sábado, 31 de janeiro de 2009

Riscos, loucuras ou sei lá o quê


Sei que é muito feio começar um texto com um clichê, mas preciso dizer: A vida é feita de riscos. Ou melhor, é feita de escolhas que acarretam nos riscos, ou....ah, não importa!

Não me lembro bem, mas acho que meu primeiro risco notável, foi quando criança, quis subir pela escada de madeira até o telhado de casa (a escada estava lá, pois estavam limpando a caixa d’água ou algo assim). Determinada, subi, e foi muito fácil subir. Difícil foi descer. Imatura que era, não tinha experiência suficiente pra avaliar que a dificuldade estava no caminho de volta, não de ida. O risco: Cair e quebrar meia dúzia de ossos, nada mais que isso.

É impossível inumerar todos os riscos de viver, mas vamos listar alguns:

- Ao sair na rua, o risco de ser assaltada, de ser atingida por dejetos de pombo (já fui), de enfiar o pé num buraco e torcer o pé (já torci).
- Ao dirigir, o risco de bater o carro (já fiz), de ter o carro porretado por outro motorista ignóbil (já tive), de levar uma multa (já levei!).
- Ao fazer um sarau abaixo de uma árvore, o risco de ser acertada por um ovo (já fui), o risco de cair uma fruta podre na cabeça (Nunca me aconteceu, mas confesso que evito sentar sob um pé de jaca!).
- Ao investir na bolsa de valores, o risco de perder dinheiro.
- Ao desatolar a calcinha na escada, o risco de ter uma câmera e o porteiro Zé assistir de camarote.
- Ao trocar de emprego, o risco de dar errado.
- Ao ficar com alguém, o risco de se apaixonar.
- Ao começar um namoro, o risco de ser chifrada.
- Ao noivar, o risco de ser chifrada.
- Ao casar, o risco de ser chifrada.
- Ao completar bodas de ouro, o risco de ser chifrada.

Ok, mas esses riscos do cotidiano não contam, né?

Riscos dignos mesmo são aqueles que nos fazem pensar: “Puta que o pariu, Fodeu tudo!”. São aquelas situações em que você nunca pensou em se meter, mas quando viu já estava lá na sua faixa de Gaza particular, sem querer sem poder voltar atrás, só desejando, no seu pensamento mais íntimo, sobreviver a aquela loucura sem sofrer danos.
E é como uma droga, a cada risco que você “sobrevive” existe um impulso que te leva a querer cada vez se arriscar mais. E...mais um clichê:

"O que é um peido pra quem tá cagado?!"

Tentar se privar de riscos é um instinto que sempre tive tinha, nunca consegui coragem, por exemplo, de investir em bolsa de valores, mas tem um motivo: não entendo nada economia, não me sinto segura fazendo isso, mesmo que todos digam que a petro a vale vão subir é um território que não me arrisco a pisar. Até porque, isso não me daria nenhum tipo de prazer imediato. E a graça de correr riscos, pelo menos pra mim, está diretamente relacionada ao êxtase do momento, ao impulso, ao instinto-faz-merdinha-dentro-de-mim.

Em alguns momentos, tenho a impressão que nem faz sentido viver se não podemos nos dar ao luxo de extravasar um pouco. Às vezes eu tenho certeza disso, não sempre, só quando estou na minha faixa de gaza particular. Mass....outro clichê:

"Tá no inferno, abraça o capeta"

Um segredo: quando dirijo de madrugada e a pista está semivazia, adoro testar até onde consigo levar o velocímetro. Ok, alguns vão dizer que isso é imprudente. E é. Quem nunca cometeu um pequeno delito que atire a primeira pedra.

Adoro parques de diversões. Adoro a sensação de “Fodeu tudo!” ao chegar topo de uma montanha russa e perceber que aquela porra VAIII DESCER, não adianta negar. Bom, isso não é exatamente um risco iminente, visto que os índices de acidentes nesses equipamentos são muito baixos, mas a sensação é a mesma.

Ok, são 1h15 da manhã e percebo que o post está meio desconexo, tô sem um desfecho e definitivamente preciso dormir. (no risco desse post ser um fiasco! haha).

Como eu sou sacana, jogo a bola pra vocês: Vocês gostam de correr riscos? Correm riscos com freqüência? Qual foi o último risco pelo qual passaram? E por qual risco querem passar? (riscos consideráveis, por favor, risco de morrer por está vivo não conta!) usem anônimo para riscos potencialmente comprometedores...hahahaha.

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Para reclamar que esse post merecia um final melhor, elogiar ou fazer propostas arriscadas : bel@corporativismofeminino.com

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Postado por B. às 01:07 3 comentários

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Desaniversários adolescentes OU o Meu aniversário

Antes que eu comece o texto, quero antecipar que irei ignorar perguntas como “Quantos anos você completou?”. Sejamos agradáveis e elegantes, senhoras e senhores. Entendam, até 20 anos é bonito exaltar e até pôr velinhas no bolo para escutar “... não parece 20, tem carinha de 15!”.

Nasci em 30 de janeiro de 1980. Não espalhem. E, como boa aquariana, sempre comemorei meus aniversários com muitos amigos ao lado, quer dizer, exceto na adolescência. Aniversários nesta fase eram fúnebres. Adolescentes são coisas extraterrenas. Eu costumava me trancafiar no quarto e só sair de lá no dia 31 de janeiro e, claro, sem atender telefonema nenhum.

Como sabem, abreviei minha adolescência por parir no seu auge e tentei a todo custo recuperar o tempo perdido. Foram 5 anos sem comemorar meu aniversário para não trair o movimento, caríssimos. Então, houve uma seqüência de bolos enfeitados com motivos da she-ra, pucca e o diabo a quatro aos 23 anos em diante. Sem pudor, com direito a chapeuzinho e caretas em fotos. Com direito a cantar “Com quem será, com quem serááá...”. É muito light não carregar mais a adolescência nas costas, depois que ela passou, notei que 10 cm foram acrescidos à minha altura. E não foi só graças à substituição de um all star por um scarpin.

Fui uma adolescente típica. Aquela que sente mal com o corpo e que anda corcunda por se achar mais alta que suas amigas. Aquela que ouve músicas depressivas e visualiza mil maneiras de morrer sem dor, claro. Aquela que quando uma visita adentrava seus portões, ficava reclusa e até passava fome para não dizer “oi”. Aquela que se apaixona pelo melhor amigo e não tem coragem de revelar o fato para o sujeito, mesmo que ele dê demonstrações cretinas. E, claro, como uma adolescente típica EU SABIA TUDO - Era só perguntar.

O resumo da adolescência, ao menos para MIM, é um só: BURRICE. Muitos anos perdidos, sendo alguém arredio, recluso e distante. Uma vida resfolegante, com palpitações supérfluas. Um quê de tristeza sem fundamento. Fui muito tola, muito tempo desperdiçado em conversas cretinas, muitos anos perdidos me escondendo, abafando minha vida, evitando escolhas. Ok, você está dizendo “Se não fosse assim... Não seria adolescência!”. E é mesmo, por isso o resumo é BURRICE.

Quando meu filho for adolescente, talvez eu trace um patamar de quão imbecil sua mãe foi e ele ria de tudo e faça igual – ou pior. Não dizem que as pessoas precisam passar por todas suas fases para que não brinquem de boneca num momento inoportuno? Pois bem, que sejam depressivos e se mal-digam nos seus 16 anos. Ninguém tem nada a ver com isso!

Hoje quero comer muitos brigadeiros, tomar meu saquê com morango e lacrimejar quando pedirem para eu soprar as velinhas... Afinal, agora não preciso provar pra ninguém que cresci.

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Postado por Sarita às 01:23 0 comentários

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Deus comendo pão na minha vida




Hoje é sábado (eu sei, o dia que este post for publicado não será sábado, mas é que eu programo os posts, sacumé), e hoje eu me sinto uma derrotada. Há anos eu não passo um sábado em casa, e hoje não seria diferente. Vestido de ir na buatchy, make de drag queen, saltão 12, um beijinho pro espelho "Mel Dels eu sou uma gatchy" (até rimou). Pois é. Minha amiga fura, não vai mais, sabe-se lá porque - eu sei ela é minha amiga, mas todos os motivos, fora hecatombes nucleares e dores de barriga, ou pior ainda, pobreza de fim de mês, parecem idiotas e irrelevantes. Parêntesis do parêntesis: desculpe Soraya, mas eu estava mesmo afim de comemorar o seu desemprego (risos). E comemorar dançando até o chão como uma boa cocota, nos entupindo de lindos mojitos com uma cereja no fundo.

Pois bem, tive que desmontar minha produção, e ver as outras pessoas saindo felizes, enquanto eu passava demaquilante e colocava meu pijama e era sumariamente ignorada no msn por algum gordinho qualquer (Patsy, eu estou te abraçando e cantando NÃO ERA AMOR AMICA, ERA CILADA, CILADA, CILADA). Um sábado fracassado como eu não via há tempos e eu desejando de verdade queimar a Soraya.

Não chorei. Eu já tinha chorado tudo no dia anterior, enquanto cantava "cilada, cilada, cilada" e me entupia de sorvete de flocos, ó Dolores por favor me tira do bueiro, me trás cerveja, mamãe eu quero baygon com 3 pedrinhas de gelo! Sim eu sou uma boneca inflável dramática. Existe um coração embaixo desta camada grossa de silicone e deste cabelo loiro sintético.

Pois bem, resolvi assistir o DVD que ganhei de Natal e que nunca arranjava tempo pra ver. Fiz pipoca, peguei a garrafa de 2,5 litros de Coca-Cola, arranquei o plástico do governo que costumam envolver as embalagens de DVD com alguma dificulade e coloquei pra rodar. Almodóvar, claro, um dos meus preferidos, se eu não estivesse querendo cortar os pulsos na ocasião. Fale com Ela? Tudo Sobre Minha Mãe? Porque a alma caridosa da Penélope me mandou um DVD duplo? Fiquei indecisa. Tudo Sobre Minha Mãe parecia o menos triste e eu ainda não tinha visto.

Estava enganada, o menino é atropleado e eu me debulho em lágrimas. Até o fim do filme. Limpo o nariz no edredom. Deus, neste sábado você resolveu abrir uma padaria na minha vida. Aliás esta semana toda, Deus comeu seu pãozinho na minha vida. Estava apaixonada, tomo no cu; quero sair pra beber, minha amiga tem um faniquito; meu cachorro vomitou no tapete persa, insetos de verão invadem a minha casa, eu estou com uma espinha enorme na bochecha e é o segundo dia consecutivo que fico com o rosto inchado de chorar. Claro, para finalizar, eu só não estou menstruando e vazando mais por falta de espaço. OBRIGADA G-ZUZ, se eu achava que não dava pra piorar, você (é, com letra minúscula, mesmo) só me provou o contrário.

Pode trazer a geléia.

lenços de papel, dvd's duplos, manteiga e água oxigenada para:

heleninha@corporativismofeminino.com
....
quer me tetestar (com T mesmo) e me xingar no orkut?
pode até me dar uma rasteira via buddypoke.

Excepcionalmente meu post hoje, na quinta, porque amanhã e o aniversário da Zíngara e nada mais justo que ela poste no dia que envelhece, não é mesmo pessoal?

(Tô de brinks Zin, eu te amo, você sabe disso).

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Postado por Heleninha às 00:01 0 comentários

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vaca: você terá uma na sua vida


Quem nunca teve que solte o primeiro VIVA! Aleluia, irmã! Você foi abençoada.

Vou contar uma história e é toda verdadeira. Sentem, leiam e peguem os lenços! Vocês chorarão com piedade de mim.

