quinta-feira, 1 de abril de 2010

Direto da terra do nunca

Nunca quis ser adulta. Ao contrário de tanta gente que era louca para fazer 21 anos logo, eu preferiria que a vida congelasse na época do colegial, enquanto eu tinha 15, 16, 17 anos. Nunca parei para pensar sobre quantas pessoas devem sofrer da "síndrome do peter pan" (quem quer ser eternamente jovem). Mas eu sofro demais com isso, gente.

Moro na frente de um cursinho e trabalho pertinho de uma escola grandona, de ensino infantil até ensino médio. Quando saio de casa, de manhã, lá estão os jovens de 17, 18 anos na frente do cursinho batendo papo entrea amigos e esperando a hora de entrar na sala. Quando saio para almoçar, passo na frente da escola e vejo um monte de crianças e adolescentes de todas as idades, de uniforme, esperando os pais irem buscá-los, ou indo almoçar, ou simplesmente conversando sobre os planos para a tarde - ir ao cinema, talvez, ou irem todos na casa de alguém, ou no máximo reclamar que "ah, não dá, hoje tenho inglês".

Só sei que me sinto mega saudosista. Começo a lembrar de quando era comigo: no final das aulas, ficávamos no gramadão do colégio conversando, sem compromisso, sem nada. Poderíamos também ir na vendinha na frente da escola para tomar tubaína (só virei alcoólatra na faculdade). Ou poderíamos ir almoçar no Mc, ou no Habibs. Ou poderia cada um ir para sua casa dormir.

É dificílimo pensar que minha vida já foi tão... leve. Que a única preocupação era acordar cedo e passar de ano. Mas eu gostava tanto de ir pra escola encontrar meus amigos que só vagabundeava. Só começava a me importar com notas quando já estava em recuperação.

Minha vida era estar junto de meus amigos a manhã inteira, e rir, e conversar, e fofocar, e desenhar, ou até, quem sabe, me matar para resolver uma questão de física. Ou ficar corrigindo erros de português no caderno dos amigos. Ou jogar can-can em plena aula. E ser expulsa da sala. E ser brother de alguns professores, e ser odiada por outros. De ter amigos daqueles que te completam e que vivem junto com você experiências que serão lembradas para sempre. Nosso grupo se auto-intitulava FUNDÃO, e a vida era boa.

Só sei que eu vivia rodeada de amigos, e por mais que nem tudo fosse perfeito, a felicidade era bem mais acessível do que é hoje em dia.

Não me conformo de crescer. Não me conformo de estar tão longe dos meus amigos e conseguir me encontrar com eles a cada 15 dias - e olhe lá!. Não me conformo de a vida adulta ser tão chata e me privar de tudo que me fazia bem.
Agora tudo se baseia na rotina desgastante de trabalho e o eterno passar de dias em que tudo o que importa é a quantidade de dias até o próximo fim de semana.

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E vocês, sentem muita falta da adolescência? Ou preferem a vida adulta? Gostam da rotina de suas vidas ou como fazem para que a rotina não deixe a vida chata?

Beijo, me tuíta :)

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Postado por Anamyself às 00:01

17 comentários:

Tate on 1 de abril de 2010 00:24 disse...

Pior que eu me sinto exatamente assim. E o pior foi não ter aproveitado minha juventude da forma que deveria, me culpando até hoje (embora nunca seja tarde)

Fernanda on 1 de abril de 2010 00:48 disse...

Outro dia, passei pela mesma situação que você. Passei em frente a um cursinho e vi adolescentes falando sua linguagem própria, se achando os donos do mundo e da verdade, como nós também, rs...coisas de adolescentes. Fiquei pensando em tudo que podia ter feito e não fiz, em todas as escolhas que não escolhi, em todas as ousadias que não ousei. Isso deprimi. Não sei bem quem me disse, ou se vi em alguem lugar, mas eu vivi o que era pra viver. Essa foi a minha história, e como diz minha mãe: Viver e passar pelo tempo, é dar aos nossos descendentes uma chance de também viverem isso!!! Você vai ter descendentes, ou vai virar "semente que brotou sem germinar"? Se não olhar para o que tem agora, vai escrever este mesmo texto quando estiver com uns 80, desejando viver a plenitude do que viver AGORA!!!
Um grande abraço,
GOSTEI MUITO do seu posto. curou meu coração mais um pouco, porque tudo que escrevi pra você, escrevi pra mim primeiro.

Bjs!

LARI on 1 de abril de 2010 09:16 disse...

Amiga, meu ensino médio foi a pior e melhor época da minha vida.
Demorei pra fazer amigos me sentia feia de mais, mas qndo os fiz me divertir muitoooooo.
Hoje longe deles e cada um com sua vida não há tempo pra nada.
SAudade é o que não falta.

