quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Crônica de uma unha quebrada

Já repararam a imagem que os homens fazem de uma mulher fútil? 9 em 10 imaginarão uma loira falsa gostosona, cantando música de micareta e lixando a unha. É impressionante como o ato de lixar unha é significativo.

Lixar a unha pode significar futilidade, sim, dependendo do contexto (tipo o exemplificado acima). Mas também pode ser um ato de rebeldia: já experimentou lixar a unha na sala de aula, estando sentada a poucos metros do professor mais autoritário e nojento da faculdade?

Pode ser um ato para escapar do tédio, se você está na fila do banco e só tem gente desinteressante e sóbria na fila.

Pode significar indiferença, se você lixa a unha enquanto alguém se propoe a discutir um assunto sério com você. E assim vai. Punks, patricinhas, hippies, executivas, sem rótulo definido: ou você tem unhas minúsculas (como os homens) ou você se acostuma ao apetrecho que custa centavos, mas faz milagres pelo bem-estar feminino.

Mas os homens raramente entendem a necessidade disso! Vou ilustrar um caso meio exagerado (oi? meu sobrenome?) para quem insiste em achar que se preocupar com a unha em determinados momentos é futilidade.

Sexta-feira a noite, é primeiro encontro de Catarina e Eduardo, um cara que ela está super afim. Um jantar num restaurante chique. Catarina se depilou, se maquiou, se perfumou, deu um trato nas unhas, pôs uma roupa legal e foi na fé (ok, é mais complexo do que isso, mas preciso resumir).

Ela chega no restaurante com ele, linda e formosa. Põe o guardanapo no colo, brinda e começa a comer o couvert. Sua perna coça. Ela abaixa a mão e se alivia, sabendo que a mesa lhe protege, felizmente. Enquanto coça por cima da calça jeans, sente que alguma coisa deu errado. Muito errado. Levanta a mão um pouco e vê: a unha do dedo do meio lascou e quebrou pela metade, num lance meio zigue-zague. Não pensa duas vezes: levanta e vai ao banheiro.

Chega lá e vasculha sua bolsa, enquanto avalia o desastre na unha. SÓ uma lixa salva. Catarina procura, procura, e nada. Poxa, ela veio toda preparada! Na sua bolsa tem de tudo: tem camisinha, porque sempre é melhor garantir. Tem todo um kit de maquiagem. Tem engov, aspirina, pílula anticoncepcional. Balas de menta. Tem lenço de papel. Tem bloquinho de notas, caneta, tem tudo. MENOS a maldita lixa. Ela lembra com infelicidade que a desgraçada ficou no fundo daquela outra bolsa, usada no trabalho horas antes. Lembra, com mais infelicidade ainda, que sua mãe tem na carteira dela uma mini lixa que, na real, é um santinho de vereador. Mas é uma lixa. Catarina sempre a recriminou, disse que era brega, ainda mais porque era santinho do partido do Maluf.

E agora se recorda com saudade daquela lixa. Podia ter uma foto do próprio Maluf nela, a essa altura ela não ia ligar.

Começa a buscar loucamente por qualquer superfície áspera semelhante a uma lixa. A situação é meio desesperadora, e a demora no banheiro pode suscitar dúvidas inconvenientes no mocinho. Será que o cara vai achar que ela está... se aliviando? Que desagradável para um first date.

Mas é a unha do DEDO DO MEIO! Todas as outras 9 unhas lindas, compridas e perfeitas. E UMA lascada e quebrada. Catarina tenta consertar roendo a bordinha. Piora. E ainda por cima, descamou.

Numa medida desesperada, ela raspa a unha na junta da parede. É quase áspero. Legal, quebrou mais um pedaço da unha. Não resta muita coisa a fazer, mas ela ainda não quer apelar. Sabe, por outro lado, que não poderia ter desencanado do problema da unha. Qualquer hora ela ia tocar em algum tecido, e a lasquinha prenderia em um fio de tecido, que seria puxado eternamente pela sua unha. Ia ser meio ridículo.

Catarina pensa em suas opções: voltar à mesa com a unha naquele estado, correndo o risco de desfiar tecidos mil. Pode também sair pelo restaurante caçando uma lixa, ou esperar eternamente que uma mulher entre no banheiro, aí pede a ela. Mas e a dignidade? E o TEMPO?

Outra opção: mandar tudo às favas, roer a unha problemática e evitar mostrar o dedo do meio, numa imitação de Lula no dedo errado. Ela faz isso, mas fica péssimo. As outras unhas estão muito grandes.