Conheci a referida mumumu assim que entrei na faculdade, em meados de 2006. O nome da vaquinha era Jucinete. Jucinete parecia uma uma criatura legal, na faculdade todo mundo é legal, afinal. Você descobre as maravilhas de ir pro bar depois da aula, de ter 1 milhão de amigos, de não estudar pra prova e tirar 10... não existe fase melhor.

No começo a Ju (carinhosamente apelidada por mim de Jumenta) parecia ser uma pessoa sã, amiga e companheira, mas com o passar do tempo, revelou-se um verdadeiro ESTRUME na minha vida.

Ainda hoje me pergunto se era ódio ou amor, tenho sérias desconfianças de que Ju deve gostar da mesma fruta que os rapazes gostam, já que a mesma desenvolveu uma paixão tão grande, tão linda, tão imensa por mim que conseguia dar conta da minha vida todinha.
As situações que se seguem não serão citadas em ordem cronológica, dada a minha capacidade brilhante de me situar no tempo.

SITUAÇÃO 1: Dia quente, muito muito muito quente. 40º C lá fora. E eu caio na besteira de comentar isso. Lá vem a querida Jumenta! "Ô Anália, se você está tão incomodada com o calor da minha cidade, volta pra sua cidade, lá deve nevar! Humpzzz, odeio quem fala mal do Piauí!" Atenção atenção, falar que aqui é quente é falar mal? Eu achava que era só uma realidade constatada, mas tudo bem. Da próxima vez eu falo ''Vejam só, que dia frio, que neve bonita. Cadê meu cachecol?"

SITUAÇÃO 2: Eu havia começado a ler Cem Anos de Solidão, mas criatura fraca que sou, desisti. Sei lá, às vezes o livro não bate com o momento que você tá vivendo e te dá vontade de ler outra coisa. O que não me impediu de terminar o livro depois, obviamente. A minha amiga leiteira, totalmente interessada na minha vida, percebeu que adicionei a comunidade do Gabriel Garcia Marquez no Orkut. E pasmem, veio comentar: "Por que você adicionou a comunidade do livro se você não o leu?" Sinto que vocês começam a ficar com pena de mim. Calma que tem mais!

SITUAÇÃO 3: Primeiro período eu matava aula a rodo. Aula de Sociologia? Bar com os amigos. Aula de Economia? Bar com os amigos. Aula de Metodologia? Bar Shopping com as amigas. Numa dessas matanças sanguinárias, ela resolveu ter a brilhante idéia de me deixar recados tipo: "Por que você não assistiu aula? Pra onde vocês foram?" Pra quem não sabe, minha mãe adora o famigerado site de relacionamentos azul bebê. E ela viu as perguntas da Malhada. Claro que a vaca não poderia adivinhar que isso aconteceria, nem vi maldade nisso. Por isso só pedi: "Jumenta, da próxima vez me ligue, mas não deixe recado pra todo mundo ver, por favor. Isso me causou problemas." Eis que no derramamento de sangue seguinte, lá está um recado da minha querida Juju e minha mãe viu novamente.

Sem contar as situações que não cabem em uma situação só. Quando fizemos o querido blog da CF, estávamos tão preocupadas com o layout, textos e etc, que não nos preocupamos em divulgá-lo no começo. Eu juro, uma semana depois o blog já estava adicionado nos favoritos do site dela. Não posso me esquecer também das vezes que ela vinha comentar sobre um ex meu, com quem ele havia ficado, o que havia feito, quando eu já havia pedido que o nome dele não fosse mais citado comigo. E nem das vezes que ela vinha questionar o que eu comentava na comunidade na CF. Orkut foi feito pra isso mesmo, pra ler, pra espiar a vida alheia. Mas favor não ser indiscreta assim e falar na minha cara que dá conta de cada abc que escrevo.

Pra vocês verem como vaca é tão vaca. Ano passado ela me escreveu algo sobre paz, ser amigas, passar por cima disso e blablabla. Eu disse que dela não queria nada, que não precisava de uma amizade assim e por aí vai. A criatura é tão sem noção, mas tão sem noção, que continua me deixando recado de Feliz Natal, Feliz Ano Novo e Feliz Dia da Vaca! Eu só apago. Cansei de demonstrar o meu desprezo.

Agora espero a minha querida Mimosa perguntando: "Eu li seu texto, você falava de mim?" Bom, é como dizem: "Se a carapuça serviu, né?"


- Para doações de amigas verdadeiras, latas de leite desnatado, elogios, xingamentos e depósitos na conta bancária: analia@corporativismofeminino.com -

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Postado por Anália às 08:09 2 comentários

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

How Can I Forgive You?




Eu nunca tive problemas em perdoar as pessoas, até que algo aconteceu que me feriu profundamente – de um jeito tão inexplicável que não convém tentar dizer.

Eu não sou exatamente rancorosa, e já passei por coisas desnecessárias por esquecer muito facilmente. Mas o perdão de leite condensado é o mais fácil. Esse, eu tiro de letra. Como quando tenho uma discussão com minha mãe, e meia-hora depois estamos assistindo TV e rindo juntas, como se nada tivesse acontecido. Ou quando sinto um comentário mal intencionado vindo em minha direção, mas abstraio tão logo conto até dez. Esse perdão veio no meu pacote, e graças à ele eu consegui passar por algumas situações com a cabeça erguida – e conquistar algumas coisas boas no final, ou ao menos, tirar uma lição daquilo. Noutras vezes, me faltou honestidade sentimental pra perceber que perdoar tantas vezes pode ser como uma pequena tortura diária, permitindo-me desprazeres (como um calo no pé: pequeno, mas que machuca) desnecessários. Por bem ou por mal, esse tipo de perdão estou aprendendo a controlar. Há uma linha tênue entre desculpar e fingir que não viu, e desculpar e fechar a porta àquilo que faz mal. É preciso saber quando cada um convém.

O que é difícil, pra mim, é aquele perdão intenso, aquele perdão que nasce sangrando, aquele perdão que, se não conhece a luz, se espreme solitário, num canto, definha asfixiado, encostado na parede, morre anoréxico, pálido, quieto e silencioso. Esse perdão é doloroso. Porque, de certa forma, ele ilumina cantos obscuros da gente e nos obriga a enxergar o que havia ali. Ele faz necessária a vistoria em alguns episódios que nos marcaram. Como aquelas cartas velhas que esquecemos na gaveta da estante, displicentemente, com a intenção de não mais encontrar. Como aquela flor recebida em uma festa, da pessoa que você nem quer mais lembrar, e que foi amontoada num álbum de fotos jogado por aí. São fantasmas do passado que só podem nos abandonar se encararmos de frente, com as duas mãos e o sentimento do mundo que o poeta reconheceu. Nus, esquálidos, cheios de raiva, noutras vezes angústia, ou rancor, ou um complacente desejo por vingança, não importa – apenas nós e nossos sentimentos, bons ou ruins, numa luta com o fantasma que nos segue.

Perdoar de verdade deve ser como arrancar a casca de uma ferida. Necessário para agilizar a cicatrização. Necessário para que possamos seguir nossos caminhos de uma forma mais humana. O perdão verdadeiro é doloroso, mas é vital. Porque o perdão real não é esquecido nas brigas futuras, nos ressentimentos futuros. Para mim, o verdadeiro só é assim se for permanente. Se for forte o suficiente para não ser deixado de lado. Não é instantâneo e demora para acontecer.
De certa maneira, eu acredito que ele não traz junto a confiança. Essa, pra mim, é como vidro ou como cristal: uma vez quebrada, ficam em tantos estilhaços que é quase impossível recriar. Não vou ser hipócrita e dizer que não desejei pequenas vinganças, mas essa deve ser a primeira fase da incubadora dos perdões: a raiva.

A minha primeira resolução de ano novo – e a mais secreta – foi aprender a perdoar de verdade. Porque minha avó, conhecedora dos sentimentos mais puros deste mundo cão, certa vez me disse algo que faz todo o sentido: “quem não perdoa, pequena, fica amargo e cansado”. É um exercício diário para mim, e espero que eu consiga terminar meu ano dizendo que deixei as mágoas para trás, e que levo de 2009 os frutos deste exercício: paciência e percepção.
Estamos no fim de janeiro, mas ainda está em tempo: que todos nós, em 2009 e sempre, possamos saber perdoar sinceramente e deixar nossos ressentimentos para trás. Sem fantasmas, apenas anjos da guarda, aqueles nascidos na lucidez da absolvição dos que também são como nós: humanos. E por isso mesmo, também falhos.

Penélope.

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Postado por C. K. às 05:00 0 comentários

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Porque odeio janeiros

Minha primeira relação com a morte foi aos 5 anos, perdi um tio querido, era o único que eu, no ápice dos cinco anos, gostava (ao menos é o que dizem, não lembro dele bem o suficiente). Todo mundo estava extremamente triste e eu não entendia o porquê, ele só estava deitado em um caixão, inofensivo, dormindo, ok, estava com a cabeça toda enfaixada, mas parecia tranqüilo. Foi suicídio. Eu senti falta dele acordado me fazendo cócegas, e isso é tudo que eu lembro.

Pouco depois a Nona morreu (sim, família italiana), eu só soube disso, não senti falta alguma, mas todos estavam tristes. Pouco tive contato com a Nona.

Anos depois, o noivo de uma prima (10 anos de namoro!) morreu em um acidente de carro (eita azar hein?! Bem no ano em que finalmente casariam). Era minha prima preferida, e vê-la abalada daquele jeito me fez pensar sobre essa dor que mexia tanto com todos. Ela ainda não superou.

Depois disso, pouco ou nenhum “contato” tive com a morte. Até que...

Bem, eu morei a vida toda com meu pai, mas minha mãe, mesmo morando em outro estado, era muito presente, mais do que muitas mães que conheci. E foi com 12 anos, que eu finalmente estava morando com ela. Só nós duas. Minhas irmãs mais velhas continuavam com meu pai. Eu era a caçula e era bajulada como tal. Era perfeito, toda a atenção dela era minha.

Um dia, do nada, ela começou a falar que eu deveria aprender a me virar sozinha, ser mais responsável. Aprender coisas como cozinhar e limpar casa. Quando perguntei por que, ela disse “Sei lá, vai que acontece algo comigo, você tem que voltar a morar com seu pai e ficar à mercê de empregadas. Ninguém vai se importar o suficiente com o que você precisa, é bom que você saiba se virar”, eu imediatamente descartei a hipótese dizendo “não vai acontecer nada contigo, mãe”.

Eu viajava sozinha praticamente todo final de semana para ficar com meu pai. Era uma coisa normal. As férias chegaram e ficou mais normal ainda, só que dessa vez eu iria ver meu pai e depois passar uma semana com minha madrinha. Ainda assim, nada demais. Mas minha mãe estava diferente. Na hora que eu estava saindo, de malas prontas, ela me interrompeu, pegou um terço que ela não tirava da bolsa por nada e me entregou, pediu para que eu levasse. Achei estranho, mas fiquei com ele. Quando estava prestes a entrar no ônibus, ela me ligou pedindo para que eu voltasse: “você não gosta do cheiro do ônibus, volta para casa, você vai depois”, como a passagem já estava comprada, as malas prontas e era algo tão comum, ignorei e só disse que não precisava. Ai se eu pudesse voltar no tempo...

Fui passar as férias na casa da minha madrinha, me divertia bastante lá. Mas um dia senti algo diferente, uma sensação ruim, não chegava a ser tristeza, era mais parecido com desespero. Nesse mesmo dia vi minha madrinha desligar o telefone atordoada. Ninguém me disse nada, mas eu sabia que algo tinha acontecido.

