segunda-feira, 29 de março de 2010

A poeira jogada embaixo do tapete

A poeira jogada embaixo do tapete. Foi assim que me senti naquele momento. Não havia palavras que poderiam me confortar, o “alguém tá com ciúmes aqui” se repetia na minha mente como se estivesse gravado em algum lugar, e eu apertasse o play a todo instante sem querer. Eu não podia chorar, seria ridículo, eu assumiria que ainda o amo na frente de todos, até mesmo na frente da talvez atual ficante dele, e como disse Clarice Lispector: “Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.” Ao invés de olhar uma árvore, eu arrumava meu sapato, pra poder não olhar nos olhos daqueles que esperavam minha reação ansiosamente, e não havia reação alguma, eu tentava conter as lágrimas e naquele momento, quando um idiota fez mais uma piadinha, eu escutei uma gargalhada feminina entre as risadas, e era de uma das minhas amigas, eu realmente não esperava que ela viesse me confortar, mas esperava menos ainda que ela me zoasse diante de todas as outras pessoas.

Não consigo culpá-lo por nada, afinal não foi ele quem brincou, quem me provocou, ele so fez a proeza de convidar a talvez atual ficante para a festa de aniversário dele, e pra variar, ele tem amigos ridículos a ponto de fazer piadas do tipo “alguém tá com ciúmes aqui”, depois do parabéns, em que cantaram que ele casaria com ela, mas eu não fiquei triste por causa do “casar”, sou idiota, mas nem tanto, fiquei triste pela falta de senso, pela falta de humanidade que eles tiveram comigo, eu sou a ex da situação e obviamente fiquei incomodada. Não houve reação nenhuma da minha parte na hora de cantar o parabéns, eu tinha ido preparada pra que aquilo acontecesse, tanto é que tentei me manter com uma feição de amiga que sou hoje dele, mas infelizmente eles não foram amigos, e conseguiram me deixar tremendamente rebaixada.

Citando novamente Clarice Lispector: “Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.” Me senti a pessoa mais sozinha, mesmo estando em uma festa cheia de gente conhecida.

Mas minha mãe me ensinou que não devo desistir daquilo que quero quando levo o primeiro tombo, devo continuar tentando, por isso não tomei a decisão de ir embora naquele momento, fiquei mais, e eles cansaram de me perturbar, o aniversariante continuou conversando comigo, pegou na minha mão, a beijou, a segurou, como se quisesse dizer que estava ali para me proteger, como me protegia quando estávamos juntos.

E apesar de todo constrangimento que passei naquele dia, eu cheguei mais leve em casa, por ter enfrentado e não ter me exaltado. Me sinto superior a todos os comentários idiotas daquela noite.


O texto foi enviado por uma leitora que pediu o anonimato. Se você quer escrever aqui também, mande seu texto para: contato@corporativismofeminino.com

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Postado por CF às 10:26

19 comentários:

Fernanda on 29 de março de 2010 10:45 disse...

nossa, não deve ter sido fácil.
mas tenho certeza de que ela deu um grande, grande passo.

Debbie on 29 de março de 2010 11:28 disse...

nossa... ela foi extremamente forte.. conseguir não chorar numa hr dessas... foi uma situação muito tensa...
parabéns... vc é uma vitoriosa ^^
beijinhus

Páginas da minha vida on 29 de março de 2010 11:40 disse...

nossa, eu tenho que bater palmas para vc.vc foi corajosa e forte demais.se eu estivesse no seu lugar, menina, eu já tinha me debrulhado em lágrimas, e sairia correndo de lá.
que coisa horrível isso que fizeram contigo.
ainda bem que foi forte e encarou isso de frente! meus parabéns!

bjs

Apenas alguém... on 29 de março de 2010 11:45 disse...

Sendo chata, mas pq foi no aniversário do seu ex? Honestamente não daria pra esperar outra cena... Tem gente q gosta de se martirizar.

T. on 29 de março de 2010 11:46 disse...

Caramba, você foi porque era amiga dele né?
mas putz...
mulher, eu não teria ido não...

