sexta-feira, 23 de julho de 2010

Meu Melhor Amigo OU Sexo fode com tudo

Eu o conheci aos 15 anos, quando ele tinha a barriga cuidadosamente polida pela capoeira. Aos 16 anos de idade, ele acabara de chegar ao Nordeste e lutava para se acostumar ao úmido litoral quente. Tinha roupas de flanela que não eram mais adequadas no seu novo lar, mas insistia em pôr uma e outra enquanto borbulhava pelos poros de calor. Ele era misterioso e apaixonante, com uma falha certeira na sobrancelha. Escrevia, desenhava bem e conseguia me deixar furiosa instigada com suas discussões. Tudo começara quando discutíamos INDIVIDUALIDADE. Ele acreditava que existia, eu não. Mas depois de meses andando em círculos, descobrimos que ele falava do termo filosoficamente. Eu, sociologicamente. E, claro, não iríamos chegar em ponto nenhum.

Eu me apaixonei perdidamente, enquanto ele fazia sexo com uma de nossas colegas e galanteava todas as garotas da minha turma. Ia me buscar sempre depois das aulas para escrevermos, ou lermos o que cada um tinha escrito. Ele me mostrava seus desenhos e eu escondia meus sentimentos. Depois lhe mostrei o seio esquerdo numa de nossas bebedeiras adolescentes. Ele me ensinou muito cedo que os homens são covardes com as palavras. Por que ele nunca disse simplesmente "eu não vou te comer" ao invés de ficar ao meu lado todos os dias da minha adolescência torturante?

Nas férias, o ritmo de nos encontrarmos depois das aulas foi extinto. E eu decidi que precisava esquecê-lo. Foi aí que comecei o meu primeiro relacionamento fixo. Não tínhamos assunto, meu namorado escrevia mal, nem sabia desenhar. Não era fascinante, mas todas as minhas amigas babavam ao vê-lo. Ele chamava atenção e eu pensava em sexo quando estava com ele. Era bem legal. O meu amigo brasiliense veio falar comigo e eu quase pude notar a putez por trás daqueles olhos castanhos, dizendo: Que tipo de cara é esse que você está ficando?

Ao invés de 1. Ele me pedir para ficar com ele e largar o namorado ou 2. Me pedir em casamento, ele se afastou de mim. Aliás nesses 15 anos de amizade, já me acostumei a essa conduta. Se estou tendo uma vida sexualmente ativa ele me abandona. Só sou sua amiga quando estou frígida. É assim, foi assim. Quando engravidei não nos falávamos, quando estive com o namorado x, y ou z ele me ignorava. Nunca pude contar-lhe "Estou feliz, ando fazendo sexo quase todo dia", ele nunca esteve lá para ouvir.

Me mudei para sua cidade, Brasília, e ele continuou na minha. Depois de vários anos ele me reencontrou na internet, numa dessas redes sociais - E olha que de social ele não tem nada. Para relembrar os velhos tempos, ele me mostrou seu pau na webcam. Foi divertido, rimos. Éramos como Fred e Wilma, Popeye e Olívia, mas sem sexo. Ele veio a Brasília logo a seguir, circulamos pela cidade sem ter para onde ir. Eu dirigia e o observava, ele tinha agora uma protuberante barriga de cerveja e usava roupas mais adequadas. Estávamos bem próximo dos 30 anos, mas continuávamos afiados em nossa cumplicidade.

Há meses atrás fui à sua cidade, quer dizer, à MINHA cidade - Ele que está enfiada nela e eu na dele. E bebemos, conversamos, brigamos, andamos, lemos, escrevemos e eu tive vontade, com os olhos lacrimejantes, de dizer "Eu te amo, você sabe, não é?". Mas tudo que fiz foi acenar antes de fechar o portão. Toda vez que penso nele, eu quase choro, mas aí lembro de rir. Quase dou uma gargalhada ao lembrar de suas provocações. De como critica sempre meus sapatos: Por que você não pode usar sapatos normais como as pessoas normais? Ou se apareço chorosa por algum fato dolorosamente doloroso, lá está ele dando seu apoio morTal: Porra, eu acho é pouco. Quem mandou (insira aqui algo que eu fiz)? ou, ainda, Você é macho ou não é? Engole o choro, porra! Reviro os olhos e ele abre a boca para mostrar os seus dentes perfeitos. A gente ri e tudo parece pateticamente patético.