Thiara Ney on 1 de abril de 2010 09:37 disse...

Nossa, lendo esse post e o da Alice cheguei à conclusão de que é mal da idade. Tenho 26 anos tbm, e a cada dia me sinto mais adulta, mesmo querendo retardar ao máximo que isso aconteça.
Quando olho para mim acho difícil aceitar que sou uma adulta como minha mãe era quando eu era criança...

Grazi on 1 de abril de 2010 09:40 disse...

Nossa! Termino de ler o texto com lágrimas nos olhos, relembrando de quando era o meu tempo de escola, cursinho...

Realmente era tudo mais leve, as preocupações bem menores, adorava o colégio, meus amigos e hoje estou tão distante deles! De vez em quando esbarro em algum pelas ruas e dá aquela vontade de voltar no tempo pra viver aquilo tudo de novo, exatamente como foi.

Entretanto foi uma fase que terminou exatamente quando deveria, justamente para que eu pudesse guardar boas lembranças. Continuar vivendo tudo aquilo, provavelmente seria muito chato.

Gosto muito da minha vida atual, gosto até da correria, de dormir pouco, ficar enfiada em casa no final de semana pq tenho um trabalho para entregar que insiste em "não nascer". Isso também vai acabar, logo eu espero pois falta pouco. E isso também vai me deixar boas lembranças.

Enfim, encerrando ciclos e começando novos, acho que é assim que a vida deve ser. Daí a gente guarda as coisas boas de cada um, e joga fora as ruins. É assim que busco a minha felicidade.

Bel on 1 de abril de 2010 10:49 disse...

AUHM. Também sinto tudo isso. Quer dizer, não posso falar que gostava de TUDO na escola, teve uma fase que eu odiava muito, aliás, a maior parte do tempo foi consumida por essa fase, haha.
Mas tem um período especial, o terceiro ano no colégio, o último ano de Senai, pra mim foi a melhor fase e sinto muita falta!
Fazia ensino médio de manhã, pegava o busão a tarde e ia pro técnico, onde passava a tarde..a pobre coitada aqui achava que a vida era corrida, mal sabia eu o que estava por vir.
Almoçar no bandejão do senai com a galera, ficar sentada no gramado com a galera tocando violão (e um dia os vizinhos nos jogaram um OVO na testa) haha. Matar aula pra ir no boliche do SP Market...fazer amigo secreto no meio da casa da pizza..!

Ah, foi uma fase boa. Sinto saudade de tudo isso, e principalmente de não ter que trabalhar, HAHA.

Isso sem falar que naquela época, algumas coisas como preocupações de saúde, dinheiro e com o futuro, pareciam não existir.

A vida realmente era muito mais leve e colorida. A vida adulta é bege demais.

Anamyself on 1 de abril de 2010 13:49 disse...

Ai gente, que fofas vocês :)

Fernanda: o intuito dos nossos textos é isso mesmo, fazer vocês se soltarem e contar coisas das suas próprias vidas!
Realmente, se achar dono da verdade é algo intrínseco à juventude! A gente cresce e fica mais consciente disso, pelo menos :)

Grazi: morro de medo de passar a vida com saudosismo e deixar de viver o presente :|

sophia on 1 de abril de 2010 13:52 disse...

sofro muiiiiito disso ._.
parece que faz séculos que tudo aquilo aconteceu :|
pra melhorar minha situação fico ouvindo runaways e isso só me lembra mais que eu tou velha ._.

Mariana on 1 de abril de 2010 17:48 disse...

Eu ainda sou jovem, 19 anos e poucas experiências com a vida adulta. Mas sou/era igualzinha você, nunca quis crescer! Mas nunca mesmo, por mim ficava nos meus eternos 10 anos, em que brincava com minhas amigas todos os dias. Elas, enquanto isso, sonhavam com seus 15, 18 anos. Eu me perguntava "Por que? Já não é bom assim? Quem pode garantir que aos 15 anos vai ser tão legal quanto? Deixa assim, não muda não..". Lembro-me da mãe de uma amiga me dizer que eu era a única menina que não queria crescer. Acho, porém, que esse meu pensamento sempre foi maduro, talvez por saber que crescer não é fácil, que junto com isso vem as responsabilidades e que elas são chatinhas de aturar.
Cresci dizendo "eu não quero crescer", mas hoje me vejo mais madura do que minhas amigas da mesma idade.
Por muito tempo eu não me conformava com esse crescimento, com o que eu deixava para trás inconscientemente, mas hoje eu vejo que é preciso! Não quero ser aquelas mulheres de 40 anos que agem como mocinhas em pleno desenvolvimento (eu vejo muito disso por aí).
Tenho intacto meu lado criança, mas eu sei o momento em que posso ou não usá-lo. Acho que o amadurecimento deve ocorrer, ainda que tardiamente.

futura gostosona on 2 de abril de 2010 04:36 disse...

