segunda-feira, 15 de março de 2010

"Os seus serviços não são mais necessários"

Na quinta-feira houve um post sobre DAR o pé na bunda. Por isso, achamos mais que providencial publicar o texto da leitora Ana Paula Paz, já publicado no seu blog: Limonada Diária, sobre RECEBER o pé na bunda.

Segue:

Tão certo como a morte e os impostos, o cartão vermelho em relacionamentos é algo que pode pegar muita gente desprevenida. A frase “your position is no longer available” (ao pé da letra, seria algo como “o seu emprego não está mais disponível”, mas, na verdade, a ideia é “os seus serviços não são mais necessários”) – dita por Ryan Bingham, vivido por George Clooney no filme Amor sem Escalas, às pessoas que estava despedindo – é bastante emblemática. As reações dos personagens que ouviam uma notícia dessas são bastante semelhantes às de quem recebe o tão famoso “pé na bunda”.

Variações de frases como “o que posso fazer para melhorar?”, “isso não é possível, dediquei anos de minha vida a esta empresa” ou ”vocês estão cometendo um grande erro” eram ditas por todos que estavam sendo dispensados de seu cargo. Declarações mais ou menos parecidas são feitas por quem está sendo dispensado em um relacionamento. Assim como é difícil ter que despedir um funcionário, também não é das tarefas mais fáceis informar a uma pessoa que a presença dela não é mais essencial. A “beleza” da coisa toda reside no fato de que, um dia, você pode estar despedindo alguém da função de namorada(o) e, depois, num belo dia, a(o) despedida(o) pode ser você.

Bem, por já ter vivido os dois lados da história, posso dizer que foi muito mais doloroso ter de ouvir que “os meus serviços não eram mais necessários” do que dizer isso a alguém. É como se a casa caísse. A desproporção no que sentimos quando encaramos cada um desses dois papéis é realmente gritante, sem dúvida alguma. Rejeição gera desorientação, pois é muito difícil ficarmos 100% independentes em um relacionamento. A intimidade construída pelos laços afetivos deixa os referenciais sobre quem realmente somos meio distorcidos. Pode ser que isso ocorra porque nos mesclamos a outra pessoa através das famosas concessões. Admito que, muitas vezes, eu não gostava de deixar de assistir a algum programa “de mulherzinha” para assistir a um filme de que o meu ex gostava. Mas, então, eu pensava: “ah, tudo bem, é só por hoje, não custa nada...”. Porém, o tempo vai passando, a convivência vai aumentando e com ela as concessões vão se multiplicando. Incessantemente.

Enfim, são feitas tantas concessões que acabamos por nos distanciar de quem éramos quando o relacionamento iniciou. No meu caso, acredito que chegou um ponto no qual eu tenha ficado com medo de voltar a ser quem eu era de verdade por achar que a outra pessoa não se interessaria mais por mim. Tenho a sensação de que acabamos criando um personagem para agradar à pessoa que está ao nosso lado, por acharmos erroneamente que a conhecemos de verdade e, assim, achamos que sabemos o que ela quer. Além disso, acreditamos que essa pessoa sempre olhará para o futuro na mesma direção que a nossa, o que gera a criação de grandes expectativas sobre os rumos que a relação vai tomar . Quando tudo isso é tirado de nós, é como se perdêssemos o caminho de volta para casa. Muitos questionamentos rondam a nossa mente, principalmente a pergunta “quem sou eu agora?”. Confesso que, nos primeiros tempos de readaptação à minha nova vida, eu me sentia meio manca...

Porém, se há desproporção no que sentimos quando terminamos ou somos terminados por alguém, também existe desproporção no sentido de que, quando somos terminados, ocorrem muito mais mudanças, principalmente de conceitos. A fim de conseguirmos seguir em frente, somos obrigados a enxergar o mundo de outra forma e a não nos negligenciarmos, seja deixando de fazer o que realmente temos vontade de fazer em um momento banal, seja deixando sonhos de lado somente para termos alguém ao nosso lado. Admiro muito quem consegue equilibrar de verdade o que deseja para si com as necessidades do outro. Acho que esse é o caminho para relacionamentos mais verdadeiros e espero chegar lá um dia.

No filme Amor sem Escalas, Ryan dizia aos demitidos que grandes impérios foram construídos depois que as pessoas passavam por situações como aquelas. Logo, é reconfortante saber que, nessas circunstâncias, podemos encontrar o elemento que faltava para impulsionar a conquista de algo que, por medo ou por comodismo, não era mais uma prioridade em nossas vidas. No fim das contas, fico feliz por ter conseguido resgatar a minha essência e, o melhor, por ter conseguido encontrar o caminho para aprender com os meus erros. Afinal, em matéria de relacionamentos, ambas as partes erram e acertam. O meu desafio, e acho que o de todos, é saber até onde podemos ir no terreno das concessões, para que não fiquemos desnorteados caso a história termine. Devo confessar que, de certa forma, sou grata por ter ouvido que “os meus serviços não eram mais necessários”, pois isso fez de mim uma pessoa melhor e mais solidária com todos. Além do mais, saber que eles poderão ser necessários a outra pessoa é muito animador...

