sexta-feira, 3 de julho de 2009

Correndo com tesouras





Enquanto tentava me focar em alguma coisa que prestasse, do nada ele apareceu em meu grupo de estudos, bufando cada vez que errava uma questão ou as coisas apertavam. Eu que sento sempre na frente, ouço perfeitamente o "Buffff" e sei que ele está em apuros ou tentando se enforcar com o cordão do pen drive porque "é muita burrice, porra" na parte mais ao fundo da classe.

Imagino-o arrastando uma coberta quando pequeno, ou chupando o dedão quando era apenas um bebê de quatro quilos, porque, me parece inviável que ele chupe dedos agora que usa relógio - embora seja uma cena bonitinha - e, sim ele é um guri formidável demais para apenas dezoito anos. Minha cena preferida sempre é quando ele se altera. Fora os Buffs característicos, ele põe as duas mãos na cabeça: "ah, cara". Chutamos pedrinhas juntos até a saída da prova, porque estava difícil, e pude notar que os olhos amarelos dele se encheram de lágrimas de raiva por saber ser tão esperto e escapar de reprovar por um fio.

Não, Heleninha sabe que essa admiração toda não tem fundamento. É apenas uma admiração pessoal, pela primeira vez em anos sem o gosto da conquista. Simplesmente porque ter sua amizade nas últimas semanas - e foram semanas difíceis - me bastou, e me basta. Há anos não sentia uma amizade profunda por ninguém do sexo masculino ("se é homem serve pra ser conquistado obaaaaa" é a minha máxima desde... bom, desde 2006.) sem nenhum interesse sexual, carnal ou o caralho. Não sentir arrepios no abraço apertado do moletom vermelho (ele tem um cobertor azul em casa, tenho certeza) foi a sensação mais libertadora dos últimos anos.

Pessoas encharcadas de carência como eu, entendem que é difícil conviver com alguém do sexo oposto sem querer algo a mais, pelo puro prazer da conquista, uma pequena vitória "ele me desejou um dia". Ser amiga e apenas amiga, é um grande passo, e agora eu sei que posso caminhar sossegada.

E que venham os próximos semestres, e que essa amizade se solidifique.


xoxo

=) e, ah claro, adoro o carinho de todos que comentam, fico feliz que se identifiquem com a minha "novela mexicana" de todas as sextas.

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Postado por Heleninha às 00:01

8 comentários:

Tibes ;* on 3 de julho de 2009 01:49 disse...

Amizades assim nos fazem tão bem! Talvez até mais do que a conquista.
Beijos :*

Deja disse...

Eu tenho boas amigas, duas são as mais especiais,não trocaria por algo mais... outras das quais não sou tão íntimo, também prefiro ter como amigas...

(Tento lidar com a carência)

Bel on 3 de julho de 2009 10:59 disse...

Sei como é essa sensação, você descreveu muito bem. Ai que nostalgia me bateu agora *_*

s.machado on 3 de julho de 2009 12:37 disse...

Realmente, no ínicio de uma amizade saber separar o que é uma amizade sincera ou o que é uma simples atração pelo sexo oposto é bem díficil. Já passei por isso muitas vezes e muitas delas eu levei patadas enormes porque pra "eles" era só amizade. Acho que a vida é que acaba te ensinando como separar a carência da amizade!
Adorei o tema.
;)

tereSafur on 3 de julho de 2009 13:47 disse...

Nossa, faz mto tempo que não consigo manter uma amizade com um homem sem que eles venham querer "benefícios" ahahahahahahahah mas realmente é algo super bacana...

Shadowcat disse...

Atualmente dos varios amigos homens que já tive eu mantenho contato com apenas quatro deles, sendo que com apenas um deles eu tenho como amigo de verdade mesmo, os outros são conhecidos[daqueles de oi e tchau, e as vezes uma conversa mais animada,mas nada muito íntimo]. Sempre tive mais amigos homens do que mulheres[a guria perdida no grupo dos guris], apenas atualmente posso dizer que tenho mais amigas mulheres do que homens. Talvez o que tenha causado essa reviravolta é que os homens que chegam pra conversar comigo ou que eu chego para conversar, ou querem algo além de amizade ou acham que eu quero algo além de amizade, em geral as duas coisas.
Heleninha, conserve bem essa amizade, pois é muito valiosa e tão diferente da amizade entre mulheres! ;D

Cris Soleitão on 3 de julho de 2009 14:13 disse...

Cada vez sinto mais falta dos meus amigos que são apenas amigos [mesmo com as respectivas namoradas me olhando com cara de que vão me enforcar a qualquer momento... hahaha... problema delas se entenderam errado!].

Seu post me lembrou uma sensação boa que não sinto há muito tempo... nem sei quanto!
Pena que todo mundo mora longe...

Adorei o post!
Bjos

Zin on 3 de julho de 2009 18:49 disse...

Tenho muitas amizades masculinas, que me dizem coisas francas e na cara e é uma grande lástima não tê-los por perto nesses últimos dias...

Entendo tudo o que você descreveu!

 

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