segunda-feira, 14 de junho de 2010

[Crônica] Lá vai piada!


Fui a um restaurante sexta-feira passada com três amigas. Não estava muito animada, mas fui do mesmo jeito. Lá estava tudo muito divertido. Bons partidos, ótimo chope e música boa. E eu e minhas amigas em um clima de piadas. Lá vai piada...


- Num certo dia um camarada pega o ônibus e, sem querer, encosta numa freira...
Lá vem piada...

- Dois motoqueiros em alta velocidade numa avenida, um fala para o outro...

E lá foi minha amiga contar “a” piada:

- No tempo da Segunda Guerra Mundial o chefe do campo de concentração já estava ficando desesperado com as derrotas do exército alemão e resolveu falar para os judeus – Atenção! Eu terr um bomm notícia e um mau notícia. Qual vocês quererr ouvirr primeirra?
Cansados de más notícias, os judeus pediram:

- A boa notícia primeiro!

O alemão disse:

- Metade de vocês vai voltarr pro casa hoje.

Os judeus começaram a comemorar, até que se lembraram de perguntar:

- E a má notícia? Qual é?

E o alemão.

- O mau notícia é que é só a parte de cima.

Ela tinha que ter contado a linda piada enquanto passava uma família judaica. Não um judeu, mas sim uma grande e honrosa família. Pai, mãe, filha, tio, tia, todo mundo olhando para nossa mesa. Foi aí que eu soube quem não era minha amiga de verdade. No meio do alvoroço que a família criou em torno da maldita piada, uma foi acusada. Sim, eu. Minha amiga não moveu uma palha dizendo que era ela quem tinha feito a consideração preconceituosa. Não que eu não tivesse dado risada com a piada, mas mesmo assim, ser acusada de autoria e ninguém que viu poder dizer “não foi ela não” é golpe baixo. A “Mãe Judia” veio falar comigo:

- Eu vi muito bem, mocinha. A senhorita acha engraçado sair por aí contando piadas preconceituosas?
- Mas...
- Não tem mas, nem meio mas, eu sei muito bem o que é isso, é falta de educação, isso tem que vir de casa.
- A senhora está insinuando que meus pais não me deram educação?

Eu não estava com nem um terço da razão, mas a senhora infelizmente colocou meus pais no meio e isso não dá muito certo comigo. Acabei perdendo todo o sentido de defesa e parti para o ataque. Não deveria tê-lo feito, eu estava indo bem. Não era eu a autora da piada. Se fosse um português me acusando, poderíamos conversar, afinal, foi a piada que contei.
Há, a mocinha ainda é respondona. Está vendo, Ester, é para isso que eu te educo, para não ficar desse jeito – disse isso, comentando com a filha mais nova.
Tudo bem que a piada tinha sido de extremo mau gosto, mas agora, a culpa é minha?

- Já que não é na sua casa que você é educada, serei eu que farei uma boa ação agora, coisa que a senhorita nem merece...Mas farei.

Eu já esperando que ela fosse embora, ou sentasse com a família do outro lado do recinto, ouvi as seguintes palavras:

- Denunciarei seu ato de vandalismo para a polícia, aí sim você perceberá o quão mal te fará a falta de educação.
- Polícia? Não há necessidade, minha senhora, eu peço desculpas.
- Agora? Haha, tivesse pedido antes. E mesmo assim, continuo não aprovando.

E no que agora me adiantaria acusar minha “amiga”. Que aliás, junto com as outras, se encontrava bem longe dali. Nem as vi saindo. Belas amigas.
A senhora judia ligou para a polícia e recontou a piada ao policial. Deixando bem claro que após eu ter contado a piada ainda tinha respondido “torto” para ela e outras coisas que ela fez questão de inventar. Depois de alguns minutos esperando, apareceu um policial civil ali no estabelecimento. A senhora correu ao encontro dele e recontou indignada a história. E eu não consegui evitar a cara de saco cheio, que ela fez questão de comentar com o policial.