Nesses últimos anos ele desenvolveu o péssimo hábito de dar em cima de mim todos os dias da sua vida, somente para ver as minhas faces rubras e as mãos inquietantes. Ainda comenta comigo sobre a bunda ou seios das minhas amigas. E quando eu reclamo, ele diz "Também adoro seus seios, mas você não me deixa pôr as mãos, o que adianta?". Vamos fazer nossa primeira viagem juntos nos nossos 30 e 31 anos. E eu estou verdadeiramente feliz com essa possibilidade.

O fato de amá-lo há 15 anos é tão somente porque nunca fizemos sexo. Trepar com ele foderia a nossa amizade (por mais que essa frase seja de uma contradição galopante).





* Mandem-me cartinhas: zingara@corporativismofeminino.com
* Texto era para ser publicado no dia dos amigos (último dia 20), mas é férias do meu filho e eu estive viajando.

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Postado por Sarita às 12:00

27 comentários:

Sil Faria on 23 de julho de 2010 12:29 disse...

Quase chorei com a história.. e acho que toda garota já teve um amor assim.. tá! Talvez não tão longooo assim, mas amor é amor, não é!?
Adorei..o post!!
Bjss =)

Deja disse...

Eu amo minha melhor amiga, é alguém com quem faria sexo, ficaria junto... mas prefiro tê-la pra sempre como amiga, do que por alguns anos em um relacionamento que iria se desgastar, perder a fantasia, o encanto e terminar com um odiando o outro e trocando culpas pela perda da amizade. :)

Com outras amigas, eu conseguiria fazer sexo casual sem implicar em um relacionamento e, ainda manter a amizade.

Eu não separo o amor, se ainda existir atração física pelos dotes da outra pessoa, daí não há limites em amizade x amor homem/mulher.

Thiara Ney on 23 de julho de 2010 12:38 disse...

Concordo com a Sil e tenho certeza que toda garota tem um amor assim. Se nào é amor, ao menos tem um amigo assim, dos que a gente sabe que sexo foderia com a amizade.
Boa sorte na viagem, e se rolar, que seja bom, haha.
=D
Bjos!

paula on 23 de julho de 2010 13:19 disse...

putz... acho que o que "fode" o meu namoro é que eu sou amiga demais do meu namorado, e o meu namoro começou porque eu fiz sexo com o meu amigo... então eu não sei até que ponto os fatos são intrínsecos, ou o que veio primeiro... o que eu sei é que eu conheci o meu namorado de hoje quando eu tinha 15 anos. ele só me achava gostosa e eu só achava ele bonito; depois que a gente conversou de verdade, passei a achá-lo legal e ele também viu que eu tinha conteúdo "interior", rs. só que ele era muito galinha... ficamos enrolados um tempo, mas desisti de ser a outra, a segunda, a terceira... namorei, casei, enfim, fiquei 10 anos sem vê-lo (mas confesso que nunca esqueci dele completamente). em 2007 nos reencontramos e primeiro a amizade reacendeu. eu havia recém-terminado meu casamento e ele ensaiando para terminar um namoro. e da amizade, voltou a paixão. estamos juntos desde então. só que, por conta da amizade, sabemos os podres um do outro... então de vez em quando rola stress: alguém joga na cara o que sabe do passado... mas é bom fazer sexo com amigo, ainda mais quando o amigo vira namorado.

boa viagem
=*

Cris Soleitão on 23 de julho de 2010 14:38 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

acho que ja estive nessa situação, a diferença eh q não fudeu a nossa amizade.

Com a gente era justamente o contrario, ela se distanciava qnd n estava frigida, btw, ela está distante agora.

A primeira vez foi horrivel, pra não dizer q nem considero uma primeira vez. A segunda vez estava ótimo, até que nos tocamos (ambos) da merda que estavamos fazendo e paramos.

Com a experiência, comecei a achar que o pensamento ”nao diga que tem verdadeira amizade sem antes ter sido amante”(ou algo assim) faz sentido, claro que há suas, não raras, exceções.

