sexta-feira, 3 de abril de 2009

crazy/beautiful


Hoje de manhã, acordei com um telefone tocando, e nem era o meu, e tampouco era para mim. Os olhos enormes, um panda, esqueci de tirar o rímel. Uma das poucas vezes na vida que engasgo e não choro, por via das dúvidas, levanto e escondo os borrões de panda embaixo do maior óculos escuros disponível. Atendo. O barulho do toque característico do Nokia me irrita.

_ Sim? - eu nunca digo alô, fato, o sim parece mais mal educado.

_ Oi, é Fulana, meu filho está contigo? Estamos preocupados.

Faço um raff mental. Porque este telefone está comigo? Porque coloquei óculos escuros dentro de casa? E o mais importante: porque minha camisola com desenhos de gatinho está do avesso?

_Não, o telefone dele caiu, vou devolver...hum... depois.

_Mas quem é você?

_ Heleninha.

_ Você é amiguinha dele?

(Amiguinha? Queêeeeeeee? Mães são tão engraçadas ahahaha)

_ Isso - cocei os olhos.
_ Mas aonde ele está? Ele está bem?

Fiz minha voz mais doce do mundo. Não sou mãe, mas sei como são as mães.

_ Sim, querida, ele deve estar dormindinho agora, o telefone dele caiu no meu carro, vou levar pra ele assim que ele acordar viu?

*parêntesis: MEU CARRO - um quase kart mini buggy prateado, um arranhão por polir na lateral direita, e um queimado de cigarro no banco de motorista - não fui eu - onde quem se arrisca a ir de passageiro me diverte cada vez que arranco e paro, indo para frente e para trás com os solavancos. Confesso que 60% das vezes paro com solavancos propositalmente. Os outros 40% eu dirijo sozinha e paro bem bonitinho.

Engasgo e me lembro do porque dos óculos escuros e mordo os lábios, pra não gastar nem uma lágrima a toa. Tudo ruim, tudo errado. Nem eu sei porque estou triste, deve ser porque tem umas duas semanas que minhas cutículas estão arrepiadas e eu não vou fazer essas unhas, ou porque a gente acha que as pessoas te consideram e no fim acabam se esquecendo de te convidar pra algo que você queria muito fazer, ou porque você espera uma chave dum apê por sedex - manda papai! - e a encomenda nunca chega, ou os filetes de derrota escorrendo junto com o rímel, porque ele recobrou a consciência. Ou tudo isso junto e mais o carro coberto de poeira até os ossos e eu com dó de dar 20 pilatos pro lava car.

Ajeito o celular do esquecido junto com a blusa que ele também perdeu no meu carro. Os olhos de panda continuam lá, eu ajeito minha escova, e coloco meu jeans claro coladão. Nem penso em demaquilante, só penso em me livrar de tudo isso e voltar para casa logo. Meu cabelo está imundo, está sol e eu estou de botas xadrez. A única coisa que se salva são os 5 dedos de barriga que deixo pra fora, meu orgulho, desenhado à custa de muitas abdominais. Mickey Olhos Azuis me olha com uma cara de pidão, uma cara pior do que a minha, uma cara de peloamordedeusnão devolveminhascoisasesomeestouaquientediadoodiatodinho; assim tudo junto mesmo. Devolvo-lhe as coisas e levo-o dali, sou boa observadora, ninguém nunca precisa me dizer nada, embora eu nunca encontre bons observadores à minha altura, o que é bom. E esqueço os filetes de derrota do dia anterior. Esqueço meu cabelo imundo. Não choro, não se tem motivos pra chorar, pelo menos não nas próximas 6 horas. Vou desabar 4 dias depois, morrendo de dor de garganta e por todas as coisas que se fossem verdade seriam emocionantes, afinal.

Mas hoje... hoje eu estou de pé, em cima das botas salto 12, eu ouvi que o amor é cego, mas que não existe nada que várias canecas de submarino não resolvam. Obrigada querido, por fazer esta cara de cachorro perdido, num dia de derrota meu. Salvei-te, salvou-me. Estamos quites.

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um beijo, até sexta.
ah sim, a imagem é do filme crazy/beautiful, fik la dik.




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Postado por Heleninha às 00:39

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