terça-feira, 26 de maio de 2009

Money, money, money...

Tenho pensado muito em dinheiro. Em seu poder manipulador e na sedução dos seus prazeres. Eu sempre quis ser rica. Nunca resisti à inebriante fragrância dos números e dos cifrões. Sou uma daquelas pessoas que acreditam, sim, que o dinheiro está diretamente ligado à felicidade.Com ressalvas.

No primeiro momento, lá nos recônditos da infância, em que percebi que meus gostos e vontades superavam, em muito, minhas possibilidades reais de gastos, entrei em depressão. Nunca me recuperei desta descoberta. Em um momento, você é uma criança feliz, brincando no parquinho com sua Barbie Vida Campestre - que vem acompanhada de um pônei caramelo, um chapéu cor-de-rosa e selas de modelos e cores diversas. De repente, você resolve que a ciência é um de seus talentos natos e decide revolucionar a medicina estética colocando a cabeça da boneca no corpo do pônei só para ver como fica e aí... bom, não fica. Em poucos segundos você descobre que o transplante não consegue ser desfeito e, com corpos de plástico destroçados em suas mãos gorduchas, corre em direção à mamãe, aquela moça boa, que te dá alimento e atenção. E choooora. E chora mais um pouco.

Mas, opa, o que aconteceu? Ela não sorri condenscendente e salva sua Barbie do desastre da decapitação. Mas, sim, larga mão de um artifício infalível, um olhar pouco paciente e, diria eu, enfurecido. Então, alguns poucos momentos antes da surra, você entende que sua Barbie Vida Campestre deu adeus à vida campestre, à urbana, à aquática, à recreativa e todas as outras, e que a moça boa não a substituirá com tanta facilidade. E sua Barbie entende o que a espera, a humilhação de ver sua vida de protagonista de histórias infantis virar pó, sendo relegada aos papéis secundários, como prima esquisita sem-cabeça do interior ou monstro esquisito devorador de criancinhas durante os especiais de terror e dias de temporal.

Para uma criança, compreender que os bens não são inesgotáveis é muito difícil. Para mim, foi ainda mais. Eu queria muito ter TUDO. Tudo o que estivesse ao alcance de meus olhos, mãos e ouvidos. Desde então, fantasio com uma vida abastada, onde bonecas Barbie sem cabeça pertencem ao passado. Para cada coisa quebrada, uma inteira surge em seu lugar. E, cada vontade é satisfeita em questão de segundos. Mas, as coisas não se manifestaram desta forma. E meu sonho de fartura começou a aparentar ser um pesadelo repleto de Barbies sem cabeça.

Já na adolescência, fiz uma nova descoberta, que, para minha tristeza, contrastava em muito com a primeira. Eu sou uma consumidora compulsiva. Prontofalei. Não tenho nenhum problema com isso. Não gasto mais do que ganho, já que, felizmente, possuo um apurado senso de responsabilidade. Já entrei no SPC, mas só porque deixei uma conta aberta por três anos acumulando juros sob juros de taxas que desconhecia completamente. Viu? Apurado senso de responsabilidade.
Nunca passei um cheque a descoberto.
Nunca pedi cartão dos outros emprestado.
Nunca roubei.
Nunca caí em prantos no meio do almoço de domingo em família porque não tinha dinheiro para comprar O JEANS MAIS LINDO QUE JÁ VI EM TODA MINHA VIDA na Zara. Tá, mentira. Eu, fiz isso.
Resumindo: sou um exemplo de pessoa.

Mas esbarro sempre com a questão financeira e me pego pensando com muita freqüência em dinheiro. Por que uns têm tanto e eu não tenho nenhum!?!?! Eu seria mais feliz se tivesse uma conta hiper-mega-premium de nove dígitos altos? Como alguns "míseros" números poderiam alterar completamente a minha vida? Já tenho sido escrava deles por tanto tempo...

Sempre odiei ter um 1.71 de altura, sempre quis ser mais baixa.

Gostaria de voltar ao tamanho 38.
Calçar 37,5 faz a minha obsessão por sapatos ficar ainda mais difícil.
Estar há menos de um trimeste de um quarto de século me desespera.
Ter 24 anos significa contagem regressiva para os 30 em andamento.
Preciso perder 10kg.
Eu amo o Natal, mas ainda faltam 7 meses para a ceia.
E 6 meses para armar o pinheiro.
Em novembro completo 5 anos de namoro.
Estou na 2ª faculdade e me formei há 7 anos no colégio.
Preciso de uma cama nova e menor para ganhar 40cm de espaço no meu quarto.

Affe. Números, números, números.

Lembro que assisti, há pouco tempo, no Telecine Cult - onde mais? - a um filme chamado "Monsieur Verdoux", de Charles Chaplin. Completamente impossível resistir ao Vagabundo de Chaplin, mas gosto mesmo é de suas outras faces. Em "Monsieur Verdoux", ele é um ex-funcionário de banco, demitido durante "a" depressão, que torna-se um assassino frio e calculista de viúvas ricas. Sensacional, preciso comprar. Mas, o importante deste filme, é um diálogo final, se não me engano, entre Verdoux e um jornalista. Nele, Chaplin - e aí, aposto minha coleção de brindes do Kinder Ovo, que é o Chaplin falando e não o Verdoux - diz "um assassinato faz um vilão; milhões fazem um herói. Os números santificam, meu amigo!!"

Impossível não concordar com Chaplin. Números são apenas números. Mas o significado que aplicamos a eles podem transformá-los em armas amigas ou inimigas. E aí, traço meu paralelo, e percebo que quantidade e qualidade são coisas muito distintas e não devem ser confundidas. Que o valor quantitativo de qualquer coisa não é um indicativo de força ou poder.

Seu negócio tem 46 anos no mercado e por isso você se acha melhor do que eu?

Seu apartamento possui 452m², sem contar a piscina no terraço?

Você tem uma calça da Zara para cada dia do ano e acha ridículo eu ter chorado por uma?

Seu jornal tem 52 páginas e o do concorrente 34?

Sua conta tem, de fato, nove dígitos altos e em ascensão?


Então me inveja porque, oi eu tenho amor. De verdade, incondicional e inexorável. Eu sou feliz porque, mesmo sem satisfazer um desejo tão fútil, mas tão intenso, como o de comprar um sapato novo a cada três dias, eu me conformo e volto a sorrir. Em dois tempos. Encontro alegria em uma piada do namorado, na lambida do cachorro, na ligação à cobrar da melhor amiga.
Então, quando digo que acho, sim, que o dinheiro está diretamente ligado à felicidade, não estou mentindo. Acredito que estes números santificam, mas não qualificam a felicidade. O tipo de felicidade que eu procuro não é a que o dinheiro pode trazer. E, como já a encontrei, se os números decidirem que chegou minha hora, aceitarei com gosto.

Mas, por enquanto, apenas faço o que tenho que fazer, feliz, com o pouco que eu tenho, que é muito mais do que muita gente com nove dígitos na conta jamais vai conseguir ter.

"Uuuuh. Se fodeaê"

Gente, releitura de um texto antiiiigo meu. É impressionante como, tempos depois, ainda sinto o mesmo. Todo o amor no meu coração vale um mundo :)

E-mails me mandando tomar vergonha na cara e parar de fazer revivals aqui: patsy@corporativismofeminino.com

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Mais papo de dinheiro?
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[x] Creuza alerta: LIQUIDAÇÃO pode sair CARA

Beijos, beijos!

Patsy

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Postado por Patsy às 00:15

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