Enfim, amigo é amigo e é possível sim amizade entre homem e mulher.

Alice disse...

Exatamente hoje eu passo por uma situação parecida.


Eu me apaixonei pelo meu melhor amigo, ele por mim. Ficamos. Começamos a namorar. Rolou sexo (o primeiro, o que deve piorar as coisas). Agora nosso relacionamento está com um "Q" (maiúsculo, mesmo, que é pra expressar o tamanho dele) de estranheza e o que eu mais tenho medo não é o fim (apesar de ainda sentir por ele o mesmo sentimento além do de amizade que eu tinha há 3 anos atrás) mas sim de perder meu cúmplice.

Uma merda. Não sei se foi o sexo, o relacionamento todo, mas a sensação de "puta que pariu, o que fazer pra não foder com tudo?" é imensa.

Mode desabafo: off.
Hahahaha.

Giuliana on 23 de julho de 2010 22:11 disse...

Achei simplesmente um horror, isso não pode significar uma amizade. Com meus amigos homens sempre rola essa atração ou um amor vindo da minha parte mas NUNCA me mostraram o pênis pela web cam. Imagino o jeito que tu deve te comportar perto dele...Tenso!

Bel on 24 de julho de 2010 00:05 disse...

Minha mente insana está tentando criar explicações para as atitudes do seu amigo até agora, hahaha

1 - tinha um sentimento fraterno de pai/irmão por você. E daqueles que não querem aceitar q a filha/irmã transa.

2 - tinha uma paixão recolhida, por algum motivo nunca quis se declarar, sei lá!


São muitas possibilidades! rs

Érica Dourado on 24 de julho de 2010 00:10 disse...

Dava um livro.

Deja disse...

"tinha um sentimento fraterno de pai/irmão por você"

E agora ele ficou incestuoso!:)

B. Marinho on 24 de julho de 2010 17:51 disse...

É tudo muito complicado mesmo. Em minhas amizades, quase sempre rolava esse sentimento de "tem alguém confundindo as coisas", mas hoje, a situação é diferente.
Conheci um carinha muito bacana, engraçado, fofo, enfim, minha predição!!!Começamos uma amizade e tudo ia pro caminho da maldade (ô delícia!), ficamos, transamos e só!
Depois daquela noite, tudo mudou, e ao contrário do que eu imaginava, ele se tornou meu amigo;
Eu queria um "replay", por que afinal, acho que a ansiedade estragou um pouco o clima, e o bom andamento da noite...mas não sei como "dar" a deixa pra ele entender o que sinto, e principalmente desejo!!!

Renata on 24 de julho de 2010 19:45 disse...

aiiin... fiquei ansiosa pra saber o desfecho da viagem! ;)

Paulo César Nascimento on 25 de julho de 2010 10:56 disse...

Zin, esse cara quer vc, mas acha q vc o vê como amigo. Vc escondeu seus sentimentos bem demais. Essas histórias de mostrar seio esquerdo, mostrar pau e cantar de mentirinha não acontecem em amor fraterno, mas em amor medroso. Transe com o rapaz e seja feliz. Bjs

Lu Dantas on 25 de julho de 2010 12:47 disse...

Oi, Zin.

Acho que falta o sinal que ele possa realmente enxergar. No fundo, essa pode ser a mesma preocupação dele. A primeira viagem juntos será a chance para isso. Aproveita! Suave e firme, vai atrás do que vc quer. Não acho que o sexto estragaria a amizade. Se descobrirem que são apenas amigos, ok! Já conhecerá um pouco mais sobre ele..rs

Bjs

Lu Dantas on 25 de julho de 2010 12:47 disse...

Oi, Zin.

Acho que falta o sinal que ele possa realmente enxergar. No fundo, essa pode ser a mesma preocupação dele. A primeira viagem juntos será a chance para isso. Aproveita! Suave e firme, vai atrás do que vc quer. Não acho que o sexto estragaria a amizade. Se descobrirem que são apenas amigos, ok! Já conhecerá um pouco mais sobre ele..rs

Bjs

Lu Dantas on 25 de julho de 2010 12:57 disse...

