quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tudo seria diferente sem você?

Engravidei sem planejamento no auge do meu curso de Comunicação. E para essa área você precisa ser dinâmica, um ser nômade e estar sempre antenado - O que não era um problema para mim antes de um filho. Então, quando o Lucas (nome do meu filho) nasceu eu tive que ficar mais em casa, sem muito contato social e distante das rodinhas de notícia. Logo, minha carreira parecia não zarpar mais como antes. Meus professores já não me escolhiam pra fazer uma matéria numa favela ou coisa mais aventureira. Eu ficava com a parte morgante e previsível que eram os cadernos culturais, avisando o que estava rolando na cidade, os filmes, shows, peças etc.

Tornei-me mãe e um ser mais sedentário. Cuidei sozinha do meu filho e a carreira ficou pro ano que vem e quando o ano que vem chegou... Eu percebi que não podia deixá-lo ainda. E assim foi... Perdi contatos, vontades e algumas atualizações. Perdi um pouco da minha adolescência também. E, sim, às vezes acredito que o sucesso profissional não veio por causa da maternidade e que, bem, se eu não tivesse um filho as coisas poderiam ter sido diferentes.

Porém, que diferença seria essa? Eu teria um histórico maior de ex-namorados? Eu teria mais dinheiro e talvez um programa na tv? Eu teria mais amigos e uma barriga mais sarada? Não sei, a vida que ficou lá para trás sem meu filho não me interessa. Se eu acordo bem cedo, mesmo que a noite anterior tenha sido um vendaval, é tão somente porque há alguém que precisa de mim.

Ter um filho nos mete num eterno jogo sem saída, onde você é mocinho e vilão a toda hora. Onde você deixaria muito bem de comer, se preciso, pelo seu filho. Onde você se alegra se a alegria for do seu filho. E onde você vira Macgayver para acudi-lo em qualquer situação impossível. Talvez eu tenha feito tudo errado, talvez eu não tenha lutado muito pela minha carreira, afinal há tantas mulheres com filhos que conseguiram se sobressair na sua vida profissional... Nunca o culparei por nada, eu só o culpo de ter me feito entender o que é o AMOR. Amar nunca é fácil, ainda mais um filho. Não vou poder socorrê-lo sempre, não vou poder tirar as cascas de banana do seu caminho e ele não vai entender quando eu for cruel e censurá-lo - Esse é um amor bandido, clandestino eu diria.

Esses dias sem meu filho tem sido os mais desastrosos da minha vida. Eu me pergunto sempre: Como consegui viver tanto tempo sem ele na minha vida? O que eu sou sem ele? O que eu seria? Francamente, eu seria só uma mulher e sua vida sem cor.

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Postado por Sarita às 00:09

23 comentários:

Camila on 3 de dezembro de 2009 00:52 disse...

Zíngara,
não tenho filhos ainda, mas olhando para a minha mãe, reconheço todo o sentimento que vc pôs no seu texto.
O amor que há entre mães e filhos é um amor que não se compara a coisa alguma.

Luciana on 3 de dezembro de 2009 01:49 disse...

Que lindo!
So quem tem filhos sabe o que é esse amor.Amor esse que mesmo deixar pra traz aquilo que tanto almeija não é sacrificio.
Eu tenho dois e em nenhum dia da minha vida me arrependi de tê-los.

Gabriela on 3 de dezembro de 2009 07:52 disse...

que gostoso ler isso.. sabe pq?? eu me sinto EXATAMENTE igual a vc.. engravidei no auge do meu curso de moda.. era pra ser o melhor ano de todos.. e as coisas não saíram conforme planejada.. me identifiquei muito com o seu texto.. mas muito mesmo.. minha carreira sempre veio em primeiro lugar.. na frente de absolutamentetudo.. e depois q a Manu veio.. as coisas começarama acontecer diferente... a vida me fezenxergar certas coisas q antes eu não via.. asvezes eu tento mostrar isso pras pessoas que me rodeiamm.. mas não adianta.. só vivenciando é que enxergamos de fato... hoje eu sei.. minha carreira pode esperar mais uns 3 ou 5 anos.. minha filha não!
Gostei muito do texto.. =)
muuuuita luz pra vc e pro seu baby!

A Aquariana on 3 de dezembro de 2009 08:45 disse...

Lindo!
Um dos posts mais emocionantes que já lí por aqui...

BIA on 3 de dezembro de 2009 10:02 disse...

Lindo. Parabéns pelo texto.

Fernanda on 3 de dezembro de 2009 10:08 disse...

own!
=~



estou com meus instintos maternais aflorados esses dias. aiai. tô emo, beijos.

haha

Fernanda on 3 de dezembro de 2009 10:08 disse...

own!
=~



estou com meus instintos maternais aflorados esses dias. aiai. tô emo, beijos.

haha

Fernanda on 3 de dezembro de 2009 10:09 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jullyane on 3 de dezembro de 2009 12:27 disse...

Não tenho filhos, mas imagino que deva mesmo ser uma coisa sem igual.

Beijos

Tata on 3 de dezembro de 2009 12:46 disse...

Lindo... Tenho uma irmãzinha baby, adotada, que eu cuidei desde sempre... Não sou mãe, mas sinto a mesma coisa que vc, sinto a responsabilidade, a saudade... Censuro e mimo... Qdo ela esta doente sou eu quem ela procura... Ganho ate presente de dia das mães! É minha irmã, bemmm mais nova... Sei que não é a mesma coisa... Mas sinto como se fosse...
Texto lindo e emocionante...
Beijos...

