terça-feira, 12 de maio de 2009

Tudo sobre minha mãe

O dia das mães já passou, mas eu não poderia perder a oportunidade de complementar o texto sobre as Mães Megeras, da Zíngara. Além de queridíssimas bruxas do nariz torto, as mães são sempre muito um pouco loucas. E essa loucura é proporcional ao tempo de maternidade e número de filhos. A minha mãe é doida varrida. E, vejam só, eu sou filha única, ela tinha potencial para muito mais. Sempre penso nisso quando leio em algum lugar que só usamos cerca de 10% da capacidade de nosso cérebro. É como minha mãe, ela usa uma porcentagem mínima de sua caduquice, pois não estamos preparados para a MamãePatsy Turbo POWER.

Pois bem, minha mãe muda de humor como troca de sapatos e isso gera mais problemas do que meu adorável apartamento minimalista de dois quartos e sala pode comportar. Sendo assim, de tempos e tempos nós temos alguns pegapácapá. Como toda mãe, ela sabe como se redimir e me leva às compras. Ela me trouxe ao mundo, né? Conhece bem meu calcanhar de Aquiles. Mas, me conhecer não significa me aceitar, ou seja, ao chegar no shopping ela SEMPRE tenta me empurrar toda e qualquer coisa que não tenha nada a ver comigo. Eu vou completar um quarto de século e ela ainda tenta mudar minha personalidade, vai entender.

Eu tenho predileção por lojas de departamento, mas, eventualmente, acabo nas mãos de uma assistente de vendas falsa, cruel e sem coração. Digo isso com experiência de causa, já que fui uma delas por mais de três anos. E, apesar de não ter nascido com os genes da crueldade, convivi com mulheres medonhas, que em sua sede de dinheiro e status dentro de uma merdinha de loja, faziam atrocidades com clientes e "colegas" de trabalho. Sei reconhecer o tipo a quilômetros, juro.

E eu ADORO entrar em uma loja e me deparar com um desses seres quando estou acompanhada de mami. Não tem nenhuma relação com experimentar tudo e não levar nada de propósito, eu sempre acharei isso um absurdo. Toda a graça da situação está no comportamento de minha adorável e bipolar mamãe. Se ela já me leva à loucura, imagine um desconhecido.

CENA: Patsy e MamãePatsy andam pelo shopping fazendo cara de "jesus, abana" para todas as vitrines, refletindo sobre a possibilidade de uma sandália rasteira de plástico custar o preço das compras de mercado do mês. Tenho um casamento no fim de semana seguinte e preciso de algo arrumadinho, mas modernoso, porque meu nome é Patsy e eu não uso lantejoulas. Entramos na loja.

Patsy - "Olha esse pretinho vaporoso, ficaria lindo com minha Melissa vermelha nova" - digo encantada.

MamãePatsy - "Mais fácil você usar um saco de lixo na festa do que acreditar que eu vou comprar esse trapinho" - esganiça mamãe. *love you too, mommy*.

Vendedora - "Oi mããããe, escolhendo alguma coisinha com a filha? Meu nome é Fabi..." *cortada*

MP - "Olha só menina, ela acha que vai num casamento com isso! Esse pedaço de pano transparente. E acha que ainda vou pagar!" - reclama MamãePatsy com ódio no olhar.

P - "Mãe, menos". *vergonha começa a aflorar*

MP - "Paty, você deveria usar isso" - diz, puxando um longo que acompanhava uma echarpe prateada. *MEDO*

V - "Aaaaah! Esse vestido é bordado à mão com pedrari...". *cortada*

MP - "Paty, você não vai a um casamento usando essas suas roupas de hippie. E ainda vou pintar suas mechas porque esse seu cabelo está uma tristeza. Até o da menina aqui está melhor", diz apontando pra vendedora. *minha mãe não trabalha com tato*

P - "Mãe, pelamordedeus cala a boca. E hippie é o caráleo, eu me visto bem, você que acha que ir à padaria é comparecer a um evento RSVP" - perco a paciência, agarro um vestido, corro para a outra ponta da loja.

V - "Vocês não querem dar uma olhadinha nessa arara com tecidos especiais...". *cortada*

MP - "Menina, para você ver. A minha filha é jornalista, está na segunda faculdade! Quando ela era bebê fez teste de QI e era acima da média. Acredita que ela pulou da pré-escola para o C.A.?" - mamãe se exalta.

P - *tapa na testa*

V - "Ééé... é mesmo...hããã, legal...". *cortada*

MP - "Colocamos ela nas melhores escolas, nos melhores cursos, mas ela decidiu que só vai vestir preto. Acho que era gótica. Deve ser ainda" - diz, me olhando de rabo de olho.

V - "Imagina, é coisa da idad...". *cortada*

MP - "Idade o caramba! Ela sempre foi assim. É muito inteligente, sabe? Quando quer alguma coisa, se dedica como nunca vi. Acho que ninguém faz melhor. Não digo isso porque é minha filha não, mas ela é muito esforçada" - acrescenta com brilhinho nos olhos.

P - "Mãe, para, por favor" - suplico.

MP - "Falsa modéstia, é leonina, adora ser elogiada. Lembro uma vez, quando ela tinha 5 anos, que uma moça na rua a viu chorando e começou a fazer gracinhas para ela rir. Ela tirou a chupeta da boca e perguntou para mim se a moça tinha problemas e se ela ficaria da mesma forma quando crescesse! Viu? Muito inteligente! Mas na hora de escolher uma roupa! Deus me livre..." - desembala a tagarelar.

Enquanto eu experimentava um lindo vestido balonê - amo viu gente, pode tirar da lista negra do vestuário - ela se estendeu sobre meu brilhante desempenho no 1º grau, minha aptidão por instrumentos musicais, meu fracasso para arrumar namorados, minha incapacidade de organizar o quarto, meu detestável gosto musical e minhas estripulias no jardim de infância.

Olha, eu comprei o vestido, mas CERTEEEZA que a vendedora pediu demissão no mesmo dia. É o que eu digo, mãe é louca e mãe é única. A gente consegue aturar porque é nossa, de mais ninguém (tirando irmãos, vai), mas pedir para outros lidarem com nossa querida e bipolar genitora é DEMAIS. A menos que você queira se livrar de pessoas indesejadas.

E só para avisar, eu sou COMPLETAMENTE diferente dela. Só tenho uma tendência a me alongar demais, tagarelar demais, vide o tamanho do texto. Mas, nem ligo, puxei isso da minha mãe. ¬¬

Divida sua loucura familiar comigo enviando um e-mail para patsy@corporativismofeminino.com Está difícil responder tudo rapidinho porque a vida está corriiiida mel deuz, mas eu dou um jeito. Não desistam de mim! hahaha

E, só para avisar, não quero desrespeitar mesmo as vendedoras de loja. Algumas são execráveis, outras não. Isso acontece em qualquer profissão, em qualquer área :)

Besos, besos!

Patsy

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Postado por Patsy às 01:30

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