Na manhã seguinte, meu padrinho me disse que minha irmã havia ligado e pedido para que eu voltasse para casa, minha mãe tinha passado mal e estava no hospital. Era mentira.

Eu não conseguia comer, não conseguia conversar, só conseguia chorar. Eu SABIA que não era só isso.

No caminho de volta para casa paramos em uma cidade, e, apesar de todos os esforços de minha madrinha e dos meus primos, eu não saí do carro. Parecia que tudo iria piorar se eu saísse; no fundo eu queria acreditar que minha mãe realmente tinha passado mal e estava em um hospital, que eu poderia vê-la, ela melhoraria e tudo voltaria ao normal. Esse restinho de esperança acabou quando avistei meu pai se aproximando do carro. Afinal, o que ele estaria fazendo naquela cidade? Minha madrinha entrou rapidamente no carro e falou com voz chorosa “querida, sua mãe morreu”.

Sabem aquela expressão “perdi meu chão”? Foi exatamente o que aconteceu, eu perdi meu chão, tudo ficou escuro, eu não consegui sair do carro, caí. Meu pai me abraçou e só consegui dizer “Como ela morreu, pai?” “Afogada”, fiquei em estado de choque.

Eu sentia ódio de todos que estavam ali, queria matar um a um, não suportava que chegassem perto me dizendo que ela estava em um lugar melhor, mas eu ficava imóvel, era a melhor forma de reagir. Eu sentia medo, o que eu faria sem ela? Eu me sentia injustiçada, porque justo a MINHA mãe? Odiei Deus.

Afogada! Como a maioria das pessoas, ela sempre dizia: “Eu posso morrer de qualquer jeito, menos afogada e queimada”. Quanta sacanagem! Ela era tão nova, tão linda, tão altruísta. Porque ela? Isso deveria acontecer com pessoas ruins.

Não me lembro como foi o caminho para casa, o que as pessoas me diziam ou o se algo relevante aconteceu. Eu estava só com minhas lembranças, muitas delas.

***

7 anos - “Mãe, estou com dor de ouvido” *ela atrasada precisando voltar para sua cidade* “Está mesmo?” “Sim” “Vou pegar o remédio então, mas se você não estiver com dor de ouvido, ele vai começar a doer quando eu colocar o remédio” “Deixa pra lá, nem ta doendo tanto assim” *ela rindo da minha necessidade de atenção*.

8 anos - *meu aniversário* “Para quem vai o primeiro pedaço de bolo?” “Mamãe”.

10 anos – “Mas mãe, todas as minhas amigas vão! Deixa, deixa, deixa!” “Só se eu falar com a mãe de cada uma antes” *voz brava ao telefone*.

13 anos – “Tem certeza que não prefere ir amanhã?” “Tenho, vou hoje porque fico mais tempo com papai” “Tudo bem, se cuida direitinho” “Pode deixar” “Te amo mãe” *entrando no carro* “Também te amo... muito! *acenando na saída do condomínio - última vez que a vi*.

Minutos antes - “Querida, sua mãe morreu”. SUA mãe morreu, sua MÃE morreu, sua mãe MORREU...

***

Acho que lembrei de cada risada, de cada bronca, de cada abraço, de tudo, nesse tempo que fiquei inerte. Finalmente entendi a dor de todos aqueles supracitados, entendi que essa é a pior dor que alguém pode sentir, entendi que, infelizmente, ela nunca passa.

Mamãe estava certa, eu careci de atenção ao voltar a morar com meu pai, ele não sabia como cuidar de nós sem ela para auxiliar, passei de criança mimada a adolescente revoltada, demorei até assimilar tudo que havia acontecido. Fui perdendo outras pessoas queridas aos poucos, fui obrigada a amadurecer.

Nunca achei que uma mãe deve enterrar um filho, parte de mim é até contente por minha mãe não ter passado por isso, dizem que a dor é muito maior, nem consigo imaginar; mas também não acho que um filho deve perder a mãe tão cedo, é injusto crescer assim.

Queria ter voltado quando ela pediu, queria ter esperado mais um dia! Provavelmente não teria mudado nada, mas seria um dia a mais com ela. E um dia é muita coisa quando se passa todos os dias da sua vida desejando ter pelo menos mais 5 minutos daquele abraço novamente.

Ela morreu em um 26 de janeiro, e, desde então, odeio janeiros. Irei ao cemitério hoje, vou levar flores, como sempre, e um cartão dizendo:
É, mãe, eu nunca vou conseguir dizer-te adeus.

Ela nunca saberá.



_________________

dramaqueen@corporativismofeminino.com


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Postado por Yasmin às 00:31 1 comentários

domingo, 25 de janeiro de 2009

Pense Bem Antes de Ter um Cachorro!


Ou qualquer outro animal de estimação!!!!

Se você for uma pessoal normal, e não um “cerumano”, é fato você se apegar ao animalzinho.
Eu sempre gostei de cachorro mas, só depois que eu ganhei a minha bebê, descobri o que significa GOSTAR DE CACHORRO.
Minha filha tem três anos, uma teckel (ou daschund, ou salsicha) linda de viver, que sempre sofreu de gravidez psicológica em seus cios.
Desta vez, a bandida resolveu ficar lambendo o próprio leite e infeccionou um de seus mamilos.
A veterinária deu uma injeção de antibiótico e recomendou que ela usasse, por dez dias, o colar elizabetano (cone veterinário).
Vocês não tem noção do quanto ela, eu e meus pais estamos sofrendo.... Porque animais de estimação fazem parte da família e a “Madonna” é tratada como gente aqui em casa.
É triste de ver a bichinha toda deprimida, com aquele abajur na cabeça e sem poder ajudar. Estamos todos sem dormir direito, só de ver tanta angústia.

Por isso que eu aconselho: pense muito bem antes de ter um bichinho de estimação. Além de gastar um din din (porque se é para ter, que seja de maneira decente), você se apega e se prende.
Eu não consigo ficar muito tempo na rua, sabendo que a Madonna está sozinha em casa.
Ah sim, além de ter adquirido a adorável mania de brincar com TODOS, eu disse TO-DOS os cachorrinhos e gatinhos de rua.
Um dia, eu vou ter um orfanato de cães, só para abrigar os que vejo pelos cantos.

Beijos e excelente semana.

B.Beiçola.

Fotógrafa: Bruxa Beiçola
Modelo: Madonna

Para doação de ração, espaço para empreendimentos caninos ou depósito na minha conta bancária (só aceito acima de R$1.000,00), entre em contato pelo e-mail: bruxinha@corporativismofeminino.com

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Postado por B.Beiçola às 08:00 1 comentários

sábado, 24 de janeiro de 2009

Links

Ok, isso é um péssimo substituto para um texto, mas foi impossível escrever essa semana, então...

Big Bosta Brasil
- Odeio BBB, mas dá vontade de assistir só pra poder entender os comentários que a galera do Te Dou UM Dado? faz no site!

Leando Ravaglia - Deixa o Manual do Cafa no chinelo. Leandro publica contos, que, segundo ele, têm um toque de verdade. D-U-V-I-D-O! Vai ter a imaginação assim lá na Conchichina!

Papo de Homem - Mais um espaço legal no qual a macharada se reúne!

1001 discos - Um dos melhores blogs dos últimos tempos. Os meninos que o fazem, se disporam a cada dia postar links para download de discos citados no livro 1001 DISCOS PARA SE OUVIR ANTES DE MORRER!

Antônio Prata
- Eu li Capricho até meus 15 anos. *vergonha* E com a leitura surgiu a paixão pelo Antônio Prata. Agora colunista do jornal Estadão, podemos acompanhar o amadurecimento dele junto com seus textos. Pra quem quer ver o blog antigo também, só clicar aqui!

Angry Alien
- Desta vez o link não é para algo cult ou inteligente. Angry Alien é o site que faz síntese de grandes filmes em 30 segundos protagonizadas por... coelhos! Vale conferir!

Até sábado e com a esperança de um texto decente na próxima vez!
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Postado por Anália às 10:38 0 comentários

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

vamos resolver no braço



Sim, nesse ponto, eu sou muito homem. Por mim resolvia metade das coisas no braço e no fim tudo voltava a ser como era.

Em muitos momentos da vida, odiei- e odeio -ser mulher, passei metade da vida tendo amigos gays ou amigos homens. Muitos de meus amigos verdadeiros têm uma piroca no meio das pernas e apenas duas, sim eu disse duas, são mulheres e ainda compartilham do mesmo nome (estou falando com vocês, Caróis).

Eu sei, este blog se chama CORPORATIVISMO FEMININO, e eu estou aqui, indo contra todas as regras desse corporativismo, dizendo que infelizmente as mulheres não têm o espírito de corporação.

Mulher é traíra, mulher adora fofoca, mulher adora alfinetar e remoer picuinhas, mulher não tem memória de peixe e é capaz de lembrar e te jogar na cara que, em 1992 você roubou a tesourinha do Mickey dela, e, que foi por isso que ela espalhou um boato que você comia ranho e roía as unhas dos pés, fazendo a classe toda te odiar por 4 anos letivos seguidos.

Agora, se fosse comigo, a gente ia resolver essa história da tesourinha lá fora, com a classe toda gritando "SANGUE, SANGUE, SANGUE, SANGUE", e, no dia seguinte estaríamos compartilhando nossas bonecas novamente, como se nada tivesse acontecido. É assim que os meninos e os homens fazem e disso, poxa vida, eu realmente morro de inveja.

Lembro que, uma vez, reencontrei um amigo de infância e PLU, viramos grudinho por alguns meses. Eu estava de rolo com um amiguinho "catinho" dele, a vida era bela e a gente via pôneis saltitando todos os dias. Um dia eu fiz uma mini-cagada com o amigo dele (foi uma mini-cagada, eu juro, nada assim tão relevante) e, obviamente em razão do corporativismo masculino eu saí perdendo. Meu amigo de infância, que eu conheci tirando as fraldas deu razão ao outro cara e nem quis escutar minha versão da história. Obviamente somos amigos de novo, homem não tem rancor, ficamos uns meses sem nos falar mas nosso sentimento fraterno falou mais alto. AGORA, SE FOSSE O CONTRÁRIO, MINHA AMICA... se a gente invertesse essa história, ai ai ai, nem quero pensar!

No mínimo esse assunto ainda estaria rolando, uma difamando a outra de piranha arrombada pra baixo e o cara, garanhão, saindo com as duas dividindo-as durante os sete dias da semana. As amigas iriam se odiar pelo resto da vida, apagando todos os momentos maravilhosos que passaram juntas. Até rasgariam fotos: MEL DELS PORQUE ESSA PIRANHA SENTAVA COMIGO NO COLEGIAL? ELA JÁ TINHA CARA DE PIRIGUETE NA QUINTA SÉRIE Ó SÓ.

Nenhuma mulher é capaz de destruir uma amizade masculina, mas quantas amizades femininas já foram destruídas por causa de um homem? Amizades masculinas são infinitamente sólidas, verdadeiras, eu chego até a me arrepiar... agora, mulher, ah, são poucas as mulheres pelas quais eu boto minha mão no fogo. Eu sou uma boneca inflável calejada, cansei de ter amigas que eram amigas na minha frente e, nas minhas costas conseguiam falar tanto mal de mim que eu chegava a ficar com as orelhas ardendo.

