sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sobre Heleninha e a Idade olímpica



Falarei a verdade. Estou de saco cheio. Adoro minha nova faculdade, é sério, adoro as pessoas que conheci, as aulas, a Engenharia, tudo. Mas ao mesmo tempo tudo me irrita. A contar por ser uma das mais velhas da classe, e ter de conviver com piadas sobre eu ser muito conservada, por exemplo. Algumas atitudes pitorescas dos seres de 17 anos também me fazem querer vomitar. A falta de lealdade típica com relação a amizades nessa idade também me parte bastante o coração, tudo é putaria, cerveja, nada é sério tudo é foda-se! Os dramas pessoais são os mais bobos possíveis. Eu sou compreensiva eu já tive 17 anos e já me apaixonei por 4 caras de uma só vez (normal, normal) no terceiro ano - fiquei com os 4 diga-se de passagem.

Por outro lado, fui criada para levar tudo a sério desde sempre, a ter uma maturidade acima da média desde sempre (não parece, eu sei, no geral eu sou bem adulta,mas na questão "macho e meu coração" eu sou bem lesa mesmo) . Minha vida amorosa sempre foi um fiasco - embora pra alguns eu realmente seja um sucesso na questão pessoal, até já vieram me perguntar como consigo - mas eu sempre fui a psicóloga da turma sobre como agir em qualquer caso. Se o que eu dissesse não resolvesse, apelava-se para galinhas pretas no cruzamento e muito Exú. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Geralmente meus conselhos funcionam, talvez eu devesse mesmo ser psicóloga. Uma vez me irritei tanto de dar conselhos, que meu nick no msn passou semanas sendo "consultório fechado, conselhos somente com pagamento prévio". Tinha neguinho me ligando de madrugada pra perguntar o que devia fazer! DE MADRUGADA OK? No meio do meu sono de beleza.

O fato é que a idade olímpica me irrita. Fico nervosa de não poder dizer certas coisas, de não gritar um CALA BOCA SEU PUNHETEIRO DE MERDA, de não poder avisar as meninas de certas coisas "ele não é teu amigo não heim..." de ter que sorrir e concordar e me conformar que não tenho filhos, e muito menos filhos de 17 anos, e que não posso evitar que eles quebrem a cara. Sinto meu instinto maternal aguçado nesses últimos meses, como se quisse proteger um bibelô ou evitar que certas colegas de que gosto mais se machuquem. Logo eu que grito de 5 em 5 minutos que não nasci pra ser mãe, não nasci pra cuidar dos outros, porque mal sei cuidar de mim mesma. Faço parte do grupo deles, embora me sinta no dever de cuidar de cada um e embora saiba que esta não é minha obrigação.

Tudo isso me deixa confusa. Eu mal tenho tempo de abrir os cadernos, eu tenho,preciso, devo pelo meu próprio bem de parar de me preocupar com a vida deles e cuidar da minha. Às vezes, vejo meu próprio reflexo em alguns colegas, muito de mim mesma ali, fragmentada. Os mesmos medos, a mesma igenuidade. E tudo isso me dói.

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Postado por Heleninha às 00:01

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