sábado, 18 de abril de 2009

Paixões platônicas: não tente!

No auge dos meus 11 anos me apaixonei perdidamente pelo Tiago.

Aconteceu uma grande mudança na minha vida: Deixei de voltar de transporte escolar para casa! Nem acreditava que iria pegar um ônibus sozinha Claro, me senti a mais adulta das crianças.
O Tiago era o repetente da minha 5ª série. Ou seja, enquanto todos os pirralhos tinham 11 anos, o Tiago tinha 12 - pausa para suspiros.

Minha mãe, morrendo de medo de estupradores e sequestradores de criancinhas, fez o favor de descobrir quem voltaria no mesmo ônibus que eu e combinou com a mãe de todos que, todos os pimpolhos que pegassem a linha 512, iriam juntos para a parada e pegariam o mesmo ônibus.
Tiago era um gentleman. Se eu desse 10 centavos a ele, ele carregaria minha mochila até a parada. Tudo bem, se eu não tivesse 10 centavos, poderia ser um bombom.
Se estávamos caminhando e víamos o ônibus de longe, Tiago saia correndo e me deixava só. Eu nem me arriscava correr atrás dele, afinal sempre fui asmática e não muito acostumada com esforços físicos.

Chegou a Páscoa de 1997. Minha mãe comprou caixas de chocolate para as crianças que pegavam ônibus comigo. Minha mãe sempre foi assim, sabe? Adora presentear. Mas voltando ao assunto do Tiago (desculpa, mãe, depois falo de você), sabem o que ele fez? Espalhou que eu estava loucamente apaixonada por ele e que tinha até me dado ao trabalho de comprar chocolates só para provar meu amor.

Bom, a parte da paixão não era mentira, mas era totalmente platônica e eu nunca me arrisquei a demonstrar isso. O que eu poderia querer da minha paixão aos 11 anos? Dar beijos? Mas nunca, heim. Esse negócio de beijo é muito nojento!

E se eu nunca havia falado nada, por que o Tiago sempre fazia questão de exaltar uma paixão que ele nem tinha certeza e ele repudiava? Não sei. Só sei que tive anos péssimos entre 1997 e 1999. Em 1998 descobri que tinha um tumor no cérebro. Tomei cortecoídes, engordei horrores, viajei para fazer uma radiocirurgia, faltava dois meses seguidos de aula e, quando resolvia ir, passava mal e tinha que voltar para casa mais cedo. O Tiago? Bom, o Tiago dizia que não queria aquela gorda branquela com cara de retardada, mesmo que aquela gorda nunca tivesse admitido sentir algo por ele.

Como em toda história-clichê, dois anos passaram. Fiz 14 anos, diminuí os remédios, desinchei, meu cabelo cresceu... e vocês sabe quem ficou de queixo caído, não é? Eu sempre ouvia os comentários que ele havia me elogiado.

Não deixo nenhuma lição de moral. Essa história não mudou em nada a minha vida. Não aprendi nada com isso. Não tive grandes traumas, apenas doeu na hora e passou - rejeição sempre dói. Foi só uma paixonite infantil e mal sucedida. Os fins de relacionamento que vieram anos depois, esses sim machucaram de verdade. Amor é convivência, afinal. Eu nunca amei o Tiago. Nem na ignorância dos meus 11 anos eu achei que fosse amor, só sabia que era algo diferente e ponto.

O Tiago? Bom, há uns cinco anos não tenho notícias dele. Mas a última foi que ele não queria nada na vida e estava parado, sem estudar e trabalhar. Pra completar, a namorada engravidara e eles teriam que casar. Se me dá uma sensação de vingança - mesmo que passageira?
Não, para mim é indiferente.


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Postado por Anália às 00:01

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