Eu não estou pedindo pras mulheres saírem se estapeando na rua, resolvendo literalmente no braço. Estou pedindo mais atitude, mais lealdade, mais sinceridade. Prefiro que minhas amigas me digam uma verdade sincera, ainda que eu morra de dor, do que eu saber por terceiros o que elas acham de mim. E, minha parte, eu faço. Aprendi a falar na cara, ou no mínimo, por e-mail, como me sinto, sem picuinhas com terceiros, sem fofocas, sem dramas. Porque pra mim corporativismo feminino, é isso.


*amizades sinceras, soco-inglês e luvas de boxe neste endereço:

heleninha@corporativismofeminino.com


Um beijo da inflável!

(este post é para minhas Caróis, Carol e Kaponn, amo-as, não me imagino um segundo sem vocês por perto, corporativismo feminino é o forte delas!)

;)

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tudo por um Carnaval mais digno (ou a Fábula do Emprego Errado)


O que você já fez para ter um Carnaval decente?
Bom, eu vou te contar o que eu já fiz: consegui o emprego errado. Sad but true.
Empregos são como relacionamentos, de uma certa forma. Você logo inicia e, com um pouco de feelin' - lembram do texto passado? pois é, eu não tenho esse negócio -, você percebe que a tendência é tudo desandar, como uma massa de bolo sem fermento. Pois foi o que aconteceu comigo. Pela primeira vez EM TODA A MINHA VIDA (Drama Queen, babe, me empresta um pouquinho de drama?) eu soube, COM TODA A CERTEZA (só falta mais um pouco, amiga), que era uma furada sem tamanho. E isso para quem saiu do emprego certo há alguns meses é terrível.

Veja bem, eu tinha o emprego certo, mas por questões adversas, me desliguei da empresa no fim de 2008. Eu tinha uma segunda família, um chefe que era um segundo pai, uma infinidade de conhecidos e amigos de profissão que me ajudavam e a certeza da felicidade. Aí eu saí do emprego e oi? galeeeeeera, cadê vocês? Alooooou? *cri* *cri* *cri* Sobraram apenas duas amigas queridíssimas que rendem chopes deliciosos. O resto, quer saber, quero mais é que explodam. Fica o rancor, meu nome do meio.

Mas era fim de ano e, olha, admito mesmo, relaxei. "Perdi a família, mas não perdi a piada. Vou me divertir horrores", pensei. Curti férias prolongadas, Natal com família e Ano Novo hiper alcoólico com os melhores amigos do mundo. Mas chegou janeiro e eu percebi que fiz cagada. Eu cantei durante todo o verão e agora que é invern.... eer... quer dizer, eu gastei todo meu dinheiro emergencial em música e bebida e agora eu sou uma mocinha sem fundos (insira aqui a sua piadinha favorita).

Porém, menina esperta que sou, não fui como a cigarra e percebi a conta no negativo antes do Carnaval chegar de fato. Ou seja, com folga de aproximadamente dois meses para as festividades, estou bem. "Consigo um emprego temporário e garanto o dinheirinho da folia", pensei.

Mas o mercado está difícil e, acredite, injusto. Eu não consegui absolutamente nada na minha área e apelei. Admito não entender patavinas de marketing, mas dei minha cara à tapa. Tudo certo, né? Não. Como eu já disse, esse é o emprego errado. E eu posso listar as coisas que mais me aborrecem:

*Ninguém fala comigo (a não ser boa tarde, você quer água ou até amanhã. altos papos);

*As pessoas conversam sobre amenidades tipo...annh... deixa eu pensar... NUNCA. (alou? pessoal que trabalha com a Patsy? é a sanidade mental no telefone. liguem de volta, ela mandou um beijo e perguntou quando pode voltar);

*Tem uma louca na minha sala que grita com todo mundo e faz Sssshhhh quando eu rio. (na moral, Sssshhhh é o caráleo);

*Ninguém me treina direito ou seja estou cagando para o trabalho. (e aaaai de quem reclamar, abro Paciência e começo a jogar).

*Meu chefe não é gay, mas fala comigo como se fosse. E só comigo isso acontece. (se ele acha que eu quero pegar ele só posso dizer um grande HA HA HA).

Mereço?
E a situação só piora, porque eu preciso resistir bravamente por mais 30 dias naquele buraco dos infernos para receber meu bonito salário de escraviária. Tarefa árdua, já que hoje é o sétimo dia de treinamento e eu já caí no choro três vezes. As duas primeiras foram apenas ataques histéricos, mas a de ontem foi coisa de DIVA.

Chovia muito na cidade e eu estava ilhada na Zona Norte, querendo chegar na Zona Sul. Nestas condições climáticas, não importa a cidade né? Todas se transformam em sucursais do inferno. A única pessoa que dialoga comigo no edifício em que trabalho, o simpático porteiro, me avisou que estava tudo alagado. Me mostrou na telinha da televisão portátil dele e eu - uma mulher criativa e libertária aprisionada no emprego de uma pessoa burocrata e sem sal - chorei. Abri meu guarda-chuva e descobri um buraquinho nele. Pingava bem na minha franja. Opa, chorei de novo. O ônibus para o metrô não passava. Aaaaah, chorei. Um pedaço da marquise de uma dessas casas lindas e mal cuidadas de 1902 caiu do meu lado. Uivei de tanto chorar. O ônibus que peguei me deixou absurdamente longe da estação. Juro, ainda tinha lágrimas. Sentei no metrô. Chorei de emoção. Cantarolei na minha cabeça "Mama, I'm comming home".

Olha, foi bonito. Tinha vento no cabelo, água no cabelo, cabelo nos olhos, lente de contato querendo pular fora dos olhos, baratas voadoras saindo dos bueiros. Foi um momento DIVA sem o glamour.

E aí você me pergunta: "Mas Paaaatsy, para que tudo isso?".
E eu respondo: "Gente, em 2009 me deu bicho carpinteiro no corpo. Só consigo pensar no Carnaval. Até criei um pseudo bloco de seis pessoas com uns amigos. Acho que vai bombar".

Honestamente, nem gosto de samba (pronto, podem começar a atirar as pedras, vai). Sou uma mocinha do rock e do jazz. Mas alguma coisa nesse espírito de Carnaval de Rua, com marchinhas e vendedores ambulantes, me contagiou e agora... é só aguentar.

Torçam por mim e mandem propostas de emprego decentes para contato@corporativismofeminino.com hahaha

Mas, antes, responda:
Você é uma cigarra ou uma formiginha? O que vai fazer no Carnaval? Você acha que eu sou louca? Tá, pode esquecer a última, too easy.

Besos, besos!

Patsy

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Plantão Médico

Sorry pelo post-livro, estava guardado faz tempo, não queria publicar, mas como hoje faltou inspiração...foi.

Esse ano tive a infelicidade de fazer um dos exames mais traumáticos da minha vida, a tal da Ressonância Magnética de Encéfalo.
O processo de realização de ressonância é indolor, o problema maior, foi nos preparatórios que vou relatar aqui pra vocês.

Na marcação do exame, a moça do laboratório informou: "No dia do exame, a senhora terá que estar vindo com os cabelos secos, sem cremes, com uma roupa confortável e sem metáis como ziper, botões, colares e brincos".

Desliguei o telefone e entrei em estado de choque.

Problemática 1: Como assim eu tenho que estar com os cabelos SECOS e SEM CREMES ao mesmo tempo?! Pra quem não sabe, meu cabelo é enroladissímo, não existe a hipótese de acordar e sair dignamente de casa sem lavar/molhar o cabelo ou no mínimo passar cremes.

Problemática 2: Eu trabalho todos os dias vestida de pingüim, considerando que eu tenho que trabalhar logo após o exame, COMO ASSIM NÃO TER ZIPER OU BOTÕES?!

Aí começou minha batalha com a dignidade. Como sair de casa com dignidade respeitando esses pré-requisitos? Como? Raciocina, Bel, Raciocina. Pensei em fazer escova nos cabelos, seria a única forma e mantê-los secos, sem creme, e apresentáveis. Mas não dava pra fazer isso no meio da semana, não sobrava tempo entre trabalho e faculdade.

1° BATALHA - Preparatórios no dia anterior
Ciente de que não tinha a opção de não lavar os cabelos, pois ele estava com cremes. E não tinha a opção de não secar, caso contrário ele ainda estaria molhado pela manhã, na noite anterior ao exame, cheguei em casa, lavei os cabelo e sequei-os com auxílio do secador. Passei uma quantidade ínfima de reparador de pontas, afinal, não podia passar creme, mas quebrei as regras mesmo, e me orgulho disso. Reparador é pontas é digno.

Na hora de dormir, fiz uma trança e enfiei uma touca improvisada feita de meia fina na cabeça, na tentativa de acordar com o cabelo minimamente apresentável.
- 1° batalha perdida: A dignidade não usa touca de meia fina trifil furada da cabeça.

.Chegado o grande dia.


2° BATALHA - CABELO
Acordei e tentei dar um jeito no cabelo de toda forma, mas não dava sair na rua parecendo a Maria Bethânia, a temperatura estava amena, decidi por enfiar uma touca de lã na cabeça. O sol estava saindo, e por mais ridículo que fosse, sair na rua com a touca na cabeça era o único jeito de parecer menos ridícula.
- 2° batalha perdida: A dignidade não usa touca de lã no verão.


3° BATALHA - A ROUPA
Todas as minhas calças tem zíper. Todos os meus sutiens (decentes) tem ferrinho. E agora?
7 horas da manhã e eu estava com uma tesoura na mão, abrindo um buraco na lateral do sutien pra tirar o tal ferrinho. Pronto, problema resolvido.
Bem, definitivamente minha touca de lã não fazia o estilo social, então decidi que aquele dia eu realmente não ia trabalhar de social. Mas também não dava pra sair de casa com uma calça de ginástica, ou com um moletom furado, a solução seria colocar a calça jeans por cima de uma calça legging e ir apertada como um queijo provolone, pra chegando lá tirar o jeans e me livrar o zíper, foi o que fiz.
Mas peraí, eu não podia usar touca com roupinha de verão, né? me enfiei dentro de uma jaqueta e fui. E o sol cada vez se mostrando mais forte.
- 3° batalha perdida: A dignidade não usa legging por baixo do jeans.


4° BATALHA - PRÉ-EXAME
Quando cheguei ao laboratório, o sol já estava rachando cucas, ao ser atendida, fui encaminhada para uma sala hiper mega super gelada. Ufaa, me livrei do calor, pensei.
Quando disse que minha ressonância era de encéfalo, a enfermeira avisou que eu poderia ficar com a calça jeans (obrigada, mocinha gerundica do atendimento!), mas logo tive que tirar os sapatos e calçar aquelas pantufas de plástico, tirar a jaqueta para que a injeção de contraste fosse aplicada da minha veia, e a parte mais apavorante: tirar a touca.

Eu estava uma aberração estética, o cabelo de qualquer medingo na rua estava melhor que o meu. E é claro, claro que o enfermeiro que foi aplicar a injeção no na minha veia era um GATO. E eu lá, naquela situação deplorável, querendo morrer.
- 4° Batalha perdida: Nessa altura, eu já nem me lembrava mais o que era dignidade..


5° BATALHA - O EXAME
Tudo que eu queria era terminar aquele exame, ir correndo pro banheiro e passar a quantidade de creme que fosse necessária para o meu cabelo ficar apresentável, tirar aquela calça legging que estava me matando por baixo do jeans, recolocar meus brincos e colar, e ir embora.

Mas Murphy, Murphy é meu amigo, minha gente. Acabou a energia elétrica no meio do exame, e a enfermeira veio me avisar que a máquina da ressonância não funcionava com o gerador.