Na hora em que o policial veio falar comigo, com aquela cara de mau, fomos interrompidos pelo garçom, que disse:

- Olha, seu policial, eu vi tudo. Eu vi muito bem que não foi essa menina quem contou a piada. E sim uma outra, amiguinha dela, que saiu correndo.

A senhora estava indignada com o que ouvia, com o orgulho desmoronado, afinal, ela tinha certeza de que era eu quem tinha contado a maldita piada. Então ela resolveu dizer, em má hora:

- E o senhor policial vai acreditar no que esse pretinho está dizendo?


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Postado por Thaís Prado às 03:06

19 comentários:

Suziki disse...

Preconceito is sooo last week, demonstrou-o muito bem.

clap, clap!

Thiara Ney on 14 de junho de 2010 08:13 disse...

Pior que é assim mesmo que funciona. Cada um olhando pro próprio umbigo... =/

Zingara on 14 de junho de 2010 08:19 disse...

Nossa, "a pessoa" fechou com chave de ouro esse imbróglio todo. E, sim, o episódio em si acabou por virar uma piada.

Deja disse...

Eu adorei a piada da sua amiga, aposto que eu me daria bem com ela.

Anônimo disse...

Caramba...eh inacreditável essa história, td bem eu não concordo com esse tipo de piada, mas tbm não acho que seja o caso fazer um estardalhaço por conta disso...sem contar q a Judia foi mto mais preconceituosa e sem ter o disfarce da piada....
PS: Essas suas amigas, hein!! Nem posso escrever aqui o que elas merecem....

Deja disse...

Como colocar 10 judeus em um fusca?

2 no banco da frente, 3 no banco de trás... e o resto no cinzeiro.

Carol Fonseca on 14 de junho de 2010 11:55 disse...

noooossa! inacreditável...
gente preconceitosa me enoja...

Thaís Prado on 14 de junho de 2010 12:10 disse...

Má nem me fale!

;)

Bel on 14 de junho de 2010 12:30 disse...

hahahahahaha

OBS: Isso é fictício né?...just checking..rs

Thaís Prado on 14 de junho de 2010 12:41 disse...

Hahah, é fictício sim ;)

Escrevi no colegial, o tema foi dado pelo professor de redação! Heheh...

stefano disse...

ahahah casquei o bico

Marie Peres on 14 de junho de 2010 20:38 disse...

RSRSRSSSSS,Esse tipo de atitude é uma coisa ridícula, e o pior é que isso esta quase sempre nas "melhores famílias". e apesar de ser fictício retrata bem a nossa realidade...bjinhosss

Anônimo disse...

Mas bah! A piada era realmente engraçada :T

ashdasuidhoaisud

Crazy on 15 de junho de 2010 19:02 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thaís Prado on 15 de junho de 2010 19:08 disse...

Ja que não ficou claro, vai de novo!

Hahah, é fictício sim ;)

Escrevi no colegial, o tema foi dado pelo professor de redação! Heheh...

[2]

E mais um comentário, crônicas normalmente são escritas em primeira pessoa, ficadica, "Crazy".

Carol disse...

Krakaaa!!
Não acredito q essa velha fez issoo!! Q absurdo! Coitada de vc, kra.. E q fdp essas "amiguinhas", hein! Corre delas, pq não são boa bisca não, kerida! E q fdp essa mulé aí.. Se deu mal tb, falando akilo no final! Kkkkk Bem feito, ela devia ter tomado um esporro do policial..! rs..

Anônimo disse...

Suspeitei desde o princípio.

Anônimo disse...

Texto muito mal escrito.

Thaís Prado on 20 de junho de 2010 04:54 disse...

Ah, sim! Esqueci de avisar! Ninguém é obrigado a gostar :) e críticas são sempre muito bem vindas!
Agora peço para que os que as façam se identifiquem...é o mínimo, né? Afinal, qual a vergonha?

 

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