segunda-feira, 20 de abril de 2009

Olhando para trás

Revirando no baú das lembranças, todo mundo tem um ano, uma idade, uma época que marcou a vida e que contribuiu muito para o que somos hoje.

Comigo poderia ter sido os 15 anos, mas como é muito clichê, não foi. Não fiz nada parecido com aquela festa estranha, com ares pagãos, onde a menina troca de vestido à meia-noite para dizer que havia passado de "menina" para "mulher". Em momento algum me passou pela cabeça coagir 15 casais a usarem roupas pomposas, dançarem valsa e acender velas. Pensando bem, nem se eu quisesse, afinal, onde eu iria arrumar 15 casais?

Não, definitivamente meus 15 anos passaram como qualquer outro ano, bem como os 16.

Mas aí vieram os 17. Ahh, os 17...Sim, foi essa a idade que me marcou.

Naquele ano, entrei para a faculdade, meu ingresso definitivo no mundo dos adultos. Mas não me sentia adulta.

Aos 17 achei pela primeira vez na vida que estava grávida. Senti um desespero imenso, medo dos meus pais mais do que nunca, repensei se queria mesmo um elo daqueles com meu namorado, me imaginei trabalhando em uma loja deixando todos os sonhos de uma carreira promissora de lado, imaginei um berço no meu quarto. Ufa, foi alarme falso. Mas o susto serviu para que eu deixasse de ser tão inconsequente e formasse uma opnião sobre o aborto.

Aos 17 me vi pela primeira vez diante de uma encruzilhada, no meio de um triângulo onde pelo menos uma das pontas sairia machucada. Estava com meu namorado da época havia três anos, mas estava ligeiramente interessada por um cara da faculdade. Acho que mais para afagar meu ego, alimentei aquela relação. E chegou a hora em que tive que escolher. Pensando bem, acho que escolhi o caminho errado. Deixei meu namorado e fiquei com o cara da faculdade. Aquele relacionamento durou mais três anos e matou muita coisa em mim. Se hoje sou o que sou, mais egoísta e fria do que antes, se hoje enxergo os homens com um pouco de desdém, se hoje me reservo o direito de não me jogar de cabeça em relacionamentos, foi por causa daquela decisão que tomei aos 17 anos.

Aos 17 meu avô era vivo e uma das alegrias dos meus dias era passar um longo tempo conversando com ele.

Outros pequenos eventos aconteceram. Coisas banais como comprar meu primeiro coturno, descobrir as noitadas por São Paulo, deixar de escrever diários, arriscar dietas insanas. Essa idade foi crucial para mim. Eu vivia de maneira plena.

Agora terminei a faculdade, sou preocupadíssima com o sucesso profissional, gasto mais do que ganho, falo mal das pessoas, etc. Estou definitivamente com os dois pés no "mundo dos adultos".

Mas se eu olhar para dentro, tirar as máscaras e talvez me desenhar, ainda sou aquela garota que usa coturno e meiões, que gosta mais de bichos do que de pessoas, meio gordinha e que acha que ainda dá tempo de consertar o mundo. Sim, eu ainda sinto que tenho 17 anos e programaria minha máquina do tempo sempre para essa época.


E você? Para quando levaria sua máquina do tempo?

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Postado por Mel às 07:25

1 comentários:

Desdhemona on 20 de julho de 2009 20:55 disse...

E pensar que essas coisas me aconteceram bem mais cedo...

Gostaria de dizer que, de uma determinada época para cá, eu cresci, mas ainda quebro muito a cara...

 

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