Ela disse “Aguarde um minutinho” e eu fiquei lá, por mais de uma hora, deitada naquela esteira, morrendo de frio. Eu não podia vestir minha jaqueta pois tinha uma agulha de meio metro na minha veia, não podia calçar os sapatos, alías, eu mal podia me mexer, me limitava a manter meu braço esquerdo ereto, pra não presenciar a agonizante visão do meu sangue voltando pela seringa.

Eu tinha duas opções: Esperar ou ir embora. Mas eu não podia ir embora, pra depois ter que passar por aquilo tudo novamente, não é mesmo? Fui macha, agüentei!

E pra coroar aquela situação lamentável, a enfemeira ficou com dó de mim, que estava morrendo de frio, e me ofereceu um cobertor Parahyba.

Era igualzinho esse aí.
Por favor, não visualizem a cena.

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Postado por Bel às 06:00 0 comentários

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Torturas no Salão, ou: como Enfrentamos a Sala X em Nome da Dignidade Estética

"Sorria e acene!"
x
"Será que compressa de camomila tira o vermelhidão?"

Quem faz piadinha sobre o tempo e o dinheiro que gastamos em um salão de beleza, como se para nós fosse uma delícia freqüentar o lugar, não sabe o quão insensato está sendo. Muitas de nós, mulheres vaidosas que gostam de sentir bonitas, detestam ir ao salão, e só vão porque é necessário. Eu sou do tipo que, definitivamente, detesta salão de beleza. Mas como detesto ainda mais me sentir esteticamente insignificante, encaro uma manhã no salão como um mal necessário.

***

Você chega ao salão e, se der azar, o lugar está lotado. Ou seja, taí uma ocasião para exercitar a paciência, enquanto tanto tititi sobre o casamento do fulano ou a morte da bezerra é murmurado. Além disso, quando você faz algum procedimento que usa touca, bobes ou papel-alumínio, tem de fingir uma cara de dignidade, afinal, lembre-se que você está parecendo um cogumelo atômico ou uma personagem dos Jetsons. Semana passada, por exemplo, eu fui retocar a raiz do meu cabelo, pois faço luzes periodicamente. O salão que freqüento fica no segundo andar do prédio onde um amigo mora. Sabe aquele amigo gay, sarcástico e extremamente crítico? Então... Marquei meu horário para o mais cedo que pude, justamente pra não encontrar a criatura. Eis que, quando eu estou lendo a edição passada da Nova, com o cabelo cheio de papel-alumínio numa situação medonha, o maldito passa no hall. Escondo-me atrás da revista, mas ele é mais rápido e acaba me vendo. Alô, dignidade!

Mas há, também, a segunda hipótese: você ter sorte e ir no salão num dia de pouco movimento. A parte ruim é quando as funcionárias do lugar, xeretas por natureza, ficam te puxando o saco e te fazendo perguntinhas sobre sua vida pessoal.

Contudo, há que se ressaltar que tudo isso, citado até agora, é pouco cazzo perto das dores que passamos no recinto. A começar pelas unhas. Podem me chamar de fresca, mas quem nunca sofreu quando a bandida da manicure arrancou um bife, que engula um dara. Às vezes, o bife arrancado é tão grande que sangra. Sádicas...

Mas pior que a manicure é a cabeleireira. Os tratamentos capilares não são nem de longe uma terapia. A começar pelo corte... Cabeleireira tem o prazer de usar a tesoura mais do que deve. Perdi a conta de quantas vezes pedi para tirar “só as pontinhas” e voltei pra cara com o cabelo seis dedos mais curto...

Pra quem costuma se inspirar em cortes de personalidades famosas, a chance de se decepcionar é grande também. Certa vez, levei recortes e fotos do cabelo da Jennifer Aniston pra minha cabeleireira. Saí parecendo um pintinho malhado, com um corte que nem de longe lembrava o da Jenn. Por essas e outras, penso mil vezes antes de cortar. Até porque eu sofro de DPC (depressão pós-corte). Sabe aquela máxima de que a gente sai do salão se sentindo mais bonita que quando entrou? Então. O problema é que, comigo, não raras vezes acontece o contrário, me acho mais feia na saída que na entrada. E fico deprimida procurando meu cabelo durante o banho, a semana toda – afinal, é muito incômodo quando você vai lavar o cabelo e, enquanto desliza a mão pelas madeixas, percebe que sobra mão e falta madeixa.

***
Mas o terrível, no fim das contas, nem é o que sofremos na cadeira da cabeleireira, mas sim, a Sala X: a sala da depilação.

O ambiente todo branco esconde o desespero que sentimos ao encarar a depilação. Não bastasse a posição extremamente inconveniente, quase tão incômoda quanto a de um exame ginecológico, a cada tira com cera que é puxada, você sente todos os seus órgãos sendo extraídos pelo orifício da raiz do pêlo. Cada puxada é um martírio. Antes do fim da sessão, você já morreu e ressuscitou muitas vezes. Dor de parto eu não sei como é, mas entre as dores que suportei, nenhuma é pior que a da depilação íntima. E os homens ainda reclamam quando levam chute no saco... Queria ver agüentarem uma hora de depilação sem clamar aos céus por piedade!

***
Não pensem que é fácil ser vaidosa. Até porque as manicures estão cada vez mais sádicas, as cabeleireiras, sob o pretexto de “modernizar”, cada vez mais atrevidas, e as depiladoras... Bem, as depiladoras são umas vacas sem mãe.

Apesar disso, deixar de freqüentar o salão é um atentado conta mim mesma. Até porque ainda não decidi se é pior ter pontas duplas ou cabelo curto, mas sei bem que a vaidade e a auto-estima são importantes pra qualquer mulher. E apesar do clima de terror, da DPC e de todo o resto, poucos lugares podem fazer nos crer na beleza instantânea como o salão.

Então, quando um homem faz um comentário sobre como é fácil ser mulher, eu mentalmente repasso a lista das dores que só a gente sente, pra ter certeza que ele está errado. Adoraria que um programa de TV selecionasse uns quinze cuecas e os colocassem numa rotina de mulézinha por uns dias. Queria ver quem é que, após a tríde manicure + cabeleireira + depiladora, ia chegar em casa feliz e no salto alto!

É por essas e outras que eu NÃO ADMITO que ele não perceba meu visual novo, entendem? Afinal, os sofrimentos da Sala X valem todos os elogios do mundo. Repetidos tantas vezes quanto as vezes em que sentimos vontade de voltar ao tempo das cavernas, só para não ter que se depilar novamente.


*** Para bancar uma tarde com Marco Antonio de Biaggi ou Fernando Torquatto, envie um e-mail para penelope@corporativismofeminino.com


Penélope.


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Postado por C. K. às 05:00 1 comentários

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Uma história

"- HAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA", gargalhou Júlia.
Era a primeira vez que ela se sentia tão à vontade com alguém, “que delícia, que delícia!”, pensava enquanto sua barriga doía de tanto rir. Pedro era bom mesmo com piadas.
O que ocorre é que Júlia não sabia se o fato de sentir-se tão bem com a companhia dele decorria das meras risadas ou se havia, bom, você sabe, se havia algo mais. Fácil dar risadas com alguém, não é? Difícil é chorar, afinal. E aquelas dez dúzias de coisas em comum? Bobagem, mera coincidência... 75% das pessoas do mundo (incluindo os idosos) são caseiras e não curtem muquifos agitados. E aquele transmimento de pensassão? Coincidência também, oras! Falam as mesmas coisas juntos trinta vezes por dia porque coincidências acontecem.

Tanto tempo saindo juntos, mas nada de Pedro tomar uma iniciativa. Será que o problema era com ela? Com suas roupas? Com suas sandálias? Com seu cabelo pro lado esquerdo? Se ela colocasse o cabelo pro lado direito, Pedro a observaria?
Marcaram de sair mais uma vez. Terceira semana seguida que iriam ao cinema. Filme de terror. “Hmmmmm, vou aproveitar o filme pra agarrar o Pedro”. Sim, Júlia agarrou Pedro. No entanto, só na imaginação dela. Afinal, segurar o braço do coitado com força até ficar roxo não é agarrar, ou é? [Pobres menininhas, elas sempre acham que qualquer coisa é dar bandeira] Pois é. O filme acaba e nada. Pedro não se tocou. Mas Júlia tinha um trunfo: o cd do Red Hot que ela esqueceu propositalmente no carro dele.
- Não acredito, Pedro! Esqueci meu cd no teu carro!
Saem do cinema e vão ao estacionamento.
Era última chance dela, Pedro não a deixaria em casa, já que depois do cine ela ainda iria um jantar de família. Ele abre o carro, ela tira o cd e depois ficam conversando banalidades fora do carro.
- Ai, meu pé ta doendo. Abre o carro, vamo conversar lá dentro!
[Maquiavélica essa Júlia...]
Enquanto conversam, a metida da Júlia liga o som do carro de Pedro. Pink Floyd ao fundo... o telefone de Júlia toca. Era seu pai avisando que a pegaria para irem ao tal jantar chato. No alto de seus doze anos MENTAIS (só mentais), ela se despede, mas no lugar de um beijo estatelado na bochecha, Júlia encosta seus lábios no dele e sai correndo...


- Continua depois -


- Para histórias legais, elogios, xingamentos e depósitos na conta bancária: analia@corporativismofeminino.com -

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Postado por Anália às 00:01 0 comentários

domingo, 18 de janeiro de 2009

Perder uma amiga é pior que perder namorado.


Ok! Estou sendo dramática. Eu não “perdi” uma amiga, ela simplesmente casou e, no dia 11/01/09, foi morar nos Estados Unidos.


Estou triste, sentindo um mega vazio!


Quando ela decidiu que esse era o rumo de sua vida, eu comprei, no mesmo dia, um daqueles cordões no estilo “cara-metade”, só que este se divide em três partes... eu fiquei com uma parte, ela fico com outra e minha outra amiga – irmã de sangue dela – ficou com a última parte.
Eu sempre me senti a irmã adotiva dessas amigas: Choramos juntas, rimos juntas, compartilhamos os nossos melhores e piores momentos juntas...
Um dia antes da minha cirurgia, ela estava aqui em casa, esperando eu me acalmar e só foi embora depois que eu dormi.
Enquanto eu estava no quarto do hospital, esperando a hora da cirurgia, ela me ligava a cada cinco minutos, e quanto mais eu chorava, mais ela chorava.
Eu sei que não perdi(no sentido literal) uma amiga, estou feliz por ela, o marido é um cara maravilhoso que, agora, além de marido-de-amiga, é meu amigo também.
Mas, eu não consigo visualizar o meu dia sem a presença da minha amiga. Tivemos nossos desentendimentos recentemente, mas foi tudo fruto do nervosismo escondido por trás de todos os preparativos para o casamento, as festas de despedia (foram umas três) e de todo o esforço para manter o sorriso na cara e não fraquejar antes da hora.

“Vamos deixar para chorar no Aeroporto?”

Eu não sou a mais sentimental das pessoas, mas essa situação me pegou de jeito.

E quando os filhos nascerem?
E quando os filhos começarem a andar?
Como eu vou bancar a tia bruxa?

Terminar um namoro é muito mais fácil. A paixão diminui, muitas vezes o tempo te mostra que não era amor e você percebe o quanto a vida é melhor sem o canalha. Mas e quando você sente que perdeu uma amiga? Que mais nada será como antes?

Beijos e excelente semana.

B.Beiçola

*********** Para doações, passagem e visto para os states, entre em contato pelo endereço: bruxinha@corporativismofeminino.com


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Postado por B.Beiçola às 08:00 0 comentários

sábado, 17 de janeiro de 2009

AMOR REAL


Vivemos assistindo comédias românticas onde o amor tem hora marcada. Hora, gestos, olhares e atitudes, diga-se de passagem.
Com um referencial tão bonito e fácil do amor, quem se importa em idealizá-lo de uma maneira diferente?