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Postado por CF às 00:01

16 comentários:

Anônimo disse...

É realmente ruim de ouvir que:“os seus serviços não eram mais necessários”, Tbém já estive dos dois lados da moeda, mas esse último relacionamento teve dois agravantes.

1º Estavamos no auge do relacionamento, colados, no dia anterior tinha ouvido frases do tipo amor incondicional, morreria por vc, etc e tal.

2º Fui dispensada não pelo 'chefe' em questão, e sim por seu pai, ou seja, levando isso pra dentro de uma empresa,seria como se um colega ou o porteiro viesse lhe comunicar da demissão, deprimente!

Mas olha, GRAÇAS A DEUS, eu ainda não havia me abdicado de muitas coisas, minhas exigências e meu objetivos, mas dispus de tempo e muita dedicação e foi um tranco, manquei por alguns dias... Mas, agora, passado exatamente um mês pós término, já consigo enxergar novas possibilidades, e por sorte já há candidatos ao cargo... e sigamos, pois ninguém merece o nosso sofrimento!

bjooooooooos.

negamanú disse...

Eu acho o pé na bunda difícil de digerir qdo levamos, mas acho tão ruim qto ter de dar o pé na bunda!

As frases sempre soam clichês, e dependendo da aceitação, ou não, do outro pode ser deprimente, acho muito ruim os dois lados da moeda.

bjo, adoroooo!

Deja disse...

Eu sempre dei o fora, sobretudo porque sou muito instável e me apaixono e desapaixono rapidamente.

Mas recentemente eu estava em uma relação nova em que um dia eram palavras maravilhosas, carícias e em poucos dias depois nem um "adeus". Só sumiu. Penso que um "Seus serviços não são mais necessários" teria sido mais digno.

Ser volúvel têm suas vantagens... me sinto bem.

Carol Fonseca on 15 de março de 2010 12:04 disse...

A real é que é péssimo saber que o outro não necessita mais da gente,é simplesmente péssimo!
Eu sempre dei o pé,agora foi a primeira vez que levei um,e é foda!
os pensamentos são sempre do tipo:
Mas que porra! eu sou de mais,eu sou a melhor,eu fiz tudo certo dessa vez, onde foi que eu errei?
Esse pateta é quem sai perdendo... nunca vai achar ninguém como eu...
Mas a verdade é te dói de mais saber que vc pode não estar a altura do outro,é difícil ser rejeitado.
mas vamo que vamo!
crescendo e aprendendo.
P:s eu adoro os comentarios do deja.

Priscila C. Souza on 15 de março de 2010 13:30 disse...

Situação duper difícil, mas sempre conseguimos vencer

Manu on 15 de março de 2010 21:07 disse...

Puxa, que post perfeito! Acho que é muito pior ganhar um pé na bunda. Fere a vaidade, a autoestima da gente, enche a cabeça de noias. Mas eu levei tanto pé, que acostumei. Pé na bunda pode ser a mola que te impulsiona pra frente. FATO!

Bel on 15 de março de 2010 21:11 disse...

Ótimo post e cheio de verdade!

Rafaelli Antes on 16 de março de 2010 04:04 disse...

NOSSA, fechou o post com chave de ouro com a frase final: Além do mais, saber que eles poderão ser necessários a outra pessoa é muito animador...

Disse tudo, já estive dos dois lados da moeda também (eu, e muita gente, né?) e sei que dar o pé é um tanto mais fácil do que receber, ainda mais quando não se espera, e quando as coisas supostamente vão bem... Aí sim, a gente tem que começar tudo do zero, e nem sabe por onde!
Por isso a importância de manter-se coerente com a personalidade antes/durante e pós relacionamento.
quem sabe assim, seja mas fácil encarar o tchau!

Deja disse...

Fiquei feliz com o seu comentário, Carol. =)

Juliana Ribeiro on 16 de março de 2010 14:24 disse...

Já estive nas duas situações de dispensar alguém e de ser dispensada. Nenhuma das duas são boas, mas ser dispensado é horrível.
Passei por isso há pouco tempo e sei como pode ser difícil lidar com essa perda e a sensação de ser "descartada" da vida daquela pessoa.
Você perde um pouco do eixo e assim como vc disse leva um tempo até nos recuperarmos e entendermos que as vezes é necessário passar por certas coisas para aprender.
Eu também tenho um pouco dessa mania de nigligenciar a mim mesma, aos meus sonhos e me focar muito no relacionamento.
Esse último término com certeza foi um grande aprendizado.

Pri disse...