Oi, Zin.

Sabe que eu acho que ele sente e pensa em vc. Sabe que acho que ele fica com medo de não ser correspondido no mínimo desejo que for. Os homens não são tão intuitivos como nós. Não conseguem, muitas vezes, ler nas entrelinhas o que queremos. Essa viagem será uma boa oportunidade. Se forem só os dois, melhor. Já firme, mas suave, entende?

Não acho que o sexo vai atrapalhar a amizade. No mínimo, vc vai conhecer um pouco mais sobre ele..rsrs..

Sorte. Vá em frente. Enfrente tb! Rs

Bjs

Ana Vicente on 25 de julho de 2010 22:35 disse...

Zin, só atrapalhará a amizade se o sexo for ruim....
Mas como sexo mesmo quando é ruim é bom...manda bala!!!
Mata a curiosidade.
Bjs

Vida Imaginária on 25 de julho de 2010 23:15 disse...

Olá, lendo seu texto, lembrei de uma amizade que tenho, q se iniciou em 1997... mas passou de amizade, fizemos sexo por muito tempo, mudei de cidade para estudar mas continuava fazendo sexo com ele quando vinha para casa, mas depois arrumei um namorado sério e paramos de ter contatos sexuais. Quando terminei com este namorado, inventamos de reatar nosso lance sexual, mas não estavamos na mesma sintonia. A amizade continua, graças a Deus, mas sexo não tem mais sentido para nossos corpos. Revivi muita coisa lendo este texto. Amei...

thainara gouveia on 26 de julho de 2010 03:27 disse...

Eu tambem acho que vc escondeu esse sentimento muito bem. Se vc definiu só amizade, ele fará o mesmo. Mais quero saber o desfecho tambem. Boa sorte, zin.
=*

Mônica.Salmazo on 26 de julho de 2010 09:53 disse...

AMEI

Amanda A Palhares on 30 de julho de 2010 15:40 disse...

MENIIIIINNNAAAA DO CÉU O QUE É ISSO.
Q extremamente comovente, que coisa mais "linda".
Chorei de "inveja" desse seu amigo "jacob".
Seguindo e ta linkada adorei!!
bjoos

francineide disse...

adorei sua historia tenho uma parecida com a sua mais quero que ela vá em frente com sexo e tudo mais eu e ele estamos afim um do outro mais ainda não tivemos coragem de assumir

Bobry on 10 de dezembro de 2010 14:13 disse...

cara autora, percebi que todo mundo usa o blog alheio para divulgar o seu próprio. Desavergonhadamente, estou fazendo o mesmo. Aproveito a oportunidade por parabenizar pelas postagens. E e perdoe a leviandade.
bjs.
http://porquecontinuamoscasadas.blogspot.com/

Anônimo disse...

Olha, espero que a viagem tenha acontecido e que tenha rolado sim...vivo algo parecido. Somos amigos há séculos e...de uns meses para cá pintou um clima irresistível. Como somos muito amigos, abrimos o jogo e decidimos viver isso. Estamos transando e tem sido maravilhoso, pois nos tornamos ainda mais amigos. Só tem um problema...não podemos assumir isso, pois somos casados...Vá em frente, amizade que acaba é amizade que não vale a pena.

Sete Ponto 7 | BLOG on 12 de junho de 2011 23:15 disse...

Esse foi um dos textos mais fódas que já li. Curte demais! Parabéns!

Anônimo disse...

Achei o texto maravilhoso e me remete ao que estou vivendo no momento...
Reencontrei recentemente um grande amigo, com quem vivi rápida paixão adolescente há 15 anos e que nunca vingou por seguirmos caminhos diferentes. Nos reencontramos e sem querer e de forma natural estamos vivendo momentos maravilhosos e descobrindo coisas que jamais havíamos imaginado a respeito do outro. O sexo nunca foi tão bom...mas assumir nem pensar, porque já temos outras pessoas em nossas vidas...essa é a parte complicada. Mas a experiência dá um tempero especial a nossas vidas, principalmente por não haver cobranças e a amizade ficar ainda mais forte e verdadeira. Não me arrependo em nada desse reencontro depois desses 15 anos.

 

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