Então manda que o mundo se lixe (rááá! Doce ironia) e roe tudo. Nada pior do que um monte de unha linda e uma horrorosa no meio. Que fiquem todas iguais, pelo menos.

Volta à companhia do belo.

Ele obviamente não repara nas unhas de Catarina, embora o tédio da espera esteja expresso em cada linha de seu rosto. Mas, pronto: a noite está fadada ao fracasso. Ela vai passar o jantar evitando expôr as mãos. Ele vai sentir a tensão dela e vai achar que ela não está curtindo. Ela até poderia explicar o drama, mas ele acharia besta e fútil.

Fim.

--
E aí, leitoras, algo semelhante já aconteceu a vocês? O que fariam na situação da Catarina? E vocês, homens, o que acham dessa história toda?

Para pagar a minha manicure ou simplesmente dar um oi:

anamyself@corporativismofeminino.com
http://twitter.com/anamyself

Beijo!

(Agora eu também sou uma Corporativete! Vou dividir as quartas com a Bel!)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Postado por Anamyself às 06:30

27 comentários:

Bel on 19 de agosto de 2009 06:53 disse...

Olha, no lugar de Catarina, eu teria voltado pra perguntar se ele não tinha uma lixa, hahaaha. Uma vez perguntei pros meus amigos e um deles tinha um cortador de unhas com lixa no chaveiro!

Mas concordo que nem só com unhas, mas outras coisas banais que os homens nem reparam encucam as mulheres demais.

Teve um dia que eu ESQUECI de trocar o calçado e vim parar na empresa com roupa social e uma sapatilha meio esporte, passei o dia inteiro me sentindo HORRÍVEL e com o pé enfiado embaixo da mesa. No dia seguinte contei pra um colega de trabalho, ele falou que tinha olhado pros meus pés mas nem tinha reparado em nada, enfim...hahahaha

By the way, lixar uma unha quebrado está no TOP coisas aliviantes, bem ao lado de fazer xixi quando se está muito apertada e se livrar de um pêlo encravado.

Ótimo post!

Zingara on 19 de agosto de 2009 08:22 disse...

QUE SACADA BOA! HAHAHAHAHAHAHAHAHA
Ri horrores.


Nossa, eu me vejo totalmente no lugar da Catarina. MAS sou uma moça audaciosa e, de fato, acabaria por mencionar o ocorrido com o rapazola. Eu não sou muito boa em parecer uma diva. Sou desengonçada demais.

Deja disse...

Eu tenho aflição de lixar as unhas, e de ver outras pessoas fazendo isso.
Como meus dedos e unhas são diferentes da maioria dos homens (Como minha mãe diz, mãos de aristocrata), e cobre totalmente a ponta dos dos dedos, só cuido para não ultrapassar (alguém tá entendendo?), eu deveria fazer isso, mas não suporto...

E bem, mas nunca pensei nisso como uma alegoria em para uma futilidade...

Ah, uma vez levei uns 15 dias para lavar roupa, não tinha uma meia limpa, roubei uma soquete do mickey da minha namorada, passei o dia todo tomando cuidado ao sentar e não demonstrar, mas acho que o exemplo é diferente do da Bel... no meu caso, isso iria atentar contra minha masculinidade (ou isso também soa fútil para alguns?)

E às 08:25, não tô conseguindo escrever muita coisa que faça sentido... sorry.

Paulo César Nascimento on 19 de agosto de 2009 10:05 disse...

Lixar unhas fora de situações como a do jantar mencionado realmente indica desdém, tipo "estou me lixando". É por isso que o pessoal vê com maus olhos, o recado é "meu umbigo é mais importante que você". Se é esse o recado que se quer dar, perfeito. Mas quando as unhas quebram, é a solução.

Bel on 19 de agosto de 2009 10:16 disse...

Lixar unhas é um dos meus passatempos predilétos no trânsito! rs

Fernanda on 19 de agosto de 2009 10:53 disse...

algo semelhante não, algo quase IDÊNTICO a isso aconteceu comigo há alguns dias.

tô aqui hoje, com as unhas lindas, tirando a do dedo médio, que tá roída/descascada, dolorida. Sabe quando quebra no meio, que dói? Pois é.


Morri com você lixando a unha no rejunte da parede. Já fiz isso. E não foi só uma vez.

cof, cof.

Bahh Grou. on 19 de agosto de 2009 13:13 disse...

Euu ri muitooo' Realmente isso é um fim e não é futilidade, é necessidade :D

Ane on 19 de agosto de 2009 13:23 disse...

Eu não lixo minha própria unha,pq sou um desastre,entorto tudo.
Mas tenho horror a unha descascando.
As minhas têm que estar sempre pintadinhas.