Com o passar dos anos, das idas e vindas, dos adeuses (sorry, não sei de um plural legal para adeus) marcados por lágrimas, simplesmente paramos e nos perguntamos: CADÊ O AMOR DA MINHA VIDA, AS FLORES, AS VIAGENS, AS DECLARAÇÕES INFINITAS E OS PLANOS PARA UM FUTURO PRÓXIMO OU DISTANTE? Senta e espera, baby! Aliás, deita e cansa seria mais adequado! Se você ainda espera por tudo isso, acho melhor pegar seus dólares guardados e investir em uma nova terapeuta (que talvez a deixará mais louca).

Eu sei, realmente é mais fácil imaginar o lado bom de tudo, idealizar um par perfeito é muito, mais muito mais fácil mesmo que pensar que quando deixamos uma pessoa entrar na nossa vida, ela vem com o pacote todo: as qualidades, o fato de ele ser honesto e trabalhador, de ser carinhoso, de ser amigo, de lhe tratar bem pode vir acompanhado de alguma mania tosca como chupar o dedão do pé, por exemplo (que isso não seja feito em público, pelo menos!)

Talvez ele não vá te levar pra assistir um pôr-do-sol fantástico, muito menos aparecerá com flores em uma data clichê como o dia dos namorados, talvez vocês não tenham nem escolhido uma música pra embalar o amor de vocês, mas quem se importa? Com o passar do tempo você chega à conclusão que a presença do outro é o maior presente na sua vida (tá, me chamem de brega!) e pequenos detalhes fazem toda a diferença: o silêncio consentido na volta pra casa – não aquele silêncio pesado, aquele silêncio de paz, que ambos não precisam falar nada – o fato de ele se preocupar em te servir quando vão jantar fora, a liberdade de conversarem sobre tudo e nada, um DVD que ele gravou porque lembrou de você, o apoio nos momentos difíceis, uma piada só de vocês.

Quem disse que o amor é feito de clichês, nunca amou. Perdoem-me, mas flores e declarações não me acrescentarão muito se não acompanhadas de pequenos gestos que me façam sentir verdadeiramente amada.


- Para consultoria sentimental , elogios, xingamentos e depósitos na conta bancária: analia@corporativismofeminino.com -

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Postado por Anália às 00:01 0 comentários

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

pelo fim da canonização da maternidade



Após o último final de semana que passei (e nem foi com a minha mãe) decidi escrever.

Sim, estou cansada, MUITO CANSADA, de mães que acham que podem fazer o que quiserem com seus filhos, só porque são mães.

Odeio gente que diz: "mas ela pode, ela é sua mãe, você tem que entender isso!"

NÃO, ME DESCULPEM, eu não tenho que entender nada. Muitas mães por aí são vampiros emocionais sim, quase bruxas asquerosas pressionando os filhos. Mães não são santas, são seres humanos como qualquer outro e devem ser vistas como tal, inclusive por seus filhos.

Como todos sabem as situações que escrevo aqui 100% das vezes são reais (egocêntrica oi, só sei falar de mim e da minha vida), e o que aconteceu com um amigo muito querido neste último final de semana, simplesmente me arrasou.
Todos que estão de fora, o vêem como bom filho, ajuda no negócio da família, trabalhou o verão todo, diga-se de passagem, sabe cozinhar, ensinou os funcionários a cozinhar do jeito certo, não deu um pio para reclamar de nada os 4 dias que passei lá.

Simplesmente escuto que ele é uma pessoa orgulhosa, sem humildade, irresponsável e mau funcionário, durante os 4 dias. Eu penso assim, senhora mãe, você quer discutir okay, mas por favor, sem argumentos de bosta. Tenha embasamento! Chega um ponto na vida que, não somos mais crianças - e no caso aqui temos entre 22 e 25 anos - e que é possível admitir sim que você é mãe, tem argumentos retardados e erra!

Embasamento da criatura: o filho dela dorme tarde, fica dando voltas na praia com os amigos, acorda tarde.

Detalhe: o negócio deles É NA PRAIA e só abre no fim da tarde e fica aberto até a meia-noite. Parece óbvio que meu amigo dorme tarde e consequentemente acorda tarde e no tempo que sobra vai a praia com os amigos. Mas todos os dias, pontulamente as 17h ele estava lá firme e forte, sem pausa pra ir ao banheiro, no máximo pra comer um enroladinho de queijo escondido e olhe lá.

Hoje cedo ele voltou para a cidade, depois de muita paciência, afinal sempre dizem isso, que nós temos que ter paciência com as nossas mães, afinal elas nos geraram, ou pros filhos adotivos, nos criaram, enfim, ele se cansou e deu um basta, ainda que temporário.

Este é só um caso, eu já vi outros, com outras pessoas.

Não sou mãe, meu relógio biológico ainda não bateu e provavelmente não vai bater tão cedo. Mas eu convivo com uma e sei que mães são capazes de fazer as maiores chantagens emocionais possíveis, de jogar suas roupas pela janela porque você não arrumou o quarto, de ligar para você em Piraporinha do Norte porque ela não consegue ligar o DVD, de tentar acertar o filho com um pote de margarina.

Fico pensando, quando se vai adotar uma criança, uma assistente social simplesmente revira sua vida pra ver se você é capaz, mas quando é pra gerar um filho, na barriga, foda-se ninguém está nem aí como ele será criado. Não estou dizendo que todas as mulheres que se tornam mães sejam insanas mas eu acho de verdade que antes de ser mãe a mulher deveria mesmo passar por um acompanhamento psicológico.

Eu mesma, depois de tudo que vi e vivi, penso demais se quero ser mãe, pois sei que eu serei INSANA e chantagista além da conta. Muita coisa que minha mãe fez- e faz- comigo, eu também não concordo e abomino, mas penso friamente se serei capaz de não repetir os erros dela.

De qualquer forma, ainda acredito que todas as mães do mundo participam de uma máfia onde só quem é mãe entra. Aí você recebe sua carteirinha de membra mãe e aprende a ser insana enquanto faz o peru de natal e dá de mamar pro bebê, tudo ao mesmo tempo, agora. Todo Natal, mães do mundo inteiro trocam cartões da irmandade e etc. Zíngara, você saiu bonita na foto da sua carteira de mafiosa?

se sua mãe já atirou suas roupas pela janela e você adoraria me contar CLICA AQUI ( a minha já fez isso, eu ri demais quando fui juntar minhas roupas do lado de fora de casa hahahahahaahhahaha)

heleninha@corporativismofeminino.com
Beijos e até a próxima sexta!

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Postado por Heleninha às 00:01 0 comentários

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Uma vida em 10 dias



Como podem perceber, estou de volta. Um pouco antes do esperado, e completamente contaminada pelo clima portenho. Mas tenho que dizer que não foi só o clima portenho que me contaminou, fui contaminada também por uma gripe from hell, que praticamente me obrigou a voltar as terras brasileiras antes do tempo.

Foram dias extremamente intensos. Intensos e doidos, mas não vou entrar nos detalhes sórdidos hihi. Afirmo com a mais absoluta certeza que Buenos Aires ficou com um pedacinho de mim, e não, não foi com um pedaço do meu coração, foi com um pedacinho do meu dente da frente mesmo, que provavelmente colidiu com o gargalo de alguma garrafa de cerveja, suponho. Mas nada grave, um pequeno e discreto milímetro de dente não me faz falta.

Atendendo pedidos, vou fazer um resumão aqui de como desenrolou essa viagem, talvez seja útil pra alguém, talvez não, by the way, vamos lá.

Primeira coisa que tenho que dizer é que sou muito inconstante, e como toda boa garota inconstante e descabeçada, odeio ter um roteiro, odeio ter uma programação, então de cara, mandei a CVC pros quintos, até porque eu já tinha comprado minhas passagens em promoção no submarino viagens, fiz tudo por conta própria mesmo.

A segunda coisa é que sou pobrinha, e como toda boa pobrinha não esbanjo grana pra pagar um bom Hotel por tanto dias assim, mas felizmente, com 20% da grana que se paga um bom Hotel, se paga um ótimo hostel.


Pra quem não sabe o que é um Hostel, a diferença principal, se comparado com um hotel, é que os quartos são compartilhados com meia dúzia de pessoa que você nunca viu na vida, fazendo com que o custo seja muito mais baixo - O custo pra ficar no Milhouse foi de 35 pesos por noite, dá aproximadamente 28 reais pela diária - Vejam bem, 28 dinheiros pra ficar nesse lugar com um ótimo bar, café da manhã incluso, mesa de jogos, computador, além da oportunidade de interagir com pessoas de toda parte do mundo - é um clima muito animado e impagável, eu realmente não teria aproveitado tanto a viagem e conhecido tanta gente legal se tivesse ficado em um boring hotel five stars. E confesso que também não teria dado de cara com um Australiano-loirão-gostosão só de cuequinha assim que cheguei no meu quarto. Ai ai ai

Então fiz uma reserva de 7 dias no Milhouse hostel, mochila nas costas, guia da Argentina na mão e fui .

Apresento-lhes o Bar do Hostel mais badalado de Buenos Aires, o Milhouse Avenue:


Sem palavras pra descrever, ter me hospedado no Milhouse foi fundamental para o sucesso da minha viagem, recomendo com muita força!

O título desse post não é a toa - a sensação de uma vida em 10 dias é enorme, porque você conhece pessoas, faz amigos forever and ever, e quando você menos espera, essas pessoas estão indo embora - todo dia você recomeça as amizades, todo dia você tem a sensação chata de se despedir de alguém. Além do que me aconteceu de tudo nessa viagem, se o meu vôo de volta fosse sequestrado por extra-terrestres eu já não me espantaria

Dormir? Luxo. Passei esses dias dormindo 3 ou 4 horas por noite, pois o dia que eu não saia à noite simplesmente perdia a hora conversando com as pessoas no bar e bebendo litros de cerveja.

Não posso falar de cada cantinho de Buenos Aires que conheci, caso contrário esse post ficaria mais enorme, mas tenho que falar dos shows de tango!

Para assisti um show de tango em um lugar refinado, custa em de 150 a 200 pesos, por pessoa. Como já disse aqui, sou pobrinha e não quis desembolsar essa grana, mas assisti shows de tango fantásticos na Calle Caminito, no La Boca.


Caminito é uma rua encantadora bem na periferia de Buenos Aires, com suas casas coloridas e com diversos palcos e show de tango na frente dos bares - Claro, não é nada muito requintado, mas é ótimo! Eu realmente não fui pra Buenos Aires pensando em Tango, mas me apaixonei pela dança quando comecei a assistir.
Na Calle Caminito não se paga nada pra assistir os shows, inevitavelmente optamos por sentar na frente de um bar, pedir uma cerveja e assistir o show. Acho que foi nesse dia que minha dor de garganta começou. É contaminante a alegria das pessoas dançando, e como podem ver, até me arrastaram pro palco pra tirar uma foto, hahaha *vergonha*


Sobre a comida, foi difícil, mas sobrevivi. Experimentei alguns pratos clássicos como bife de chorrizo, lomo, parrilla - inegável que as carnes são muito boas, isso quase compensa a falta do arroz com feijão.
No auge do desespero da Gertrudes, minha lombriga, implorando por arroz, ví no cardápio de um fast food um lindo prato de algo que me parecia um risotto, fiz a dancinha da alegria, afinal, eu ia comer arroz, ufa!
Mas nossa alegria (minha e de Gertrudes) não durou muito tempo. Quando fui servida meu mundo desabou, perdi o chão ao perceber que o arroz era frio! Vamos falar sério, nem meu cachorro come arroz frio, mas insistem em chamar isso de comida na Argentina.