Dani disse...

Ás vezes me sinto um monstro por não ter essa vontade que muitas mulheres tem de ser mãe. É estranho, mas realmente não tenho essa vontade.

Zingara on 3 de dezembro de 2009 13:32 disse...

Dani, também nunca tive vontade de ter filhos. A única vontade que tenho eternamente é de ser a mãe DO LUCAS.

Andréia Freire on 3 de dezembro de 2009 15:23 disse...

Texto lindo! =) Mas, Dani, acho que quem não tem vontade de ter filhos não precisa se sentir mal por isso. Maternidade é linda, mas pra quem sonha com isso, pra quem deseja. Melhor não ter filhos do que ser um mal pai e uma má mãe, não acha? Quantos pais e mães maltratam os filhos por aí? É uma escolha pessoal, ninguém deveria se sentir culpado por escolher ter filhos ou não ter.

colombina on 3 de dezembro de 2009 15:35 disse...

lindo, lindo!

Ivana disse...

Nossa, foi um dos textos mais emocionantes que eu já li; ser uma boa mãe - integralmente, não só parir e largar no mundo - é algo para poucas, e esse amor tão lindo que vc descreveu é exclusivo de vocês.

Parabéns!

Anônimo disse...

que lindoooo!

Renata Bittes on 3 de dezembro de 2009 20:21 disse...

Amor de mãe é algo incomparável. Não tenho filho. Estou no meio do curso de comunicação e posso imaginar o desafio que é estudar e engravidar.
Seu texto é lindo.
Parabéns

;)

Bel on 3 de dezembro de 2009 23:20 disse...

Post lindo e emocionante, só pra variar um pouco né?

:D

Ine Furtado on 3 de dezembro de 2009 23:31 disse...

Tive uma filha aos 17 anos. Estava no 2° colegial... Imagina.
Pensei que minha vida nunca mais seria igual, que eu não conseguiria estudar, que não faria minha faculdade... Que pararia no tempo.
E hoje, 1 ano e 4 meses depois, vejo que minha vida REALMENTE não é mais a mesma.
Segunda feira peguei meu último boletim do ensino médio. Notas que eu nunca tive, antes de ser mãe. Nada de notas vermelhas. Nada de faltas...
Agora eu preciso lutar pelo meu futuro - e pelo dela. E, pra isso, estudei... E continuarei estudando.
Não é fácil fazer trabalhos com um neném no colo, não é fácil fazer trabalhos com uma criança correndo pela casa, perigando cair e se machucar.
Mas é necessário. E é assim que vai ser.
Sou mais feliz. Sou mais consciente. Amadureci.
Sei que não posso sair e beber todas, porque na manhã seguinte uma pequena vai chorar e pedir pela mãe... E a mãe sou eu.
Não sou mais sozinha, "Deus e eu", como costumava dizer.
Existem responsabilidades e sentimentos que só descobrimos com a maternidade.
Se eu fui irresponsável ao esquecer de tomar a pílula? De certa forma, sim.
Se eu esperaria mais pra engravidar? Com certeza.
Se eu me arrependo de ter sido mãe aos 17? De forma alguma.

Beijo.

Lu on 3 de dezembro de 2009 23:56 disse...

"Quando o discípulo está pronto o mestre aparece."
Fui mãe aos 16 anos, e posteriormente aos 22.
Falo para minha filha, hoje com 18 anos, que ela me escolheu como sua mãe para me ensinar o que realmente vale nesta vida.
Tudo o que deixamos é infinitamente insignificante diante do amor que sentimos por nossos filhos.
Adoro o blog!

Chris on 4 de dezembro de 2009 01:19 disse...

Sua história é muito bacana, Zingara.

O que me deixa pensando é apenas que alguns pais simplesmente não podem esperar 2 ou 3 anos da sua carreira, ora porque não têm condições de se manterem e manterem uma criança, ora porque são homens e, a eles, não é dada a opção de abdicar da carreira para se dedicar ao filho, por exemplo.

E quanto a não querer ter filhos, a Andréia está coberta de razão: ninguém deve se sentir mal por não desejar tê-los, pois antes isso, do que ser um péssimo pai ou péssima mãe. Acredito que você, como mãe, deve pensar parecido também.

Sem mais, parabéns pelo blog! ;)

Gisele on 6 de dezembro de 2009 14:38 disse...

Nada é mais importante do que ser mãe! Sabe porquê? Carreira, dinheiro, estabilidade financeira, nada disso te oferece AMOR INCONDICIONAL e ETERNO. Filhos, sim!

amanda. on 7 de dezembro de 2009 22:36 disse...

putz... das raras veze que venho aqui e caio nesse post.
meus parabens a zingara.

tambem fui mae aos trancos e barrancos, com 18 anos, terminando o terceiro ano e toda uma rotina planejada pra estudos e vestibulares...

e se eu fosse descrever todo esse sentimento que não cabe em mim... ah, nao terminaria nunca.
eu deixei de tentar vestibular quando minha filha tinha 3 anos. o curso era concorrido, eu tinha que me dedicar pelo menos 4, 5 horas por dia, sem interrupções, sem distrações. convenhamos que com um bebe em casa isso é impossivel.

vi todos meus amigos se formarem, namorarem, festas, shows, viagens.
lógico que a gente sente essas coisas, sente falta, se sente de lado.

mas sabe, uma coisa que eu digo sem pestanejar: eu nao seria uma pessoa melhor sem minha filha.

nao mesmo.

 

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