Zingara on 29 de março de 2010 12:07 disse...

Situação muito constrangedora. Imagino que qdo foi ao aniversário não esperava se deparar com o comportamento infantil dos amigos dele.

São momentos difíceis que nos fazem mais fortes, ferozes e inquebrantáveis afinal.

Carol on 29 de março de 2010 12:10 disse...

Força na peruca, amiga!!

Grazi on 29 de março de 2010 14:01 disse...

Mesmo sendo amiga dele, acho que vc não deveria ter ido ao aniversário dele ;)

Era óbvio que isso aconteceria!

A Madrasta Má on 29 de março de 2010 14:41 disse...

Olá amorecos estamos completando 100 mil visitas, ops! mordidas e é claro que vc faz parte da festa, por isto tem presentinho para você! bjinhos da Madrasta!

Manah on 29 de março de 2010 15:53 disse...

Parabéns por ter ido à festa.
É enfrentando que se resolve as coisas.

Acredite, essa dor vai ficando menor com o passar do tempo.

Mariana on 29 de março de 2010 18:10 disse...

Bonito texto e aposto que todas as mulheres já passaram por situação igual ou parecida, ou ainda vão passar.

Carolzinha disse...

Pôxa, mas q sacanagem da parte desses "amiguinhos" do seu ex, hein.. Um bando de babacas, filhos da puta, isso sim! ¬¬ Kra, se fosse eu (do jeito q eu sou eskentadinha), nem sei como reagiria, acho q ía meter a porrada em todo mundo, pra eles deixarem de ser idiotas. rs..
Mas, pôxa, vc realmente se mostrou fortíssima e superior. Isso aí, sei q dói, mas nunca demonstre q vc tá mal, pq aí sempre verão suas fraquezas e irão te botar + ainda pra baixo..
Força, kerida! =*

Vida Imaginária on 29 de março de 2010 23:06 disse...

C.A.R.A.C.A.S!!!! Jamais queria estar na pele desta pessoa... nunca iria em um aniversário de um ex quando na verdade gostaria que ele fosse o atual, ainda mais quando já existe outra... Estou com inveja da reação adulta que ela teve... um abraço...

Crazy on 30 de março de 2010 01:08 disse...

affff q retardados esses amigos

Nara Faraj on 31 de março de 2010 20:39 disse...

Parabéns, moça!
Adorei seu texto, ele ilustrou o quanto vc é sensível e ao mesmo tempo forte. Dignidade e luz pra vc!
bjim

Cris disse...

Você foi muito corajosa mesmo!
Já enfrentei situações parecidas... Só que eu não tenho vontade de chorar, eu fico é &¨%$# da vida mesmo. Então eu tenho que me segurar é pra não quebrar tudo, hauahau...
E já teve situações em que não me aguentei e desatei a falar e gritar... Ai se arrependimento matasse. Depois dessa aprendi a lição...
Deixo pra ter xilique em casa, rs.

Cris

Lusinha on 1 de abril de 2010 16:00 disse...

Nessa horas o melhor que fazemos por nós é manter a pose, mesmo que desabemos depois... O que, nesse caso, não é algo que necessariamente ocorrerá, porque de ver que conseguimos ficar de pé e enfrentar mais essa, saímos mais leve e confiantes ainda.
Bjitos!

Lusinha on 1 de abril de 2010 16:01 disse...

Acabei de lembrar de uma situação que aconteceu comigo... Na minha festa de 15 anos meu namorado, ou melhor, ex estava lá com a minha melhor amiga, ou melhor, ex melhor amiga. Sim, fui trocada pela minha "melhor amiga".
Teve videokê na festa e eu fui cantar "como é grande meu amor por você", não pensando nele (embora ainda gostasse dele e todos soubessem disso ainda), mas porque sempre gostei dessa música do Roberto Carlos. Dai que ouvi gente gritando de fundo o nome dele num "ê fulano...". Super chato pra mim, pra minha "amiga", mas também mantive a pose e fingi que não era comigo!
Bjitos!

raissa disse...

tadinha...
deve ter sido foda :(

 

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