Tenho que andar com acetona,ao invés de lixa haha!

;**

Deja disse...

Lixar as unhas pra mim é igual arranhar o quadro negro com as mesmas...

Ninguém envolvente on 19 de agosto de 2009 13:24 disse...

Sei-lá.. sou meio fiona, eu nao ia me importar tanto rs...

Páginas da minha vida on 19 de agosto de 2009 15:28 disse...

kkkkkkkkkkk que post engraçado.
eu tb não acho o fato de lixar as unhas ,uma futilidade.tb acho necessidade.
agora se eu estivesse no lugar da Catarina,acho que nem tinha levantado da mesa...nao iria pensar duas vezes: quando passasse em algum lugar,iria fingir que tinha quebrado a unha em tal momento,e se ele olhasse eu diria:" ah,droga...( amostrando a unha )do que estávamos falando mesmo? ( fazendo cara de indiferença à unha e se mostrando interessada ao assunto)"kkkkkkkkkkk
já fiz isso e deu certo ^^

bjs

Andréia Freire on 19 de agosto de 2009 16:12 disse...

Eu acho que o certo é contar. "Poxa, minha unha quebrou". E pronto. Se o cara de achar fútil, azar o dele. Eu acho meio ridículo a mulher ficar morrendo de aflição com o que o carinha vai achar, como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Uma vez estava com um grupo de amigos e algumas meninas estavam comentando cor de esmalte, manicure, essas coisas, aí um deles disse: "Aff, não sei pra que essas frescuras!". Aí uma delas disse: "é, quero ver se tu ia achar bonito a fulana (namorada dele) com as unhas roídas, feias e sujas!' Hahahaha. E ele: "é, tem razão".

Eu não acho obrigatório estar com as unhas pintadas (pinto mal e nem sempre vou na manicure), mas unhas cortadas, lixadas, limpas e, pelo menos, com uma base eu faço questão!

Dama de Cinzas on 19 de agosto de 2009 17:27 disse...

Eu falaria com ele na mesma hora... Homens não entendem mesmo essas coisas, pelo menos não ia perder tempo tentando esconder algo que nem sei se ele iria repara... rs

Beijocas

Cris Soleitão on 19 de agosto de 2009 17:27 disse...

EURI!!!

Muito bom o post!!!

Eu tenho um problema sério com as minhas unhas.
Assim como as do Deja, elas são maiores do que a da maioria das pessoas... meu pai diz que tenho "mão de pianista" rs. Unhas e dedos longos...

Assim eu não preciso deixar elas crescerem muito... e nem posso, pois elas quebram fácil fácil... mesmo quando estão mais ou menos curtas. Nem posso deixar comprida também por causa da minha profissão: quando vou fotografar ela prensa contra a lente... já cansei de voltar pra casa com a unha dobrada na metade. É bizarro!!!

Então eu só deixo passar uns 3 milímetros da ponta do dedo, no máximo.

Tbm não tenho muita paciência.
Não uso esmalte colorido... de q adianta? Dali 3 dias tem que pintar de novo pq já descascou tudo...

Só lixo quando paro realmente pra fazer a unha: sento na frente da TV 1x por semana enquanto passa uma novela ou jornal.
Aí sim... tiro esmalte antigo, lixo e passo de novo uma base ou um esmalte rosa claro.
Enfim... apenas manutenção! É mais fácil... rs... e elas ficam 'apresentáveis'.

Mas concordo q é sempre bom ter uma lixa na bolsa para casos de emergência, embora eu não tenha o costume de carregar. Minha mãe me deu uma mini-lixa [q não era do Maluf, heheh..], mas quem disso q eu lembro onde está?!

Afff... falo demais...

Ah, aproveitar pra agradecer o comentário da Bel lá no Pereus!

Bjokas
Cris

Renata Bittes on 19 de agosto de 2009 17:27 disse...

hauhasusha
ahh homem nem repara em unha. Se eu fosse ela, fingiria q nada aconteceu. E n ficar nervosa por conta disso.


bjs

Cris Soleitão on 19 de agosto de 2009 17:32 disse...

Ah... aproveitando, vou postar uma frase que ouvi em um filme hoje... tudo a ver com o assunto:

"Quando enfrentar gente malvada pense que é como uma lixa: ela pode te arranhar, mas no final vc sai mais bonita e macia, enquanto a lixa apenas se desgasta"

Deja disse...

Eu reparo nas unhas, por exemplo, acho um tesão unhas compridas e vermelhas.
Mas se a mulher me fala que quebrou, não vou achar nada demais, nem vejo problema nisso! "Ai minha unha quebrou" e eu "Poxa, que merda".