Dias depois fui servida de arroz quentinho. Mas ó, que comida sem gosto viu? Sal na argentina é luxo. Em tudo falta sal, falta tempero, falta sazon, falta amor! E viva o arroz brasileiro.

Após 7 dias em Buenos Aires, viajei 12 horas de ônibus com destino Mendoza, de dentro do ônibus, assisti um belo por do sol que só findou após às 22 horas, impressionante, não escurece nunca naquela porra de país. E a dor de garganta continuava..


No dia seguinte, ao despertar no ônibus, desculpem a palavra, mas puta-que-o-pariu, visão fantástica da cordilheira dos andes.


Mendoza é uma cidade muito simpática, mas muito burguesinha pro meu gosto. O principal atrativo da cidade são seus vinhos, suas bodegas, além de servir de base aos aventureiros que vão em busca de algo radical nas cidades interioranas mais próximas, tais como visitas aos parques nacionais, escaladas ao monte aconcágua, raffting nos rios e por aí vai.


Passei só 3 dias em Mendoza, que também foram intensos, entre tour nas bodegas, city tour, churrasco inter-hostel, balada mais cheia da minha vida, raffiting noturno no rio Mendoza e pronto, morri por dentro, não aguentava mais a dor garganta que não dava trégua já que eu também não dava trégua pra cerveja. A enfermidade falou mais alto, a gripe me derrubou de uma vez só e TUDOOOO que eu queria era minha cama.
Voltei, e dessa vez ví o pôr do sol do avião, nessa-porra-de-país-que-não-escurece-nunca.



Enfim, depois de 10 dias me enchendo de cerveja e vinho, agora estou em casa, de cama, me enchendo de cataflan + amoxilina + spray de própolis + amidalin.

Mas apesar dos pesares, posso dizer que TUDO valeu muito à pena! Buenos Aires, ficou no meu coração de papelão. - se alguma leitora estiver indo pra lá, pode me levar no bolso que eu deixo!

Desculpem pelo tamanho do post, tentei resumir o máximo que pude mas ainda não consegui falar metade do que queria! ...rs
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Para consultoria de viagens, doação de passagens para Buenos Aires, amoxilina, cataflan, vitamina C, garrafas de cerveja, me apresentar um Argentino gostoso ou me enviar fotos de deuses australianos de cueca: bel@corporativismofeminino.com -
* ênfase para o último ítem. Ah, os australianos....... (L)

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Postado por B. às 01:15 2 comentários

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Borboletas no estômago



Eu já tive muitos amores. Amor de colégio, amor de verão, amor de inverno, amor-que-não-era-amor-mas-sim-paixão, amor de pic carnal, amor romântico, amor não-correspondido... você está com tempo? Porque a lista se estende. E eu nunca tive um bom desconfiômetro ou uma intuição aguçada, quiçá um sexto sentido, que me fizesse sacar se o amor era amor ou CILADA.
Aaaaah, as ciladas. Eu só vejo que, com o perdão da palavra, essa porra vai dar merda quando ela está a dois milésimos de segundos de acontecer. E daí em diante é ladeira abaixo. Especialmente porque nestes momentos a vida é irônica e, diria eu, levemente sádica, me fazendo repassar o refrão de "Cilada" do Molejo, em loop, na minha cabeça. Gente, o inferno é aqui, viu? Bem aqui, dentro da minha cabeça.

Por exemplo, durante um passeio romântico por uma bela e arejada praça com Roberto, amorzinho dos meus 15 anos (faz teeeempo), que COM TODA A CERTEZA ficaria comigo para sempre, uma menina se aproxima e conversa com ele por 20 minutos sem notar minha presença.
  • Não sou apresentada à criatura. Hmmm, ruim.
  • Ela passa as mãos nos braços dele o tempo todo. Hmmm, péssimo.
  • Ela pede para ele mandar beijos para seus familiares. Iiiih, essa porra vai dar merda.
Sobe a cortina:

- "Nossa, essa menina deu em cima de você des-ca-ra-da-men-te na MINHA frente!", digo, revoltada.
(desconfiômetro apita fraquiiiinho)

- "A Perséfone? Ah, é que eu saí com ela ontem", diz o patife NA CARA DURA.

(desconfiômetro falido pede desculpas esfarrapadas)

- "Você saiu... o quê?", gaguejo.

(Não era amor)

- "Saí com ela. Nenhum problema, né? Afinal, a gente não tem nada sério", afirma enquanto acende um cigarro.

(Ô, ô)

- "Aaanh... ééé... não, né? Mas eu achei...", engasgo em minha própria saliva enquanto procuro quem roubou o chão sob meus pés.

(Não era)

- "A gente está se divertindo, não é mesmo?", indaga enquanto segura meu rosto com as mãos. A fumaça do cigarro me sufoca. Já não sei se meus olhos estão marejados de tristeza ou intoxicação.

(Insira aqui uma onomatopéia que represente meu coração sendo esmigalhado em pequenos pedaços)

- "Aaaanh... estamos?", chorooooosa. Era choro, mesmo.

(Não era amor, eraaaaaa...)

- "Mas é muito mais divertido se eu tiver vocês duas", diz levando suas mãos para minhas nádegas. Éééé.

(CILADA, CILADA, CILADA, CILADA, CILADA, CILADA)

E essa é a história da minha vida. Entre chopes e compras astronômicas em lojas de departamento, eu basicamente estive partindo meu coração pelas ruas desse Brasil-sil-sil. E tudo isso, aliado à completa ausência de um gaydar, já causou estragos quase irreparáveis. Quase. Até porque sempre existe uma luz no fim do túnel, mesmo que você se recuse a enxergá-la e utilize recursos tão clichês quanto álcool, comida e CDs do Placebo para afogar as mágoas.

Mas, como dizem, cara feia para mim é fome e desgraça pouca é bobagem. Então, recém curada de uma paixonite avassaladora, eu me jogava em outra, pelo simples prazer da emoção e da busca. E dá-lhe borboletas no estômago e gagueira galopante.

E eu dei essa volta inteira para dizer que eu não possuo foco todas essas sensações voltaram. E o "sortudo" da vez é Corporativismo Feminino. Desde que a querida Zíngara me convidou para escrever por aqui de vez em quando, tenho sofrido de borboletas no estômago e ansiedade crônica. E escrever este primeiro texto para o CF está sendo tão difícil quanto iniciar um bom relacionamento, daqueles que podem causar suor nas palmas das mãos e noites em claro.

E, no fundo, é bastante engraçado que, agora, com todos os traumas amorosos superados, as sensações de nervosismo novamente me atinjam e me sacudam. Mas confesso que levar esse sacode será uma experiência deliciosa. Especialmente por ser uma experiência sem Molejo na trilha sonora!

Besos, besos!

Patsy

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Postado por Patsy às 06:00 2 comentários

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Teses de Lutero, parte II

Aqui, continuo a tentar chegar ao número que lutero chegou, 95, e continuo a enumerar o que mais odeio nas pessoas (inclusive eu mesma às vezes, ou o tempo todo, em um ou mais defeitos).

Para quem não leu a primeira parte, acompanhe aqui!

Dedico esse texto à minha amiga Bruxa Beiçola que, apesar dos pesares, das decepções, das humilhações, da perda da auto estima, da perda momentânea da sanidade mental, da descrença dos amigos e familiares, do ridículo e do escárnio sofridos, jamais abandonou sua paixão, o Botafogo, mesmo nos momentos mais dolorosos e extremos desse relacionamento.

13) “Cerumanos” quadrúpedes

Pois não conseguem utilizar os pés para se locomover, mas apenas as quatro rodas. Não abrem mão do carro, precisam dele seja para ir até a padaria da esquina, ou mesmo quando moram na porta do metrô (e o local onde vocês combinaram de se encontrar também fique perto de uma estação).

Essa situação piora em se tratando de shopping. Há diversos shoppings em São Paulo junto às estações de metrô, e o sujeito prefere, mesmo assim, ir de carro, sabendo que levará horas para achar uma vaga no estacionamento.

Ou então sexo. Acham que drive-in é sempre uma boa pedida ou, pior, o sexo de improviso dentro do espaçoso Ka dele, o qual muitas vezes o Zé-Ruela nunca levou para um lava-rápido desde que está com ele.

14) “Cerumano” auto-suficiente

Quando acha que pode tudo, agüenta tudo, consegue tudo, e não divide, não se abre em relação ao problemas, nem pede ajuda para nada.

Mas, ao agir dessa forma, fica irritado com qualquer coisa que você diga ou não diga, o que quer que você faça ou deixe de fazer. E você fica sem a menor idéia do que causou essa irritação toda.

E, sozinho, ao tentar fazer tudo, não consegue fazer coisa alguma direito. Talvez se permitisse, ao menos uma vez, pedir sua opinião ou sua ajuda, poderia ter se poupado de muitos aborrecimentos, não teria cometido tantos erros ou sequer engolido algum sapo.

15) Minha opinião, Minha honra

Ou seja, você dá uma opinião contrária, fazendo uma crítica ao ponto de vista de outra pessoa e o que acontece?

Ao invés de tentar interpretar a crítica, analisar os motivos que a justificaram, o criticado toma essas observações como crítica pessoal. Esquece-se completamente do mérito do argumento e passa a atacar a postura, as atitudes e até o caráter da pessoa que ousou contrariá-la, utlizando-se de fatos e argumentos totalmente distantes do foco da discussão.

Nisso, a pessoa atacada entra no jogo e entramos num redemoinho, tal como os judeus e palestinos se encontram até hoje.

16) Religião enquanto disfarce...

para seus próprios desejos, expressos na ladainha que ouvimos dessas pessoas: “Deus não quer isso”, “Se Deus quiser, ganharemos” ou mesmo “Ai, Meu Deus, faça com que ele seja meu!”. Nessas horas, imaginemos a quantidade de arcanjos que ficam analisando nossos pedidos, minuto a minuto, segundo a segundo. Deve haver um mainframe com capacidade ilimitada por lá.

Seria bom maneirarmos isso, porque aqui entramos em duas questões:

a) O problema não é pedir. É pedir por qualquer coisa, em qualquer momento ou, pior, o tempo topo. Denota, ironicamente, uma falta de fé, seja nos desígnios divinos, seja nas suas próprias capacidades.
b) Disfarçar seus pontos de vista, muitas vezes retrógrados. “Deus disse que o aborto é pecado” ou então “Deus é contra o casamento gay”. Caramba, o que há de ruim em assumir que é contra o aborto e que não gosta de homossexuais? Ah, talvez quando estiver com uma gravidez indesejada, ou o filho virar carnavalesco, a pessoa irá relativizar isso e dizer que Ele se enganou?

Uma vez estava em um happy hour, e um colega nosso disse que era “católico fervoroso”. Nisso, uma de minhas colegas, naturalmente sincericida, ainda mais naquela hora por ter tomado todas, perguntou: Católico fervoroso? Então você permanece virgem até a hora de se casar?”

17) Você é voluntária, e daí?

Não sou religiosa, mas creio que esse seja o melhor conselho da Bíblia: que uma mão não saiba o que faz a outra. Ou seja, se você tem tempo e disposição para ser voluntário em alguma obra social, ótimo, fico feliz por você. Mas isso não te dá, automaticamente, credibilidade. Insista em se auto-promover nesta questão e vão acabar falando pelas costas que você faz isso muito provavelmente para compensar o fato de você ser uma péssima pessoa em todo o resto.

