homem, pelo menos até o ponto que a intervenção humana pode alcançar; isto é, que o homem deverá dizer clara e terminantemente à mulher que não quer saber nada de liberdade incondicional. E se o homem o faz seriamente, terminará de uma vez por todas o movimento feminista”. (Moebius) Sabemos que, não tanto tempo depois, idéias como as de Moebius se tornaram dominantes na Alemanha nazista, aquela do tipo K: Kirche, Kuche, Kinder.

Deficiente, inferior, incapaz, enferma: todos esses qualificativos associados à mulher não são o produto de um delírio individual, mas de um ratio masculinizante estruturante de uma antropologia e de uma cultura que concebe a mulher como um ser inacabado e imperfeito, naturalmente inferior ao homem e incapaz para a vida social e política.

*(Prof. do Departamento de Filosofia da UfSCar)

(...)




Bom, o texto continua falando das idéias sobre a incapacidade da mulher em Aristóteles, que foram as que mais prevaleceram, dentre as idéias “feministas” de outros filósofos, e que forneceram o referencial teórico para essa tendência misógina. Não consegui achar o texto na íntegra na internet, então resolvi parar por aqui para não ficar muito longo, mas acho que só as idéias desse Dr. Moebius já despertaram revolta em muita gente (espero!) e já dão bastante pano pra manga.

Resolvi não comentar para não estender o post ainda mais, vou deixar os comentários para a próxima semana!

E aí, o que vocês acham de tudo isso?!


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Postado por Thaís Prado às 21:00

8 comentários:

Vitor on 15 de agosto de 2010 22:27 disse...

Eu me pergunto quando que começou essa merda toda.
Cultura e sistema de regras são uma bola de neve que vai passando de geração em geração como um telefone sem fio. E que depois de 10 anos as regras passadas já não tem, nem de longe, a mesma lógica do momento em que as regras culturais foram criadas.

Boa parte dos tabus do sexo começaram por causa do problema em engravidar cedo. Pudores, regras, virgindade em casamento, bla bla bla. Faz sentido muitas delas terem começado pelo temor de uma gravidez sem preparo. E hoje, algumas delas não fazerm sentido nenhum.

Agora, de onde vem toda essas merda de inferiorizar a mulher?
Gosto de imaginar que os homens se sentiam ameaçados por elas e tiveram que fazer o uso da força física para dominar.


Mas tem uma parcela em especial do machismo que eu gostaria de discutir com algumas de vocês do blog. Se alguem tiver afim, me adiciona aí vitor_alfa@hotmail.com

rayssa gon on 15 de agosto de 2010 23:20 disse...

muito interessante o trecho. e eu acho valido tentar voltar às origens do machismo.

mas seria ainda mais interessante olhar pro machismo de hj. poucos levam a serio moebius e esse tipo de ideia.
mas isso não significa que o machismo ainda hj não exista. entende?

Andréia Freire on 16 de agosto de 2010 05:16 disse...

Olhar o machismo ao longo da história é importante pra compreender o machismo que ainda existe. Mas fora isso, acho que não tem muita utilidade discutir o que um filósofo disse há mais de 100 anos. O mundo mudou DRASTICAMENTE em relação aquela época. Nem tem utilidade morrer de raiva com tanta baboseira (embora seja difícil), pois sabemos que quando se cresce numa determinada cultura é difícil enxergar além dela, ainda mais naquele tempo que o mundo não era globalizado como hoje.

Algumas coisas persistem, como o pensamento de alguns de que uma mulher só será completa se optar pela marternidade. Para alguns ela não é opção, é um dever. Mas em geral essas idéias já foram abandonadas, restanto muito machismo, mas de forma mais sutil do que antigamente.

Tipo, quando alguém diz que tem marido, filhos e casa pra cuidar e por isso tme pouco tempo. Isso é machismo, sutil para alguns. Por que nunca se fala que o homem tem filhos, esposa e casa pra cuidar? Um exemplo claro de machismo.

tatá disse...

nossa literalmente, quando os cabelos estão feios ou desarrumados acaba o meu humor!! a auto-estima vai pro brejo rsrs.
em compensação quando volto do salão parece até q estou mais leve,mais bonita,e o céu mais azul. o ruim é que os bolsos ficam leves também hehe

Anônimo disse...

Eu achei REVOLTANTE, como assim "deficientes, incapazes, inferiores"? Hoje a maioria das casas são sustentadas por mulheres. Somos muito mais capazes do que eles podem imaginar, ser mãe, dona de casa, trabalhar fora, cozinhar, e tudo mais que nós fazemos ao mesmo tempo? Não é pra qualquer homem não (não desvalorizando os homens).
Só acho um absurdo esse machismo! E pior que esse tipo de comportamento ainda é encontrado atualmente.
Fora a esse machismo absurdoooo!

beijo

Cris Soleitão on 17 de agosto de 2010 01:00 disse...

Eu parei de ler na metade, tanto que me irritou, rs.

Se eu tivesse fazendo essa matéria ia sofrer pra ler a bibliografia indicada.

Todas essas 'teorias' pseudo-biológicas e pseudo-psicológicas - a meu ver - não passam de uma desculpa.
Como bem disseram aí em cima, os dias de hoje ninguém levaria isso à sério, o que não significa que diminua o machismo. Desculpas sempre surgirão para adaptar-se ao momento, à realidade atual.

Mas acho que há pontos discutíveis. Acho que tudo é relativo.
Nem o homem e nem a mulher é sempre vítima ou vilão. Para se julgar QUALQUER caso é preciso analisar as reais circunstâncias do acontecimento - embora nem sempre seja possível.

Jacquelline on 1 de setembro de 2010 09:40 disse...

RÍDICULO!

Já começa errado pelo fato de alguém de quem se espera um mínimo de bom senso generalizar um tema de tal forma.

Se essa escrita foi baseada em pesquisa, foi em uma muito mal feita, pois claramente não é isso que vemos diariamente.

Thaís Prado on 4 de setembro de 2010 12:37 disse...

Jacquelline, o tema não foi generalizado. Esse é um artigo filosófico atual sobre a HISTÓRIA (origens) da discriminação da mulher. Eu apenas separei alguns pontos expressivos. Como já disse o artigo não está disponível na internet, portanto não tenho como recomendá-lo.
Esses são os primeiros parágrafos do raciocíonio da filósofa, como o restante (explicação da origem em Aristóteles) achei que seria pouco 'popular' para um blog, coloquei apenas a introdução do pensamento da autora e dei a vocês o espaço para pensarem no assunto, mais filosoficamente, mais socialmente, ignorá-lo, como preferir.

 

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