E só.

Ps, uma amiga tinha umas unhas imensas, quando por acidente as quebrou, enterrou elas no Jardim. Fez um funeral singelo.

Anamyself on 19 de agosto de 2009 19:21 disse...

Oi? Funeral pras unhas?

ahuahuahuhuahuauhauhhauha!
Amei!

Como mulher, me sinto tão mais poderosa com unhas compridas, lixadas e bem pintadas!

E, machões do recinto: umas arranhadas com unhas compridas nas costas são bem mais legais que arranhadas de unhas curtas, né?

huhuhu

eu escrevi essa historinha, mas se fosse comigo não ia ligar muito, não. Ia fingir que nada tinha acontecido e pronto.

E, sim, minha mãe TEM uma mini-lixa do Maluf.

Crisenta on 19 de agosto de 2009 20:46 disse...

Ana ameii o post super mi identifiquei com a parte na qual vc fala q pra muitos lixar a unha e sinal de futilidade fico putassa com isso sabe? pq eu tenho um nervoso danado de unha torta ou quabrada e sempre ando com uma lixa basica na bolsa porem morro de vergonha de tira-la na sala de aula por exemplo e lixar minha unha pq todos olham principalmente os homens e as mininas cdf's com cara de 'nossa que minina futil'... ai que odio q isso mi daa! Abaixo ao esteriotipo de que mulher que lixa a unha e futil hauhauhuah e adorei a historiaa, eu consegui sentir a agonia da Catarina kkkkkkkkkkk! beijos

Débora Fonseca on 19 de agosto de 2009 22:47 disse...

Ah, no lugar dela eu teria roído a unha até acertar, ia puxar pele, ia sair sangue, depois eu ia desencanar porque o cara não ia reparar na minha unha ;)

meninas, to com uma duvida.
to participando da promoção da camisa de vocês, mas recebi um email dizendo que eu nao tava participando ainda da promoção porque eu não era seguidora.
sendo que eu era, até respondi o email, mas como não recebi mais nada depois disso, fiquei sem saber, se afinal, ta valendo ou nao ta minha participação?

Deja disse...

Anamyself, sim, umas boas arranhadas (no meu caso pode tirar sangue), são ótimas...

Danusa disse...

Ai, lixar na parede? hahahahah

Eu não encano com minhas unhas e acho bobo posar de "pessoa de mãos com unhas fatais". Unha quebra, ué, acontece até quando ela não está grande. Acho que dá pra agüentar um pouco, sair dali e comprar uma lixa na farmácia, depois. Não acho isso feio, nem fútil, mas normal.

Não dá pra dizer que homens não reparam em unhas. Há vários que reparam, inclusive quando estão pintadas com uma cor que não agrada o sujeito. Do mesmo modo, eu reparo nas unhas das pessoas, sejam mulheres ou homens. Se estão grandes, curtas, cheias de pelinhas soltando, pintadas de uma cor que gosto, pintadas de uma cor que detesto, se estão naturais, etc. Isso também não quer dizer que eu não esteja com minhas unhas feias, haha.

Outra coisa que sempre reparo é sapato...

Camila Alves on 20 de agosto de 2009 20:13 disse...

Ri muito.

Andar com lixa de unha é uma questão de necessidade. heheh

Minhas unhas são curtas porque toco violão, mas acho um luxo unhas compridas e vermelhas [oi Deja. haha].

Tenho vários amigos que reparam.

catjuliano on 20 de agosto de 2009 23:16 disse...

Eu sou literalmente uma Catarina ¬¬'

mas eu diria para o moçoilo e " que bebe, que durme, que babe " se achasse futilidade o problema era inteiramente dele.

Deja disse...

[Oi Camila]

Babei hoje por uma mulher com unhas vermelhas que veio aqui na empresa...
Crush federal nela.

Andréia Freire on 21 de agosto de 2009 15:51 disse...

Hahahahaha, Catarina, amei.

Sei lá, se o cara achar que você é fútil, fútil é ele que julga por algo tão bobo, né?

Eu gosto de deixar as unhas compridas, mas não gosto de esmalte vermelho.

Tem homem que repara mesmo, mas acho que os que não reparam devem ser maioria, né? Sei lá.

Tate! ² on 22 de agosto de 2009 20:11 disse...

A partir de hoje, sempre vou carregar cortadores de unhas, lixas, acetona, algodão e esmalte na bolsa!

 

Corporativismo Feminino Copyright © 2009 Baby Shop is Designed by Ipietoon Sponsored by Emocutez Edited by Blog Feminino