Em todos os meus relacionamentos eu tenho uma técnica (que, aparentemente, sempre falha, mãsss)que consiste em passar pelos dois lados..
Quando cai na rotina.. ou quado está no auge.. Eu termino!
Se ele voltar, mesmo depois de toda a, provável (beeem provável) raiva que ele ficou por eu ter feito isso..
Seremos felizes...
E eu terei conhecido ele.. Pq eu acho importante conhecer o pior que a pessoa pode ser (6)
Se o pior dela não for tão ruim tmb, eu volto..
asdhaius
O problema é que eles acabam não gostando da idéia de voltar!
Eu acho importante saber do que as pessoas que me cercam são capazes, mesmo que isso signifique correr o risco de não tê-las ao lado..
Pois vc tem que estar: tão 'de peito aberto' pra aceitar alguém que te faça feliz e você a ela, como preparada pra tudo que essa pessoa pode fzr com as suas informações, seus segredos, e principalmente seus sentimentos..

Eu sei, eu sou uma pessoa ruim e desconfiada, mas as situações me deram uma escolha, ser assim ou ser boba.. Cá estou eu!

^^

Dejinha disse...

Nunca li algo tão maluco quanto o que nossa colega "Pri" disse.
Acho muito indigno um homem correr atrás de uma mulher após ser dispensado.

Tudo bem que atualmente não estou tendo dignidade em correr atrás de alguém, mas é que ela ainda não me deu um fora e está me fazendo de Fast Food, basicamente. E eu não resisto.

Mas essa Pri é doida. (respeitosamente eu digo isso hein)

Anna Paz on 17 de março de 2010 12:17 disse...

Agradeço pelos comentários! Realmente é complicado ter de lidar com os cacos que restam depois de receber a notificação de que nossos serviços se tornaram desnecessários.

Todavia, conforme o tempo passa, a gente se dá conta de que tudo que precisávamos para uma nova vida já estava dentro de nós; estava apenas inativo. Além disso, o distanciamento em relação ao triste episódio nos dá novas perspectivas para o futuro, e conseguimos perceber os comportamentos que podemos manter no próximo relacionamento e aqueles que podemos aprimorar.

Conforme relato no meu post, achei muito mais difícil receber o pé na bunda do que dá-lo em alguém. Engraçado, assim como o Deja e a Carol, a regra era eu dispensar, e não ser dispensada. E, para piorar a situação, assim como mencionou a Rafaelli, dói fundo quando isso acontece com a gente em um momento em que achávamos que as coisas supostamente iam bem (era exatamente assim que eu estava vivendo a relação). Acho que eu estava tapando o sol com a peneira, rsrsrs... Concordo com ela também no ponto em que devemos nos manter coerentes com a nossa personalidade em todas as fases do relacionamento, pois isso pode facilitar quando se lida com o rompimento.

No fim das contas, por mais doloroso que o pé seja, eu o acho positivo. A Manu está certa: “pé na bunda pode ser a mola que te impulsiona pra frente”. Afinal, quanto mais experiências nós adquirimos, mais evoluímos.

Ah, fiquei intrigada com a técnica da Pri. Achei super válido o que ela fala nesse trecho: “eu acho importante saber do que as pessoas que me cercam são capazes, mesmo que isso signifique correr o risco de não tê-las ao lado. Pois vc tem que estar tão 'de peito aberto' pra aceitar alguém que te faça feliz e você a ela, como preparada pra tudo que essa pessoa pode fazer com as suas informações, seus segredos, e principalmente seus sentimentos”.

Estou me dedicando de corpo e alma para descobrir como aplicar tudo isso...

Grande beijo!

Deja disse...

A tática da Pri é interessante, só que assim... se eu gosto da pessoa e ela me faz sofrer, terminando comigo, penso que ela não gosta de mim. Isso pra mim é o suficiente para eu deixar de gostar...

Grazi on 19 de março de 2010 09:08 disse...

Engraçado, se a Pri mesmo diz que "aparentemente, sempre falha" sua tática, qual a vantagem em praticá-la?

E sinceramente, concordo com o Deja. Por mais que eu goste da pessoa, se ela me fizer sofrer terminando comigo, jamais eu vou voltar. Pode ser dificil pra mim, posso chorar bastante, mas não volto!

Anna Paz on 19 de março de 2010 16:25 disse...

Não sei se eu colocaria em prática esse método de terminar para ver no que vai dar. Na verdade, o que achei bacana do comentário da Pri é o que ela fala sobre ficarmos atentos para o que as pessoas que estão ao nosso redor são capazes de fazer conosco. Para tal, acredito que seja válido prestarmos atenção no comportamento de quem está ao nosso lado, pois certos detalhes muitas vezes são bastante reveladores.

Eu também não voltaria para alguém que partiu o meu coração. Porém, como tudo na vida, isso pode ser relativo. Já vi pessoas próximas a mim que terminaram ou que foram terminadas e que, após algum tempo, a relação voltou mais fortalecida e mais madura. De qualquer forma, acho que isso é a exceção, e não a regra em relacionamentos, pois o que eu mais vejo acontecer é o cristal se quebrar, sendo impossível de consertá-lo...

 

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