MUITA FALTA!!!
eu estou com 23 anos, me formei no 2º grau com 16, e tem raras vezes que choro ao ver tudo o que perdi ...
Comecei a namorar cedo, com 14, um rapaz de 21, que só me fez mal, e fiquei quatro anos com ele. Então,não aproveitei
NADA. O pior é ouvir meu marido (que tem 21) perguntando se eu não me enxergo no espelho , quando quero comprar uma pulseira ou esmalte que vi uma menina da escola na esquina do meu apê usando ...é brabo, viu?!

Dani Antunes on 2 de abril de 2010 07:32 disse...

Mas eu ainda encontro a galera da escola. Claro que é a frequência com que os vejo é diferente, não é mais diária... Mas o @fabiosantts, por exemplo, de quem eu sempre falo no Twitter é meu melhor amigo desde os tempos de escola logo, o que mais encontro, falo no telefone.
Os outros... Bom... A gente sempre dá o "jeitinho brasileiro". :)
Nos aniversários sempre nos reunimos, rimos e relembramos. E é sempre maravilhoso!

Bjks

Ivana disse...

Nem preciso ler os comentários pra saber que a maioria - me incluo - se identificou.

A minha adolescência foi ótima, tirando aqueles complexos e algumas injustiças que a gente comete. Sinto falta de alguns; outros ainda convivem comigo, dentro do possível (falta de tempo, oi).

Dá saudade mesmo, mas fico feliz em ter lembranças boas e ter oportunidade de viver coisas melhores ainda :)

Inaví on 2 de abril de 2010 13:08 disse...

Sinto falta da infância, da adolescência não. Tenho uma irmão adolescente...coitada. Vejo nela a angustia em querer ser sempre aceita pelos amigos, a personalidade Maria vai com as outras só pra estar na roda de amigos e ser popular, os complexos, os dramas.
Adolescentes sofrem muito porque são exagerados em tudo. Deve ser os hormônios.
Já a infância, ah a que doce é a infância, as músicas, as brincadeiras, a escola, os desenhos, nada de preocupações, as perautices. Que infância feliz que eu tive... eu tenho muitas saudades. Assisto Pica Pau sempre que posso, rs, e baixei uns desenhos dos Thundercats e Caverna do Dragão pra matar as saudades de vez em quando. Se pudesse viveria tudo de novo.

Sabrina Mix on 4 de abril de 2010 13:54 disse...

Ah, eu sou a típica adultescente mesmo. Outro dia estava até comentando com a minha mãe que eu acho que era mais madura na adolescência do que hoje. hehehe, regredi!

Beijos e sucesso!!!

MEU BLOG: http://www.sabrinamix.com

audrey disse...

eu nem sei se isso é fruto apenas de crescer. eu estou no segundo ano de faculdade, com 18 anos recém-completos e a minha vida já é assim, contando os dias até o final de semana. e nos finais de semana eu não faço nada de interessante, só durmo até a hora do almoço e fico acordada até três horas da manhã. é inacreditável como uma vida pode ser entediante - não quero nem ver em que buraco eu vou estar com 25 anos..

Zingara on 6 de abril de 2010 10:17 disse...

O fato é que qdo vamos ficando mais adultos, as amizades vão tomando outros rumos e se ocupando com novos problemas.

Estou com 30 anos e se eu tivesse o número de amigos da adolescência não me irritaria com o fato de ter uma vida adulta.

O ônus é esse: Ir perdendo amigos.

Achei lindo o post, embora eu tenha aversão a saudosismo. Tento me concentrar ao máximo no presente e valorizá-lo.

Beijo!

edumariano on 6 de abril de 2010 22:46 disse...

Nossaaa...
Eu morava quase de frente pra escola... meus amigos iam chegando e se acomodando na garagem até a hora de "bater o sinal" quando faltamva alguns minutos pra fechar o portao atravessavamos a rua.
Ai no colegial... dificil se enturmar, ainda bem que eu tinha algumas amigos do primário que logo se enturmaram e eu fui na bota deles.
Pra mim era tudo tranquilo, pois estudar mesmo as coisas so apertaram no colegial, antes era moleza. Ai veio o ensino técnico... passar o diaaaa inteeeeiro na escola... era exaustivo, mas divertido.
Faz teeeeempo...

 

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