Há exceções, naturalmente, mas, muitas vezes, o jovem – seja por vontade própria, seja 'incentivado' pelos próprios pais – torna-se voluntário pelos mais diversos motivos, até, vai, ajudar os outros. A desculpa oficial é fazer amigos, o que significa, nas entrelinhas, a chance de conhecer gente (bonita, de preferência) do sexo oposto.

E isso acaba se tornando um tiro no pé. Trabalhava em uma paróquia dando conselhos sobre planejamento familiar e, de repente, uma das colegas voluntárias engravidou de outro moleque também de nossa paróquia. Aí, com que cara falaria desse assunto com as pessoas dali para a frente? Isso foi a cereja na torta para que eu deixasse o voluntariado, mas isso é outra história.

18) Dinheiro não é tudo, mas...

Esse clichê, muitas vezes, serve de escudo para a estagnação, para a preguiça. O autor dessa 'pérola da auto-ajuda' posa de alternativo, mas sempre tem, por algum motivo, alfinetar o carro novo do amigo bem-sucedido ou então a suntuosidade da casa da praia da família de outro amigo, mesmo tendo passado dias maravilhosos por lá.

E, numa briga qualquer, solta outra pérola: “Porque você não corre atrás do seu amigo riquinho?”. Frase essa que derruba a máscara de pessoa alheia ao materialismo. No fundo, fica ressentido com qualquer pessoa, sobretudo aquelas que arregaçaram as mangas, e demonstraram mais esforço, coragem e fé em si mesmas, recebendo merecidamente mais bençãos e benesses por conta disso.

19) Ser idealista, porém...

Desfrutar de tudo do bom e do melhor, mesmo sem saber que muitas dessas coisas das quais desfruta vieram graças à ideologia que tanto combate, que tanto odeia.

Olha, nada contra usar uma camiseta do Che Guevara (cujo filme irá estrear logo por aqui, com o Benicio del Toro), ser contra o presidente americano do momento, ficar indignado pelo fato de darem US$ 1 trilhão para os bancos e não para os famintos, ou ser a favor do meio ambiente, militando no Greenpeace.

O problema, por exemplo, surge quando o cidadão se revolta com o capitalismo, mas cursa uma faculdade, cara, seja pela mensalidade absurda, seja por ser custeada por nossos impostos. E quem banca seu idealismo é o pai, muitas vezes, executivo de uma multinacional das mais típicas do capitalismo que ele odeia tanto. Tanto que, enquanto você chega de ônibus na faculdade, e é logo criticada por ele por escolher trabalhar numa empresa que, entre outros absurdos, agride o meio ambiente, o idealista veio sozinho, de carro, equipado com ar-condicionado, cujo gás é um dos que mais prejudicam nossa atmosfera, mas para quê saber disso, né? Chato demais...

Ou então usar uma bandeira do Tibete no carro, na camiseta, mas continuar a comprar produtos chineses...Francamente, quer mudar o mundo? Adote posturas e atitudes condizentes. Não se limite aos discursos.

20) Pessoas que acham que seu exemplo é universal...

E acham que sua excecão é regra. Preconceito racial, machismo, o fato da sogra ser uma droga, o que for, acham que isso não existe ou não é verdade, só porque dizem “Eu sou negro e nunca sofri preconceito dos meus professores, dos meus amigos, etc etc” ou então “Acho que isso não é verdade porque MEU namorado não é assim”.

No caso do preconceito racial, de fato, graças a Deus, cada vez mais encontramos pessoas que tratam as outras com igualdade por pura convicção, mas há ainda as que fazem apenas 'por educação' ou para simplesmente não serem presas em flagrante e processadas. A cortesia ainda é aparente. Fica a sugestão de ir a um orfanato e fazer um perfil das crianças que estão lá. Quais as que saem mais rapidamente e quais acabam ficando por lá...

21) Tenho orgulho das minhas características mas...

por que ficar na paranóia de mudá-las? É, se você pensou que caí no exemplo fácil da chapinha, acertou...

Pessoalmente, gosto de cabelo ondulado e do crespo também. Outro dia, vi uma entrevista com a Taís Araújo, ao natural, e ela estava simplesmente linda. Aí não entendo o porquê das mulheres lutarem tanto para manter o cabelo liso, mesmo que fiquem parecendo um Afghan Hound depois de uma sessão de escova.

Ou então, as orientais e as cirurgias para arredondar os olhos, bem como tingir seus belos cabelos pretos. Uma amiga minha, japonesa, pôs na cabecinha dela que havia sido descartada numa entrevista de emprego por ser 'oriental' demais. Nisso, fez essa cirurgia na dobra dos olhos, com injeção de gordura, não tenho certeza...

O fato é que, ao sair do hospital, parecia que havia sofrido uma grave violência doméstica. Hoje, ficou um pouco melhor, mas ainda parece que ela está com um par de tersóis...Menos mal que ela não tenha inventado de pintar o cabelo.

Ao fazer essas cirurgias para arrendondar os olhos e pintar os cabelos, as japoneses, coreanas e chinesas estão cada vez menos japonesas, coreanas e chinesas e cada vez mais...putas tailandesas.

22) Pessoas que se acham acima de tudo...

e ficam criticando, do alto de um pedestal, a imprensa sensacionalista, as fofocas do momento, o Big Brother, mas, ao criticar, demonstram que sabem tão bem ou bem mais do que as pessoas que admitem ter um interesse, ao menos para ver as palhaçadas ant(ropol)ógicas que acontecem nesses programas.

23) Pessoas Cristalizadas

Trata-se daquelas pessoas que ficaram cristalizadas no passado, seja quando tinham um bom emprego, eram jovens, eram magras ou quando namoravam fulano. Para essas pessoas tudo que vier depois, especialmente o que for de ruim, não aconteceria se ela estivesse na situação da qual tanto tem saudade.

O curioso é que nem sempre esse passado está definitivamente morto e enterrado, estgá ao alcance da disciplina em seguir a dieta mais do que sabidamente necessária, da determinação em resgatar a carreira, o orgulho profissional, ou mesmo vergonha na cara para perceber que a vida vai muito além do fulano(a) que você amava, e que muito provavelmente também está pensando em você, quando ele sai (e faz sexo) com outros (as).

24) Pessoas que pensam no futuro mas...

Paralizam a vida no presente. Colocam a felicidade, os projetos, a vontade de viajar - dele e A SUA - na gaveta, à espera de um grande acontecimento, passar na faculdade, ser aprovado em um excelente concurso público, ser promovido, ganhar na Mega-Sena, etc.

Todos temos que ter um planejamento, metas a seguir na vida. A questão é que os anos passam, e os amigos, parentes e amores terão mais o que fazer enquanto o sujeito espera as condições perfeitas de 'temperatura, umidade e pressão'. Se esquecem de que fazer sexo, namorar, viajar, curtir os amigos não são fatores de dispersão, mas muitas vezes são compromissos necessários para que a pessoa mantenha a sanidade mental necessária para manter o foco em seus objetivos. E, mesmo que prescinda dessas coisas e consiga, chegará sozinha no topo...Ou então, enquanto se mata para conseguir as coisas, um vaso cai na cabeça...

Exemplo triste disso foi uma tia minha. Programou-se para curtir a vida quando viesse a aposentadoria. Mas o câncer chegou primeiro...

Uma pessoa bem sucedida é a que melhor consegue fazer render seu tempo, não seu patrimônio...

25) Pessoas sem identidade própria

São aquelas pessoas que atrelam sua identidade, sua vida, sua classe social, ao trabalho, aos pais, ao cônjuge.

Podemos citar os Workaholics que, no tempo livre, não conseguem soltar-se completamente, porque não conseguem se desconectar de seu papel profissional. Levam notebooks, celulares, o que for, para onde quer quer forem nas férias, movidos pelo ego, que o faz acreditar ser indispensável.

Outro exemplo são as mulheres que se escondem por trás do marido ou se aproveitam do prestígio dele, e, mesmo depois de separadas, não abrem mão do sobrenome dele, casos da Marta Suplicy, Luiza Brunet e outras.

Ou, em um nível mais ordinário, o(a) fulaninho(a) que se apóia no(a) namorado(a) como muleta, cai diversas vezes no chão, ou se não conseguir se agarrar a outra muleta durante a queda, dificilmente conseguirá se erguer quando as pessoas forem embora de vez..

26) Síndrome de Dory

A Síndrome de Dory ocorre quando uma pessoa pretere um grande amigo(a) diante do que lhe for prioritário no momento.

As pessoas, de forma compreensiva, confundem a Síndrome de Dory com uma singela manifestação de egoísmo, ou mesmo de ingratidão, para com amigos que, em diversas ocasiões, ajudaram-nos em um momento de desespero ou de dor.

Contudo, da mesma forma que o peixinho esquecido do filme "Nemo", que dá nome a essa síndrome, as pessoas sofrem de perda de memória a curto prazo.

Tal deficiência é causada pelo fato do doente colocar uma prioridade qualquer à frente de qualquer coisa. Em certos casos, a prioridade invariavalmente recai sobre a necessidade de estar sempre em algum relacionamento. Nesse sentido, a única coisa que a pessoa lembra são dos aspectos sensoriais do relacionamento, ou seja, ela vai se lembrar apenas do toque, do beijo, do quão bom o sexo foi, e pouca coisa além.

Dessa forma, estando centrado(a) no objeto de sua atenção, a pessoa procura descartar qualquer fato desagradável que lhe tenha acontecido antes ou durante essas lembranças sensoriais, para não perder o foco. Querer esquecer algo, em si, não é o problema. Porém, tal esquecimento muitas vezes envolve ignorar também quaisquer manifestações de solidariedade de amigos durante esses períodos de rejeição ou de humilhação.

Assim, não é surpresa esses mesmos amigos, quando precisarem de colo, serem sumariamente descartados pelos portadores da Síndrome, que irão evadir-se para os braços da pessoa que preencherem o vazio da pessoa naquele momento.

Embora seja um fenômeno bem conhecido, ainda não há uma cura definitiva para a Síndrome. O efeito do sinceridício ainda causa controvérsia na comunidade científica, simplesmente porque a capacidade de memória e de empatia não mostrarem sinais definitivos de melhora com a utilização dessas abordagens.

Diante desse quadro, recomenda-se que se diminua paulatinamente o grau de amizade com os portadores. Não se mostrem prontamente disponíveis para dar colo ou um ombro amigo, pois isso só piora os sintomas. Talvez a cura esteja relacionada ao ostracismo social.

Afinal de contas, mesmo com todas as nossas boas intenções, o que for prioritário continuará assim, até mesmo diante da mais altruísta e abnegada das amizades.


27) O mito da pessoa decente...

Desconfiem mesmo quando a pessoa de seu interesse se considerar uma pessoa decente. Pessoas que realmente se acham decentes, imbuídas dos princípios mais nobres, que só têm pensamentos e desejos bons, acabam sendo os que poderão nos decepcionar, ou mesmo machucar, da pior forma.

Quem fica o tempo todo comprometido em ser bom em todos os aspectos da vida fará coisas que definitivamente serão ruins, mas, nesse comprometimento, dificilmente se dará conta que as fez. Em virtude dessa pressão auto-imposta, acabam caindo mais facilmente na contradição e na incoerência e, nisso, acabam jogando a raiva e violência muito mais em cima de você, do que neles mesmos, já que não admitem que possam ter sentimentos ruins, sequer por um segundo.. Sendo assim, muitas vezes, é melhor um 'canalha', com o qual você sabe como lidar, do que um pretenso bonzinho, que pode se revelar um campo minado...


TEXTO escrito por Suellen

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Postado por Sarita às 01:08 0 comentários
 

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