quinta-feira, 25 de junho de 2009

Por que eu amo o PESSIMISMO

Há tempos não me atrevo a ser otimista. Foram tantos "nãos", tantas certezas em vão. Houve tantas chances reais que se desmancharam no ar sem que eu percebesse. E é por isso que me sinto incapaz de levantar todas as manhãs. Mas levanto, ainda assim eu me ergo exclusivamente pelo meu filho. Vou, noctâmbula, para o mundo. Contraio o maxilar num riso para as pessoas e ao fim do dia minha face dói com o esforço (ok, isso foi realmente melodramático). Mas sorrio, ou melhor, contraio o maxilar.

A única certeza que tenho agora, aqui nas minhas mãos, é que nada dará certo. Nada. Por que tentar começar algo novo com alguém novo, se ao final eu saberei que perdi muito tempo com aquele teatro todo? Pra quê entregar currículos ou ser honesta se desviam todos meus impostos para seus próprios benefícios e empregam os outros por simpatia, longe de méritos? Pra quê levantar se o dia será repetido: café da manhã, almoço e jantar?

Quero tomar café no jantar e ter um amor para vida toda. Claro que não ouso dizer isso em voz alta. Seria muita audácia e prepotência da minha parte. E, por favor, Senhor Otimismo não precisa cuspir mais uma vez na minha cara. Pois dói. Dói acenar para você e receber um gesto obsceno como resposta.

Por isso, agora estou nos braços do Pessimismo. Não dizem que devemos dançar conforme a música ou aceitar nosso corpo e amá-lo como ele é? E que se estamos no inferno devemos abraçar o capeta? Pois bem, cumpro a profecia e evito ler a sorte do dia no biscoito do china in box. Entrego-me de corpo e alma ao Pessimismo, evitando deixar qualquer fresta aberta para a esperança. Meu único companheiro, aquele que não mente ou dissimula, é preciso na sua ação ferrenha em me fazer sucumbir em qualquer coisa que eu tente. Logo, estou disposta a receber toda a enxurrada de má sorte que virá e o agradeço por ser tão infalível.

Por mais que eu ande por muito tempo e não peça sequer um copo de água a alguém... Nunca há recompensa. E não haverá, diz-me agora o Pessimismo. O otimismo flerta de longe, com suas frases titubeantes de sorte: Um dia tudo dará certo...


Não, obrigada. Prefiro a certeza taxativa do Pessimismo. Ser otimista é falível, cansei de ter que procurar a cola super-bonder na geladeira à meia-noite para colar a cara.



(Preparada para a lição de moral e de vida de todos). Quase ia me esquecendo, "Lei da Atração", "O Segredo", essa coisa toda de cu é rôla. Até me senti melhor escrevendo isso aqui...

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Postado por Sarita às 00:16

2 comentários:

Anônimo disse...

Excelente esse texto. Honesto e racional.

Thays on 13 de julho de 2009 02:11 disse...

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